Retrospectiva 2025: Definições sobre o futuro do Metrô do Recife e início do Arco Metropolitano salvam o ano da mobilidade urbana em Pernambuco
Ao mesmo tempo, 2025 foi um ano de muitas mortes no trânsito, uberização da formação de condutores e poucos avanços na mobilidade ativa e coletiva
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Sob a ótica da mobilidade urbana sustentável, que bom que o ano de 2025 está acabando. E ele já vai tarde. O desabafo se justifica: o ano que está chegando ao fim não vai deixar saudades porque, com pouquíssimas exceções, o Brasil e, pontualmente, Pernambuco, praticamente não tiveram grandes avanços no setor de transporte público, infraestrutura, ciclomobilidade e segurança viária.
Em resumo, o ano de 2025 foi marcado pela manutenção do aumento das mortes e mutilações no trânsito, a uberização da formação dos condutores brasileiros com a flexibilização das regras, e poucos avanços na mobilidade urbana coletiva e ativa. E somente no fim do ano é que algumas iniciativas e medidas foram anunciadas ou parcialmente implementadas. Como é o caso do lançamento do primeiro trecho do Arco Metropolitano em Pernambuco, a futura concessão privada do Metrô do Recife, e as mudanças na retirada da CNH.
A Coluna Mobilidade acompanhou de perto esses temas ao longo do ano, reunindo dados, bastidores e análises que ajudam a entender como Pernambuco e o Brasil caminham — ou travam — quando o assunto é deslocamento urbano. Confira alguns dos principais fatos que marcaram a mobilidade urbana no Estado e no País:
Metrô do Recife: concessão entra no horizonte após anos de colapso operacional
O Metrô do Recife voltou ao centro do debate nacional em 2025, com o anúncio de que o sistema será concedido à iniciativa privada. O governo federal confirmou um pacote de cerca de R$ 4 bilhões para recuperação da malha metroferroviária, condição considerada essencial para tornar o ativo viável ao mercado. A proposta poderá encerrar um longo ciclo de sucateamento, marcado por falhas operacionais, redução de viagens e infraestrutura obsoleta.
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Ao longo do ano, a Coluna Mobilidade mostrou que, enquanto o futuro era desenhado nos gabinetes, os passageiros continuavam enfrentando interrupções, troca emergencial de trilhos e queda na confiabilidade do serviço. A concessão passou a ser vista como a última alternativa para evitar o colapso definitivo do sistema, que é estruturante para a Região Metropolitana do Recife.
Arco Metropolitano: promessa histórica começa a sair do papel
Depois de mais de duas décadas de espera, 2025 foi o ano em que o Arco Metropolitano ganhou um cronograma. Já no finzinho do ano, o governo de Pernambuco anunciou previsões mais concretas para o início das obras, especialmente do Trecho Sul, considerado o mais fácil, mas também estratégico para retirar o tráfego pesado da malha urbana da Região Metropolitana do Recife e melhorar a logística regional.
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O Arco Metropolitano é uma obra de infraestrutura viária planejada para reduzir o volume do tráfego de veículos no trecho da BR-101 que corta a RMR e, principalmente, transformar a logística entre os polos industriais de Pernambuco.
A nova CNH do Brasil e a uberização da formação dos condutores
O fim de 2025 foi marcado pelo anúncio de novas regras para retirada da Carteira Nacional de Habilitação (CNH), aprovadas em tempo recorde pelo Conselho Nacional de Trânsito (Contran) e que representaram as mudanças mais significativas dos últimos anos. A resolução flexibilizou etapas tradicionais, retirando a obrigatoriedade de frequentar uma autoescola e reduzindo a carga mínima de aulas práticas de 20 para apenas duas horas, além de eliminar a carga horária obrigatória de aulas teóricas — que agora pode ser feita de forma gratuita e digital por meio do aplicativo ou outras plataformas credenciadas.
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A promessa do governo federal foi uma redução em até 80% do custo total da CNH. Entre especialistas em segurança viária e educação de trânsito, a flexibilização das regras foi vista como excessiva e comparada a uma ‘uberização’ do processo de formação de condutores brasileiros.
Mortes e ausência de regras para aplicativos de motos no Brasil e no Recife
Em 2025, a Coluna Mobilidade acompanhou os graves impactos no trânsito provocados pelo crescimento desordenado dos serviços de transporte remunerado de passageiros por motocicletas, como Uber e 99 Moto, no Recife e na Região Metropolitana — um fenômeno que ocorre praticamente sem regulamentação e fiscalização. Apesar de o transporte por aplicativo com motos não ser proibido legalmente, a Prefeitura do Recife, assim como as outras da RMR, não enfrentou a criação de um marco regulatório específico para o serviço, resultado de disputas judiciais e omissões administrativas, o que fez com que as operações permanecessem sem padrões claros de segurança, formação de condutores ou controles básicos das plataformas.
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A ausência de regulamentação específica e de fiscalização efetiva foi associada por especialistas das áreas de segurança viária e saúde à maior exposição de ocupantes das motocicletas (condutores e passageiros) a riscos, levantando a necessidade urgente de normas municipais ou estaduais que garantam segurança, condições de trabalho e responsabilidade das plataformas.
Fiscalização eletrônica em segundo plano
O debate sobre o controle de velocidade ganhou força com estudos nacionais indicando que a presença de radares reduz o número de multas e aumenta a segurança. Contudo, 2025 também trouxe alertas sobre o risco de paralisação da fiscalização em rodovias federais devido à escassez de recursos do governo federal. Os radares chegaram a ser desativados, mas a situação foi revertida sob pressão judicial posteriormente.
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O setor de transporte por ônibus apresentou um cenário de contrastes em 2025 no País. Por um lado, houve o anúncio da renovação da frota de coletivos sustentáveis em várias cidades brasileiras financiada pelo Novo PAC Mobilidade. Por outro, a realidade das ruas revelou um sistema envelhecido: quase 40% da frota de ônibus do Grande Recife está operando com a vida útil vencida, índice que ultrapassa os 50% em algumas empresas permissionárias. Essa precariedade refletiu a insatisfação dos passageiros e a necessidade urgente de continuidade das reformas estruturais.
Infraestrutura cicloviária sem avanços
Apesar da alta frequência de uso da bicicleta pelos brasileiros, a infraestrutura cicloviária seguiu insuficiente. Dados de 2025 revelaram que menos de 2% da população urbana do Brasil reside em ruas com ciclovias ou ciclofaixas adequadas. E que muitos cidadãos utilizam a bicicleta regularmente, mas deixaram de pedalar ou não pedalaram mais por se sentirem desencorajados pela falta de segurança e de caminhos exclusivos.
Outro dado que mostra como a ciclomobilidade seguiu em segundo plano no Brasil foi o levantamento anual da Aliança Bike (Associação Brasileiras do Setor de Bicicletas), que revelou que as ciclovias e ciclofaixas nas capitais brasileiras cresceram apenas 5,0% no último ano, alcançando um total de 4.266,27 km até julho de 2025.