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Arco Metropolitano: Trecho Norte, o mais difícil e polêmico, tem estudos prorrogados até 2027 devido a impasse ambiental

A nova prorrogação confirma que, de fato, o trecho Norte segue sendo o segmento mais difícil porque poderá cortar a APA Aldeia-Beberibe

Por Roberta Soares Publicado em 14/11/2025 às 12:00 | Atualizado em 14/11/2025 às 12:09

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O governo de Pernambuco prorrogou até 2027 os estudos que vão definir o traçado do Lote 1 (Norte), o trecho mais polêmico e de difícil implantação do Arco Metropolitano, obra de infraestrutura viária planejada para reduzir o volume do tráfego de veículos na Região Metropolitana do Recife (RMR) e, principalmente, melhorar a logística entre os polos industriais do Estado. A nova prorrogação foi publicada no Diário Oficial do Estado de quinta-feira (13/11) e confirma que, de fato, o trecho Norte segue sendo o segmento mais difícil da obra exatamente porque o traçado do projeto poderá (ou deverá) vir a cortar a Área de Proteção Ambiental (APA) Aldeia-Beberibe.

É exatamente esse o ponto de indefinição do projeto, que já está provocando o terceiro termo aditivo que, dessa vez, estende por mais 720 dias a vigência contratual do Consórcio Metropolitano – Beck de Souza Engeplus, com novo prazo final definido para 23 de fevereiro de 2027. O contrato prorrogado prevê a elaboração de estudos preliminares em nível de anteprojeto, plano de desenvolvimento territorial, estudo de pré-viabilidade técnica e econômica e estudos ambientais para implantação do Lote 1 do Arco Viário Metropolitano da RMR.

A prorrogação é assinada pela Secretaria de Mobilidade e Infraestrutura de Pernambuco (Semobi). Nos bastidores, as informações são de que o traçado escolhido pela viabilidade econômica é o que atravessa a APA Aldeia-Beberibe, mas uma rota ‘menos impactante’ - como se está dizendo no governo. E, como a interferência na área de preservação ambiental exige um licenciamento ambiental específico, o processo virou um obstáculo.

BRUNO CAMPOS/JC IMAGEM
A prorrogação é assinada pela Secretaria de Mobilidade e Infraestrutura de Pernambuco (Semobi) - BRUNO CAMPOS/JC IMAGEM

Essas restrições ambientais impostas para a travessia da APA Aldeia-Beberibe que fizeram o Estado, mais uma vez, prorrogar os estudos. A ideia é que, agora, os estudos de viabilidade técnica e ambiental analisem soluções mais complexas de engenharia, como a construção de túneis, elevados e, também, um novo redirecionamento do traçado.

O trecho Norte do Arco Metropolitano vai conectar a BR-101 Norte à BR-408, com aproximadamente 50 quilômetros. É o trecho mais estratégico economicamente de todo o projeto porque foi estudado para conectar diretamente o Porto de Suape e o polo automotivo da Stellantis, em Goiana. Essa conexão, inclusive, foi um dos pontos que fez Pernambuco ser escolhido para a instalação do complexo automotivo.

CONTRASTE COM O TRECHO SUL DO ARCO METROPOLITANO

JAILTON JR./JC IMAGEM
O trecho Norte do Arco Metropolitano vai conectar a BR-101 Norte à BR-408, com aproximadamente 50 quilômetros - JAILTON JR./JC IMAGEM

Em contraste ao Lote 1 (Norte), o Lote 2 (Sul), que liga a BR-408 à BR-101 Sul, é considerado desimpedido de interferências ambientais e já conta com traçado consolidado. A expectativa, inclusive, é que a ordem de serviço para o início das obras seja assinada ainda em novembro, segundo afirmou a governadora Raquel Lyra em entrevista à Rádio Jornal.

O trecho Sul terá a construção financiada com recursos do Estado e do governo federal. A execução da parte estadual será financiada por R$ 700 milhões de um empréstimo de R$ 1,5 bilhão aprovado pela Alepe.

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