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Adeppe cobra melhorias para Polícia Civil de Pernambuco combater o crime organizado

Em documento entregue ao governo do Estado, Associação de Delegados apresentou diagnóstico e proposta de lei orgânica para a categoria

Por Raphael Guerra Publicado em 03/11/2025 às 14:30

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Em meio à preocupação dos brasileiros com o avanço do crime organizado no País, a presidência da Associação dos Delegados de Polícia de Pernambuco (Adeppe) entregou ao governo do Estado um documento cobrando investimentos para melhorar as investigações e combater a violência.

A proposta da Lei Orgânica da Polícia Civil de Pernambuco foi entregue a um representante da Casa Civil, no Palácio do Campo das Princesas, na área central do Recife, na semana passada. Nela, há um diagnóstico dos principais problemas enfrentados pela categoria e solicitações de um novo modelo de trabalho com mais autonomia. 

O primeiro ponto destacado é o déficit de profissionais na Polícia Civil. "A contratação atual de novos 231 agentes, 141 escrivães e 51 delegados é insuficiente, para recompor o efetivo aposentado ao longo dos últimos anos e para enfrentar o avanço das facções que se estruturam em todo o Estado", pontuou a associação. 

A formatura dos novos policiais civis está prevista para a próxima semana. Uma segunda turma de aprovados nos concursos públicos deve dar início ao curso de formação. 

Em relação à expansão das organizações criminosas, a Adeppe apontou que elas "operam com uma estrutura organizacional que imitam modelos empresariais. Observa-se a adoção de modelos de 'franquia' ou 'licenciamento' de operações criminosas, onde grupos locais se associam a facções maiores, adquirindo 'marcas', métodos e modelo de gestão em troca de lealdade e percentual dos lucros".

A Adeppe afirmou que o crescimento das organizações não se limita à Região Metropolitana, atingindo o interior do Estado com a "diversificação das atividades criminosas, que agora incluem crimes ambientais, tráfico de armas e exploração ilegal de recursos naturais". 

Uma das sugestões é a criação de um sistema de inteligência que integre informações de todas as forças de segurança (Polícia Civil, Militar, Criminalística e Sistema Penitenciário) e órgãos de controle. 

DELEGACIAS FECHADAS E HORÁRIOS REDUZIDOS

A associação criticou a decisão de fechar as delegacias de plantão do Cordeiro, Casa Amarela e Boa Vista, localizadas no Recife. Segundo a entidade, isso resulta na subnotificação dos crimes e na renúncia de ações imediatas da investigação policial - com maior risco à impunidade.

Destacou o que chamou de "centralização excessiva" das ocorrências na Central de Flagrantes da Capital no bairro de Campo Grande. "Sobrecarrega o sistema, atrasa os procedimentos e distancia a Polícia Judiciária da comunidade, comprometendo a coleta de informações e a eficácia das investigações iniciais."

A Adeppe citou ainda a redução do horário de atendimento ao público nas delegacias de bairro e de muitos municípios do Grande Recife e interior, das 8h às 17h, de segunda a sexta-feira, por falta de efetivo. 

FALTA DE AUTONOMIA ADMINISTRATIVA E ORÇAMENTÁRIA

A associação afirmou, no documento, que há ausência de autonomia administrativa e orçamentária para a Polícia Civil de Pernambuco, comprometendo a agilidade de mudanças necessárias para combater o crime e investir nas prioridades definidas por seus gestores.

A Adeppe pediu que o governo do Estado revise o modelo de gestão para garantir que a Polícia Civil possua autonomia para gerir seus recursos humanos, materiais e orçamentários. 

O QUE DIZ O GOVERNO DO ESTADO? 

Em nota, o governo do Estado destacou que vem realizando investimentos na estrutura e valorização da Polícia Civil, "reforçando o compromisso com a melhoria das condições de trabalho e com a prestação de um serviço mais eficiente à população". 

"Somente no último mês de agosto, foram autorizadas licitações para a construção das novas Delegacias de Abreu e Lima (R$ 2.013.655,57), Araçoiaba (R$ 2.896.142,90) e Moreno (R$ 1.625.021,13), somando mais de R$ 6,5 milhões em investimentos, por exemplo", disse o texto.

Sobre o déficit de efetivo, o governo afirmou que haverá a contratação de 890 novos profissionais, "reforçando os quadros da Instituição e ampliando a capacidade de investigação e resposta à sociedade". 

"Essas ações refletem o compromisso do Governo de Pernambuco com a reestruturação das forças de segurança e com o fortalecimento permanente da Polícia Civil, valorizando o trabalho dos seus servidores e assegurando melhores condições de atendimento à população pernambucana", disse.

DEBATE NA RÁDIO JORNAL NESTA TERÇA-FEIRA

Nesta terça-feira (4), o Debate da Super Manhã, da Rádio Jornal, vai abordar a Lei Orgânica da Polícia Civil. Com apresentação de Tony Araújo, o programa irá receber como convidados os delegados Diogo Victor, presidente da Adeppe, Cláudia Molina, vice-presidente da entidade. 

O debate ao vivo começa às 11h e também tem transmissão pelo site e pela página do YouTube da Rádio Jornal. 

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