'Situação gravíssima', diz secretário nacional de Segurança Pública dois dias após megaoperação no Rio
Em palestra virtual para promotores, Mário Sarrubbo afirmou que, após operação policial, é preciso devolver cidadania a quem vive em comunidades
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Dois dias após a megaoperação contra o Comando Vermelho (CV), com 121 mortos no Rio de Janeiro, o secretário nacional de Segurança Pública, Mário Sarrubbo, classificou a situação do País como "gravíssima" e reafirmou que operações policiais em territórios ocupados por facções precisam ser seguidas de ações de cidadania para garantir resultados efetivos no combate à violência.
"É indispensável olhar para o passado para entender como chegamos até aqui. A situação é gravíssima da segurança pública. E isso tem relação com os abalos políticos das últimas décadas, com a desigualdade no País. As grandes facções criminosas tiveram origem no sistema prisional de São Paulo e Rio. [Presos] entenderam que unidos iriam enriquecer e conseguir vantagens. Hoje [as facções] atuam em quase todo o Brasil, América Latina, países europeus, nos Estados Unidos", afirmou Sarrubbo.
As declarações foram feitas, na tarde desta quinta-feira (30), durante palestra remota dentro da programação do 2º Congresso de Defesa da Integridade, promovido pelo Conselho Nacional do Ministério Público (CNMP), no Recife. A reportagem do Jornal do Commercio acompanhou o evento. Inicialmente, estava prevista a vinda do gestor à capital pernambucana, mas houve um imprevisto com a companhia aérea antes do voo.
O secretário nacional de Segurança Pública destacou que as facções se fortaleceram sobretudo por conta das más gestões no campo da segurança pública. "Estados que não tinham a presença do crime organizado não se preocuparam", citou.
"A segurança pública é o maior desafio do Brasil hoje. Todos querem cuidar da segurança em primeiro lugar. (...) Mas segurança não envolve só uma polícia forte, um Ministério Público forte, mas também a consciência social. É dever de cada um de nós."
O secretário reforçou que é preciso integração para combater o crime organizado. E que isso será possível com um "olhar para o campo da integridade para os agentes públicos, para o sistema prisional e para a cidadania".
OPERAÇÕES POLICIAIS NÃO SÃO SUFICIENTES, AVALIA SECRETÁRIO
Sem citar o caso do Rio, Sarrubbo reforçou que apenas operações policiais em territórios ocupados por organizações criminosas não são suficientes para impedir o avanço da violência.
"É preciso olhar o depois dessas operações policiais, devolver a cidadania para essas pessoas das comunidades", afirmou.
Desde o ano passado, quando assumiu a pasta nacional de Segurança Pública, Mário tem destacado que está em desenvolvimento um projeto-piloto de retomada de territórios no País. Mas que isso só pode ocorrer em parcerias com estados e municípios, oferecendo serviços que evitem o retorno dos cidadãos à vulnerabilidade. A promessa era começar por uma localidade do Nordeste.
O gestor elogiou o modelo do Compaz (Centro Comunitário da Paz), equipamento público criado pela Prefeitura do Recife e que tem como foco a cidadania, com atividades educativas, esportivas, mediação de conflitos, aulas de empreendedorismo, entre outros. As unidades estão instaladas em locais considerados mais violentos.
Inspirado no Compaz, o governo federal anunciou a criação de Centros Comunitários pela Vida (Convives), conforme reforçou o secretário nacional na apresentação desta quinta-feira.