Mobilidade urbana: Desigualdade de renda e raça faz pretos e pobres gastarem mais tempo no deslocamento ao trabalho
Entre os grupos mais vulneráveis, os mais pobres e pretos são os que consistentemente gastam mais tempo de deslocamento no trajeto para o emprego
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A população mais pobre, preta e menos escolarizada no Brasil enfrenta o fardo de um tempo de deslocamento ao trabalho significativamente maior, realidade percebida na vida real faz tempo e confirmada pelos dados preliminares do Censo 2022 divulgados nesta quinta-feira (9/10), pelo IBGE (Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística). A pesquisa demonstra uma clara correlação entre indicadores socioeconômicos e o tempo gasto no transporte diário.
Entre os grupos mais vulneráveis, os mais pobres e pretos são os que consistentemente gastam mais tempo no trajeto para o emprego. Essa disparidade se estende, inclusive, ao acesso a meios de transporte individuais, que geralmente garantem tempos de viagem mais curtos. Dos 20 municípios que apresentaram os piores índices de deslocamento, 11 estão localizados no Rio de Janeiro (RJ) e 7 em São Paulo (SP).
IMPACTO DA RENDA NO TEMPO PERDIDO
A desigualdade no deslocamento é particularmente notória quando se comparam os extremos de renda. Para aqueles que vivem com renda domiciliar per capita de até meio salário mínimo (equivalente a R$ 606 em 2022), 13% dos trabalhadores levavam mais de uma hora para chegar ao emprego. Além disso, apenas 7% desse grupo conseguia chegar ao trabalho em até cinco minutos.
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Em forte contraste, entre aqueles com renda acima de cinco salários mínimos (R$ 6.060 em 2022), a situação era mais favorável: 12% chegavam ao trabalho em menos de cinco minutos e uma proporção menor, 8,8%, levava mais de uma hora no deslocamento.
DIFERENÇAS RACIAIS AUMENTAM O TEMPO DE VIAGEM
As diferenças de tempo de deslocamento se mantêm evidentes ao analisar os diferentes segmentos raciais da sociedade. A população preta é a mais afetada, registrando a maior proporção de viagens longas.
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Entre os trabalhadores pretos, 17% levavam mais de uma hora para chegar ao trabalho. Essa proporção é significativamente superior à observada entre outros grupos raciais: entre brancos e amarelos, a proporção de quem levava mais de uma hora era de 10%, enquanto entre pardos, o índice de deslocamento superior a uma hora era de 13%.
Os resultados preliminares do Censo Demográfico 2022 divulgados pelo IBGE são focados em trabalho, rendimento e deslocamento, oferecendo um panorama inicial da mobilidade da população.