5 livros de reflexão sobre a questão racial no Brasil e no mundo
Esses cinco livros, cada um a seu modo, refletem sobre as questões raciais no Brasil e no mundo. Essas obras provocam debates e educam

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Em um mundo ainda profundamente marcado por desigualdades raciais, ler autores e autoras negras é um ato de escuta, aprendizado e transformação.
A literatura tem sido, há séculos, uma das principais ferramentas de denúncia, memória e resistência para a população negra, no Brasil e fora dele.
O Social1 destacou 5 livros essenciais que ajudam a compreender a questão racial no país e no mundo. Confira:
1. Um Defeito de Cor — Ana Maria Gonçalves
Um Defeito de Cor, de Ana Maria Gonçalves, é uma obra monumental da literatura brasileira contemporânea.
Publicado em 2006, o livro narra, em primeira pessoa, a história de Kehinde, uma mulher africana que é capturada ainda criança e trazida como escravizada para o Brasil.
A narrativa atravessa o século XIX e nos conduz por diferentes momentos da história brasileira, passando por Salvador, o Recôncavo Baiano e o Rio de Janeiro, até retornar à África.
Com mais de 900 páginas, é um épico afro-brasileiro que retrata a violência da escravidão, mas também a força, a inteligência e a complexidade das mulheres negras. É um mergulho profundo em questões de identidade, pertencimento, afeto e ancestralidade.
2. Na Minha Pele — Lázaro Ramos
Em Na Minha Pele, o ator e escritor Lázaro Ramos compartilha suas vivências como homem negro no Brasil.
De forma direta e acessível, ele fala sobre racismo, autoestima, masculinidade, arte, afetividade e construção de identidade. O livro parte de experiências pessoais, mas amplia o olhar para discutir como o racismo estrutural impacta todos os aspectos da vida negra no país. Da infância à vida profissional, da escola ao amor.
Ao combinar relatos pessoais com reflexões sociais, Lázaro oferece um convite ao diálogo e à escuta, propondo uma conversa honesta sobre como é viver com a pele marcada por preconceitos, mas também por orgulho.
3. Laços de Sangue — Octavia Butler
Laços de Sangue, da escritora norte-americana Octavia Butler, é um clássico da ficção científica e do afrofuturismo, publicado originalmente em 1979.
Na história, Dana, uma mulher negra do século XX, é misteriosamente transportada no tempo para os Estados Unidos escravocratas do século XIX, onde descobre que precisa salvar a vida de um antepassado branco para garantir sua própria existência.
O romance mistura ficção especulativa com crítica social, escancarando as consequências da escravidão e a herança do racismo no presente.
Com uma narrativa intensa e perturbadora, Butler nos obriga a encarar o passado não como algo distante, mas como uma ferida aberta, ainda pulsante nas estruturas sociais e familiares de hoje.
4. Mulheres, Raça e Classe — Angela Davis
Em Mulheres, Raça e Classe, Angela Davis, uma das maiores intelectuais e ativistas do século XX, apresenta uma análise histórica das intersecções entre racismo, sexismo e luta de classes.
Lançado em 1981 e publicado no Brasil pela Boitempo, o livro mostra como as mulheres negras foram sistematicamente excluídas tanto dos movimentos feministas quanto das lutas antirracistas tradicionais.
Davis resgata figuras históricas apagadas, questiona narrativas oficiais e propõe um feminismo interseccional que leve em conta a realidade das mulheres negras, trabalhadoras e periféricas. É uma obra indispensável para quem deseja entender os alicerces da desigualdade de forma profunda e crítica.
5. Quarto de Despejo: Diário de uma Favelada — Carolina Maria de Jesus
Por fim, Quarto de Despejo: Diário de uma Favelada, de Carolina Maria de Jesus, é um dos livros mais importantes da literatura brasileira do século XX.
Lançado em 1960, reúne os registros que Carolina — catadora de papel, mulher negra, moradora da favela do Canindé, em São Paulo — escreveu em cadernos encontrados no lixo.
O diário revela, com uma linguagem crua e poética, a luta diária contra a fome, o racismo, a miséria e a exclusão. Carolina expõe o Brasil real, sem romantismo nem filtro, e nos obriga a olhar para as desigualdades estruturais que ainda persistem.
Mais do que denúncia, o livro é também um testemunho de dignidade, força e humanidade. Além disso, é uma afirmação potente do direito de existir, escrever e ser ouvida.