Menopausa pode aumentar risco de infarto e AVC, alerta médico
Especialistas alertam que a menopausa não afeta apenas o bem-estar hormonal: o sistema circulatório também pode sofrer impactos nessa fase da vida.
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A menopausa costuma ser lembrada principalmente pelos sintomas mais conhecidos, como ondas de calor, alterações de humor e mudanças no sono.
No entanto, especialistas alertam que as transformações hormonais dessa fase da vida também podem ter impacto direto na saúde cardiovascular.
Durante a transição para a menopausa, ocorre uma redução significativa na produção de estrogênio, hormônio que exerce papel importante na proteção dos vasos sanguíneos.
Com essa queda hormonal, o organismo feminino passa por mudanças que podem aumentar o risco de problemas circulatórios ao longo do tempo.
“O estrogênio funciona como um aliado da saúde vascular. Quando ele cai, o organismo feminino passa a se comportar, do ponto de vista cardiovascular, de maneira mais semelhante ao masculino”, explica o médico Dr. Caio Focássio, cirurgião vascular e membro da Sociedade Brasileira de Angiologia e Cirurgia Vascular.
Segundo o especialista, a menopausa não representa apenas o fim do ciclo reprodutivo, mas uma transição biológica que altera diferentes sistemas do organismo, incluindo o circulatório.
Queda do estrogênio pode aumentar riscos cardiovasculares
Com a diminuição do estrogênio, os vasos sanguíneos tendem a perder parte da elasticidade natural.
Esse processo pode favorecer o acúmulo de placas de gordura nas artérias, aumentando gradualmente o risco de doenças cardiovasculares.
De acordo com o médico, após a menopausa cresce a incidência de condições como hipertensão arterial, alterações no colesterol e doenças vasculares. Também há aumento no risco de trombose, doença arterial periférica, infarto e acidente vascular cerebral (AVC).
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“Muitas mulheres associam a menopausa apenas a sintomas como ondas de calor e alterações de humor, mas deixam de observar sinais circulatórios importantes, como inchaço persistente nas pernas, dor ao caminhar, sensação de peso ou cansaço vascular”, afirma.
Para o especialista, a prevenção cardiovascular precisa ganhar maior protagonismo nessa etapa da vida.
Mudanças metabólicas e estilo de vida influenciam o risco
Além das alterações hormonais, a menopausa costuma trazer mudanças metabólicas que também podem afetar a saúde vascular.
Segundo o médico, há uma tendência maior ao acúmulo de gordura abdominal, redução de massa muscular e resistência à insulina.
Esse cenário pode favorecer processos inflamatórios no organismo e contribuir para o aumento da pressão arterial e de problemas circulatórios.
“O sedentarismo e o ganho de peso funcionam como multiplicadores de risco. A menopausa não é doença, mas é um momento em que o estilo de vida passa a ter impacto ainda maior na saúde vascular”, reforça o cirurgião vascular.
Prevenção e acompanhamento médico são essenciais
Especialistas destacam que algumas medidas podem ajudar a reduzir o risco cardiovascular durante e após a menopausa.
Entre as recomendações estão:
- a prática regular de atividade física,
- o controle do peso corporal,
- o acompanhamento médico periódico para monitorar indicadores como pressão arterial e níveis de colesterol.
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“O grande segredo está em praticar atividade física regularmente, manter o controle do peso, realizar avaliações periódicas de pressão e colesterol e investigar os sintomas circulatórios sempre com acompanhamento médico individualizado”, conclui o Dr. Caio Focássio.