Dia de Combate ao Sedentarismo: entre telas e rotinas corridas, o corpo paga o preço da inatividade

Com 1 em cada 3 adultos sedentários no mundo, especialista alerta para impactos da inatividade física no risco de infarto, AVC e outras doenças

Por Cinthya Leite Publicado em 10/03/2026 às 12:55

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Em um mundo cada vez mais marcado por rotinas aceleradas e longos períodos diante de telas, o sedentarismo tornou-se um dos maiores desafios da saúde pública contemporânea. Os números ajudam a dimensionar o problema: segundo a Organização Mundial da Saúde (OMS), um em cada três adultos no mundo é sedentário.

Neste 10 de março, Dia Mundial de Combate ao Sedentarismo, o alerta ganha ainda mais relevância. A inatividade física deixou de ser apenas uma questão de estilo de vida para se consolidar como um fator de risco importante para doenças potencialmente fatais.

O impacto é direto, especialmente sobre o sistema cardiovascular. Em rede social da Sociedade Pernambucana de Cardiologia (SBC-PE), a cardiologista Cecília Cavalcanti chama atenção para a dimensão desse risco.

"O sedentarismo é um dos principais inimigos do coração. Ele pode aumentar em até 30% o risco de doenças cardiovasculares, como AVC (acidente vascular cerebral) e infarto", destacou. 

O ciclo das doenças crônicas

O problema, no entanto, não se limita ao coração. A ausência de atividade física regular atua como um gatilho para uma série de doenças crônicas que se interligam e ampliam os riscos à saúde.

De acordo com a Cecília, a inatividade física contribui para "aumentar ainda o risco de diabetes, alguns tipos de câncer e também de obesidade". 

A obesidade, por sua vez, aprofunda esse cenário de vulnerabilidade. Como explica a cardiologista, ela "por si só aumenta ainda mais o risco dessas doenças cardiovasculares que são potencialmente fatais".

O resultado é um ciclo preocupante: sedentarismo favorece o ganho de peso e o surgimento de doenças metabólicas, enquanto essas condições ampliam a probabilidade de eventos cardiovasculares graves.

Exercício: uma estratégia de prevenção

Se o problema é amplo, a principal estratégia de enfrentamento também é conhecida. A prática regular de atividade física permanece como uma das ferramentas mais eficazes para reduzir riscos e melhorar indicadores de saúde.

Os benefícios vão muito além da estética e alcançam diferentes sistemas do organismo.

"O exercício melhora o controle da glicemia, do colesterol e da pressão arterial, ajuda no controle do peso e traz benefícios importantes para a saúde mental, além de garantir maior longevidade e funcionalidade", explica a cardiologista.

Mobilização em Pernambuco: da informação à ação

Diante desse cenário, iniciativas que incentivam o movimento ganham importância. Em Pernambuco, a Sociedade Brasileira de Cardiologia (SBC-PE), em parceria com a Sociedade Brasileira de Endocrinologia e Metabologia - Regional Pernambuco (Sbem-PE), promove a 1ª Corrida Obesidade em Foco, com o objetivo de mobilizar a população para o combate à obesidade por meio da atividade física.

Mais do que um evento esportivo, a proposta é estimular mudança de comportamento e ampliar o debate público sobre prevenção.

"Vamos transformar a informação em ação", diz a cardiologista Cecília Cavalcanti.

A mensagem é direta: combater o sedentarismo exige mais do que diagnóstico. Exige movimento individual e coletivo, em favor de uma vida mais ativa e saudável.

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