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Perimenopausa ganhou espaço no debate público; saiba o que é e como identificar

Fase que antecede a menopausa passa a ser discutida com mais abertura por especialistas e celebridades, ajudando a quebrar tabus sobre mudanças

Por Bianca Tavares Publicado em 11/03/2026 às 7:59

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Durante muito tempo, mudanças no corpo feminino após os 40 anos foram tratadas como algo isolado ou até ignorado. Pele diferente, cabelos mais finos, unhas frágeis, noites mal dormidas e oscilações de humor surgiam sem explicação clara.

Hoje, cada vez mais mulheres começam a reconhecer que esses sinais podem estar ligados à perimenopausa, período que antecede a menopausa e marca uma transição hormonal importante na vida feminina.

Mesmo com a rotina profissional intensa e a vida social ativa, muitas mulheres passam a perceber alterações sutis no espelho e no próprio corpo. Cremes que antes funcionavam deixam de trazer o mesmo efeito, os fios parecem perder volume e a pele passa a apresentar textura e firmeza diferentes. Em muitos casos, essas mudanças aparecem enquanto o ciclo menstrual ainda ocorre, mesmo que de forma irregular.

No Brasil, de acordo com dados do Censo 2022 do Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística, cerca de 33 milhões de mulheres têm entre 40 e 65 anos, faixa etária em que geralmente começam as transformações hormonais relacionadas ao encerramento da fase reprodutiva. É nesse intervalo que ocorre o climatério, período amplo que engloba tanto a perimenopausa quanto a menopausa.

O que é a Perimenopausa?

Embora os termos sejam frequentemente usados como se significassem a mesma coisa, eles representam momentos diferentes. A menopausa, por exemplo, corresponde tecnicamente à última menstruação da mulher. O diagnóstico só é confirmado após 12 meses consecutivos sem menstruar de forma espontânea. Por isso, trata-se de um marco específico, e não de uma fase prolongada.

Já o climatério é o período mais amplo dessa transição, que pode começar por volta dos 40 anos e se estender até os 65, variando bastante de mulher para mulher. Dentro desse processo está a perimenopausa, etapa que costuma ocorrer alguns anos antes da menopausa propriamente dita.

A perimenopausa geralmente acontece entre dois e quatro anos antes da última menstruação. Nesse período, os ciclos menstruais começam a se tornar irregulares, a quantidade de folículos ovarianos diminui e a ovulação passa a acontecer com menos frequência. É também nesse momento que muitos dos sintomas associados à menopausa começam a aparecer.

As oscilações hormonais envolvendo estrogênio e progesterona provocam mudanças perceptíveis no organismo. Pele, cabelo e unhas estão entre as primeiras estruturas afetadas, mas o impacto também pode atingir o sono, o humor e a disposição.

Segundo a dermatologista Marina Coutinho, muitas mulheres chegam ao consultório sem associar essas alterações à fase de transição hormonal.

“A paciente chega dizendo que está cansada, que a pele mudou de repente ou que o cabelo começou a cair mais. Muitas vezes ela ainda nem pensou na menopausa, mas o corpo já está dando os primeiros sinais da perimenopausa”, afirma.

Nos últimos anos, o tema começou a ganhar visibilidade também fora dos consultórios médicos. Algumas artistas decidiram compartilhar publicamente suas experiências, ajudando a ampliar o debate e reduzir o tabu que por décadas cercou esse assunto.

Entre elas estão Angélica, Fernanda Lima, Mônica Martelli, Luana Piovani e Claudia Raia. Ao falar abertamente sobre os sintomas e desafios da fase, elas contribuem para que mais mulheres reconheçam os sinais e busquem informação.

O debate ganhou força principalmente nas redes sociais, onde relatos pessoais e conteúdos informativos passaram a circular com mais frequência. Atualmente, a ciência já identifica mais de 70 sintomas relacionados à transição hormonal que antecede a menopausa.

A apresentadora Fernanda Lima, de 48 anos, relatou que começou a sentir os efeitos da perimenopausa há cerca de três anos. Em entrevista ao Podcast da Semana, da Revista Gama, ela descreveu o impacto inicial das mudanças.

“De repente a pele muda. Você olha e vê que está cheia de prega no braço, mole; sofre de insônia, com o calor…é uma série de coisas. É difícil acreditar que estamos envelhecendo e, quando essa bomba cai na nossa cabeça, parece que é a prova concreta. Pra mim foi um susto, eu fiquei realmente chateada. Agora já consigo rir com isso, já consigo me divertir, mas sigo tentando entender o que está acontecendo”.

A experiência também levou a apresentadora a transformar o tema em um projeto de comunicação. Em 2024, ela lançou o podcast Zen Vergonha, dedicado a discutir assuntos relacionados ao universo feminino e às transformações da meia-idade.

“Surgiu a partir de um desejo de contar, perguntar, trocar e condensar o maior número de informações sobre assuntos que fazem parte do mundo contemporâneo e da vida desta mulher, de meia idade, que vos fala, e que ainda quer construir novos diálogos, romper barreiras e usar a didática como ferramenta de entendimento para ajudar a desenhar novas possibilidades e caminhos de cura e liberdade”, explicou.

Quando o espelho mostra o impacto dos hormônios

Uma das transformações mais perceptíveis da perimenopausa aparece na pele. A redução gradual do estrogênio interfere diretamente na produção de colágeno, na hidratação natural e na capacidade de regeneração celular.

“A pele fica mais fina, menos elástica e com tendência ao ressecamento. É uma mudança gradual, mas muito significativa. Mesmo antes da menopausa se instalar, já existe uma perda importante de colágeno”, explica Marina Coutinho.

Além disso, alterações na oleosidade também podem surgir. Algumas mulheres percebem a pele mais seca, enquanto outras voltam a lidar com acne mesmo após décadas sem espinhas.

“Muitas pacientes se surpreendem ao voltar a ter espinhas depois dos 40 anos. Isso acontece por causa das oscilações hormonais e exige uma abordagem totalmente diferente da adolescência”.

As manchas também tendem a se tornar mais evidentes ao longo do tempo, principalmente quando não houve uso regular de proteção solar ao longo da vida.

Cabelos mais finos e unhas frágeis

O couro cabeludo e a estrutura dos fios também respondem às mudanças hormonais. A densidade capilar pode diminuir, o crescimento se torna mais lento e os fios passam a apresentar diâmetro menor.

“O cabelo perde densidade, cresce mais devagar e o fio fica mais fino. A paciente percebe que o volume diminuiu e que o rabo de cavalo está mais estreito”, explica a dermatologista.

Nas unhas, o efeito mais comum é a fragilidade

“Elas passam a descamar, quebrar com facilidade e demoram mais para crescer. Isso também está ligado à queda hormonal”.

A rotina de skincare precisa acompanhar a nova fase

Outro sinal recorrente da perimenopausa é quando produtos que sempre fizeram parte da rotina deixam de apresentar o mesmo resultado.

“A pele muda e o tratamento precisa mudar junto. Não é que o produto deixou de ser bom, é a pele que passou a ter outras necessidades”, afirma Marina Coutinho.

Segundo a especialista, esse é um momento importante para investir em estratégias de dermatologia preventiva, com foco em estímulo de colágeno, tecnologias regenerativas e protocolos personalizados.

“Quando a paciente entende o que está acontecendo, ela deixa de se culpar e passa a cuidar de si com estratégia. Isso tem um impacto enorme na autoestima.”

Autocuidado ganha protagonismo após os 40

Diferente de gerações anteriores, muitas mulheres que atravessam a perimenopausa atualmente estão em plena atividade profissional, mantêm vida social ativa e buscam qualidade de vida.

“Elas não querem parecer mais jovens. Querem parecer bem, com vitalidade, com a pele saudável e com uma imagem compatível com a energia que têm”, observa a médica.

Para a especialista, o acesso à informação é essencial para lidar melhor com essa fase.

“A perimenopausa não é o começo do fim, é o início de uma nova fase de autocuidado, de autoconhecimento e de escolhas mais conscientes”.

8 sinais de que a perimenopausa pode ter começado

  1. Ciclo menstrual irregular
  2. Pele mais seca ou mais oleosa que o habitual
  3. Perda de viço e início da flacidez
  4. Manchas que surgem com mais facilidade
  5. Acne tardia
  6. Queda de cabelo ou fios mais finos
  7. Unhas quebradiças
  8. Mudança na resposta aos cosméticos

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