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Economia do Nordeste: debate na Rádio Jornal destaca investimentos, competitividade e desafios estruturais

Representantes do governo e ex-superintendentes da Sudene discutiram os caminhos para o desenvolvimento econômico de Pernambuco e do Nordeste

Por Maria Clara Trajano Publicado em 13/10/2025 às 17:38

A Rádio Jornal promoveu, nesta segunda-feira (13), um novo debate da série especial sobre a economia do Nordeste, reunindo nomes da política e do setor produtivo.

Participaram do programa a secretária executiva de Atração de Investimentos e Estudos Econômicos de Pernambuco, Amanda Aires; o empresário e superintendente da Sudene, Douglas Cintra; e o ex-deputado federal e ex-superintendente da Sudene, Danilo Cabral. A mediação foi conduzida pela jornalista Natália Ribeiro.

Ao longo do programa, os convidados discutiram as perspectivas de crescimento da região, o papel dos investimentos públicos e privados, os gargalos de infraestrutura e o desafio da competitividade entre os Estados nordestinos.

Nordeste como parte da solução do Brasil

Abrindo o debate, Danilo Cabral ressaltou o protagonismo da região no cenário nacional e a necessidade de fortalecer políticas de longo prazo.

“O Nordeste é parte da solução do Brasil”, afirmou. “Avançamos muito, não somos mais o Nordeste da fome e da miséria. Temos uma janela de oportunidade para aproveitar esse novo momento de retomada dos investimentos no País”.

O ex-deputado destacou, no entanto, que ainda há concentração do desenvolvimento em poucos Estados.

“O crescimento econômico está concentrado em Pernambuco, Bahia e Ceará, que respondem por cerca de 60% dos investimentos. Nosso desafio é levar esse desenvolvimento também para o interior do Nordeste”, avaliou.

Investimentos e competitividade

A secretária Amanda Aires apresentou os números mais recentes sobre investimentos em Pernambuco, ressaltando o papel do Estado na atração de novos empreendimentos.

“Estamos em um momento importante. Pernambuco desponta como polo de investimentos em matriz energética, com empresas nacionais e internacionais apostando na nossa infraestrutura. Até 2026, teremos R$ 35 bilhões em investimentos privados e R$ 26 bilhões em investimentos públicos”, informou.

Segundo ela, os recursos públicos contemplam obras em rodovias, escolas, creches e sistemas de abastecimento de água, enquanto os investimentos privados estão concentrados em energia limpa e indústria automotiva.

“Nosso objetivo é que o crescimento econômico se traduza em desenvolvimento real. Queremos que o PIB cresça, mas, sobretudo, que a vida das pessoas melhore”, reforçou.

Obras estruturantes e infraestrutura

Entre as obras prioritárias para o governo estadual, Amanda destacou a Transnordestina, o Arco Metropolitano Sul e o programa Pernambuco na Estrada, que prevê a requalificação de 1.500 km de rodovias.

“A Transnordestina é uma prioridade da governadora. As licitações já foram abertas e a expectativa é de avanço nos próximos meses. Também estamos concluindo o Arco Metropolitano Sul, com R$ 650 milhões investidos, e ampliando a duplicação da BR-232”, explicou.

A secretária ainda mencionou o investimento em cinco novas maternidades e em infraestrutura hídrica voltada ao Agreste e Sertão.

“São obras que pensam o desenvolvimento de forma ampla, com impacto econômico, mas também social, garantindo qualidade de vida para a população”, completou.

Planejamento e o papel da iniciativa privada

O superintendente da Sudene, Douglas Cintra, defendeu que o desenvolvimento do Nordeste depende de planejamento integrado e de uma parceria sólida entre o poder público e a iniciativa privada.

“Não há desenvolvimento isolado. É preciso unir lideranças políticas, empresariais e sociais para pensar o Nordeste como um todo”, afirmou.

Segundo Cintra, o setor privado precisa de previsibilidade para investir.

“A iniciativa privada só coloca dinheiro onde há planejamento e infraestrutura. Sem isso, a gente perde oportunidades. Um bom planejamento público é a ponte que permite o investimento privado”, disse.

Ele também chamou atenção para o desperdício de potencial energético na região.

“Temos sol e vento em abundância, mas falta infraestrutura de transmissão. Estamos produzindo energia limpa que, muitas vezes, não conseguimos escoar. É como se estivéssemos jogando energia fora”, criticou.

Reforma tributária e competitividade

Os debatedores também trataram dos impactos da reforma tributária na economia nordestina. Para Danilo Cabral, a mudança exigirá melhor formação de mão de obra, inovação e logística eficiente, sob pena de acentuar desigualdades regionais.

“Enquanto não tivermos igualdade de condições, os incentivos fiscais ainda são necessários. Mas o foco precisa ser a criação de um ambiente competitivo sustentável, com infraestrutura e educação de qualidade”, afirmou.

Pernambuco e o dever de liderar

Encerrando o programa, Danilo Cabral reforçou o papel histórico de Pernambuco como referência de liderança e protagonismo regional.

“Esse é um Estado que nasceu para liderar, não para ser liderado. Temos o dever histórico de recuperar esse protagonismo. O desenvolvimento é uma tarefa coletiva: do governo, das empresas, das universidades e da sociedade”, declarou.

Douglas Cintra concluiu reforçando a importância da educação econômica e política da população.

“A economia faz parte da vida das pessoas. Quanto mais a população compreender isso, melhor vai cobrar e participar das decisões que moldam o futuro da nossa região”, encerrou.

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