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João Campos trata CPI do concurso público como 'superada' e reforça boa relação com PT: 'construção muito positiva'

Declaração foi dada após vereador do PT assinar CPI na Câmara do Recife; prefeito afirma que se reunirá com Edinho Silva, presidente do partido

Por Rodrigo Fernandes Publicado em 03/03/2026 às 12:28 | Atualizado em 03/03/2026 às 22:34

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O prefeito do Recife, João Campos (PSB), afirmou que o pedido de instalação de uma Comissão Parlamentar de Inquérito (CPI) na Câmara Municipal para investigar uma alteração no resultado de um concurso público da prefeitura já foi resolvido administrativamente. O pedido de investigação foi arquivado nesta terça-feira (3) pelo presidente da Casa, Romerinho Jatobá (PSB).

"Esse assunto já foi absolutamente superado [...] Tanto é que o próprio requerente hoje trabalha na prefeitura, já tomou posse, já faz serviço como procurador do município", disse João nesta terça-feira (3) durante o lançamento de um programa de requalificação do centro da cidade, acrescentando que existe a tentativa de se transformar o caso em palanque eleitoral.

A CPI teria como alvo um processo administrativo que beneficiou um candidato aprovado em concurso público de 2022 para procurador do município em detrimento de outro candidato dentro das vagas destinadas a pessoas com deficiência. O caso ganhou repercussão no final de 2024.

"O que se tenta fazer é um espetáculo político. As medidas técnicas foram tomadas, inclusive a Câmara já se posicionou de forma técnica, encaminhando para o arquivamento, para não fazer com que seja um palco de espetáculo político, tendo em vista que é um ano eleitoral e tem muita gente que deseja aparecer", declarou Campos.

Na mesma entrevista, o prefeito do Recife afirmou que sua relação com o Partido dos Trabalhadores (PT) segue sem abalos. A declaração foi dada em meio à polêmica gerada pela assinatura do então vereador Osmar Ricardo, presidente do diretório municipal do PT no Recife, ao requerimento de CPI.

"Tudo absolutamente resolvido. A relação com o PT é a melhor possível. Inclusive, estive hoje conversando com o presidente Edinho [Silva] e amanhã vou estar com ele lá em Brasília também. A gente está fechando alianças em mais de 15 estados do Brasil", disse o prefeito.

João Campos citou como exemplo o movimento de novos aliados da aliança PT-PSB. "Hoje mesmo eu estava tratando de uma nova candidatura a governo do estado que vai vir pelo PSB, a pedido do presidente Lula, para fazer palanque para ele em um estado do Norte do país", revelou.

O prefeito adiantou ainda que a reunião com o presidente nacional do PT, Edinho Silva, em Brasília tratará do alinhamento entre os partidos nos próximos 30 dias, período que ele classificou como "muito aquecido" em razão das filiações partidárias.

"É uma série de ações que a gente já fez desenhar nesses próximos 30 dias para poder consolidar principalmente os palanques do presidente Lula no Brasil", concluiu.

Edinho cancelou vinda a Pernambuco

A declaração de João sobre a relação com o PT acontece logo após Edinho Silva cancelar uma visita que estava programada para o Recife na próxima quinta-feira (5). O encontro seria uma plenária sobre a conjuntura política para as eleições de 2026 e havia sido marcado para as 19h, na sede do Sindicato dos Servidores Públicos Federais no Estado de Pernambuco (Sindsep), no bairro da Boa Vista.

A justificativa oficial do partido é de que Edinho Silva precisou atender a uma agenda do presidente Lula. O PT informou que uma nova data será marcada para que o presidente nacional da legenda venha a Pernambuco.

O cancelamento ocorreu um dia após a assinatura de Osmar Ricardo à CPI contra João Campos. A fala do prefeito, portanto, surge como um reforço de que a ausência de Edinho não deve ser interpretada como distanciamento do cenário pernambucano, apesar de alguns interlocutores do PT terem lido o recuo como um movimento calculado em meio à indefinição do partido sobre os apoios para eleição de outubro.

O encontro com João Campos já confirmado para Brasília, na quarta-feira (4), seria um indicativo de que as tratativas seguem em curso, e de que o canal entre os dois partidos permanece aberto, independentemente dos ruídos locais provocados pela assinatura de Osmar Ricardo.

'Assinatura não atrapalha articulações'

O presidente estadual do PT em Pernambuco, deputado federal Carlos Veras, minimizou a assinatura de Osmar Ricardo nesta terça-feira, afirmando que tem evitado se pronunciar publicamente sobre o assunto porque pretende conversar pessoalmente com o vereador ainda nesta semana.

"Eu vou chegar na quinta-feira e vou conversar pessoalmente com o vereador Osmar Ricardo. Ele me ligou após ter tomado essa decisão, após ter assinado. Essa foi uma decisão individual dele, uma decisão pessoal. Eu vou conversar com ele para entender os motivos que levaram ele a tomar essa decisão. Não é uma decisão que foi debatida, que foi decidida pela instância municipal, muito menos pela instância estadual", disse Veras em entrevista ao programa Passando a Limpo, da Rádio Jornal.

Ouça a entrevista na íntegra

O parlamentar garantiu que o episódio não compromete as tratativas em curso entre PT e PSB para a construção dos palanques nacionais em apoio à reeleição de Lula.

"A nossa relação nas costuras junto com o PSB para construir os palanques nacionais, para garantir nos estados palanque forte, inclusive para a reeleição do presidente Lula, ela continua normalmente, porque essa decisão local e pessoal do vereador não implica e não atrapalha nada em todo o processo que nós estamos tratando", afirmou.

O deputado deixou claro que não haverá imposições externas ao que foi construído pela direção estadual. "Não terá nenhuma intervenção, não terá nenhuma imposição. A decisão que está amadurecendo e que nós estamos construindo na direção estadual do partido será a decisão que será tomada pela direção nacional e pelo presidente Lula. Nós marcharemos juntos", afirmou Veras.

Questionado sobre a possibilidade de Lula fazer dois palanques em Pernambuco, com João Campos e com a governadora Raquel Lyra (PSD), e até de o presidente não vir ao estado no primeiro turno, Carlos Veras foi direto ao admitir o risco.

"Isso é o que pode acontecer, dependendo dos palanques formados em Pernambuco, e seria muito ruim para a gente, principalmente pra gente do PT. A presença de Lula é muito importante aqui no estado", disse. O deputado, porém, descartou a possibilidade de Lula subir em dois palanques no mesmo dia, como ocorreu em eleições passadas com outros candidatos.

"A conjuntura é totalmente diferente. Não tem ambiente político para que isso possa acontecer", avaliou.

Por fim, o deputado cravou que estar ao lado de Lula é uma vantagem política que nenhum candidato deveria desperdiçar.  "Quem quer governar Pernambuco sabe que é melhor governar ao lado do presidente Lula, porque tem apoio, independente de estar na coligação formal com a Federação Brasil da Esperança aqui em Pernambuco", concluiu Veras.

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