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Eduardo Moura não descarta candidatura ao governo de PE e aguarda decisão do partido

Vereador do Novo diz estar "à disposição" para 2026, mas afirma que a decisão depende da sigla e da vontade popular

Por Ryann Albuquerque Publicado em 14/11/2025 às 12:43

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Em entrevista ao Cena Política, do JC Play, nesta sexta-feira (14), o vereador Eduardo Moura (Novo) admitiu que pode disputar o Governo de Pernambuco em 2026, caso o partido assim decida.

“Em 2026, eu vou ser candidato. Aí fica aquele 'auê'… O partido decide”, afirmou, ressaltando que sua escolha seguirá três critérios: “Primeiro, Deus. Segundo, as pessoas, e terceiro, o partido.”

Moura destacou ainda o apelo popular: “A gente recebe em média quatro mil mensagens por dia.”

O debate sobre 2026 já está em curso porque os dois nomes hoje colocados no imaginário eleitoral – a governadora Raquel Lyra (PSD) e o prefeito do Recife, João Campos (PSB), – ocupam posições centrais na disputa.

Raquel é apontada como pré-candidata natural à reeleição, enquanto João, embora ainda não tenha oficializado a intenção de concorrer, já intensificou agendas no interior e movimentos estratégicos que reforçam sua presença estadual.

Nesse contexto, Moura avaliou as gestões de ambos durante a entrevista, comentando pontos positivos e negativos dos dois potenciais adversários.

Vida pública, interior do estado e terceira via 

Moura buscou ressaltar sua vida pregressa como contraponto a críticas e disse estar pronto para ser escrutinado. “Eu acho que eu seria uma vidraça blindada. Eu não tenho passado político, eu não tenho passado que me condene.”

Ao falar do interior de Pernambuco, trouxe memórias de infância para afirmar que conhece “uma boa parte de Pernambuco”: “eu conheço sim uma boa parte de Pernambuco e teria o maior prazer de conhecer melhor.”

Sobre prioridades caso venha a disputar e vencer o governo, Moura foi enfático a respeito da pauta social e da pobreza extrema: “O meu foco seriam as pessoas mais pobres desse estado… As pessoas têm o direito de pelo menos ter uma água na torneira.”

Ele também destacou a procura por alternativas ao embate entre Raquel e João.

“Essa terceira via é muito pedida por muita gente que diz assim: 'não quero votar em João, mas também não quero votar em Raquel'.”

Confira a entrevista completa: 

Avaliação das gestões de João Campos e Raquel Lyra

Ao comentar o cenário eleitoral, Moura avaliou também as administrações dos dois nomes hoje considerados centrais na disputa de 2026.

Sobre o prefeito do Recife, João Campos (PSB), o vereador descreveu uma relação marcada por conflitos e críticas ao modo como a gestão conduz a comunicação institucional. “A gestão não é transparente. A gestão tem um caráter punitivo, isso eu posso afirmar”, disse.

Ele relatou episódios em que, segundo ele, houve tentativa de limitar a atuação de comunicadores: “A gente sofreu, não só uma perseguição, mas uma censura da gestão municipal.”

Em relação à governadora Raquel Lyra (PSD), Moura apresentou uma avaliação mais ambígua, mesclando elogios e críticas. “Eu acho que Raquel tem um pecado, que é a soberba… Ela foi para o modo ‘espada justiceira’.”

Ao mesmo tempo, destacou qualidades da gestora, classificando-a como “um produto fantástico” e apontando fragilidades na comunicação oficial: “A comunicação do governo era pífia.”

Sobre alianças e posicionamento do Novo, o vereador afirmou acreditar que a sigla tende a convergir com a governadora na disputa de 2026, caso não lance candidatura própria. “Tenho 90% de afirmação para fazer e o Novo estaria com Raquel.”

Artur Borba/ JC Imagem
Eduardo Moura, vereador do Recife, em entrevista ao Cena Política, do JC Play. - Artur Borba/ JC Imagem

Clima na Câmara do Recife

Moura também comentou o ambiente político na Câmara do Recife. Apesar das tensões típicas do plenário, o vereador disse que mantém diálogo com os colegas e rejeitou a ideia de hostilidade permanente entre situação e oposição.

Segundo ele, “na Câmara não existe nenhum problema do jogador de situação”, reforçando que disputas devem ocorrer dentro da normalidade política.

Ao falar sobre erros e conflitos, o vereador defendeu a autocorreção como prática necessária. “Todo mundo tem o direito de errar… O importante é reconhecer o erro. Já pedi desculpa na tribuna quando falei algo que doeu.”

Mesmo descrevendo a si próprio como alguém duro na atuação parlamentar – “o cara brabo que pula muro”, em suas palavras – Moura afirmou que sua postura não impede a construção de consensos e acordos: “Somos uma equipe, com o mesmo objetivo de melhorar o Recife.”

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