Cena Política: Renato Antunes acusa João Campos de influenciar Alepe e critica briga interna no PL
Em entrevista ao videocast do JC Play, deputado afirmou que Assembleia não tem harmonia e que oposição atrapalha desenvolvimento de Pernambuco
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O deputado estadual Renato Antunes (PL) acusou o prefeito do Recife, João Campos (PSB), de influenciar diretamente as movimentações na Assembleia Legislativa de Pernambuco (Alepe), defendeu o governo Raquel Lyra (PSDB) e criticou a antecipação do debate eleitoral de 2026. As declarações foram dadas nesta sexta-feira (5) em entrevista ao videocast Cena Política, do JC Play. (Assista acima).
O parlamentar afirmou que Pernambuco vive um cenário de independência entre os poderes Executivo e Legislativo, mas sem harmonia, o que estaria travando obras e investimentos estratégicos no Estado.
Ele citou como exemplo a demora na aprovação do empréstimo de R$ 1,5 bilhão solicitado pela governadora. “Estamos com quase 200 dias de um empréstimo travado. Parece que a Assembleia está travando Pernambuco, nunca vi isso”, afirmou.
Renato Antunes reafirmou sua posição de apoio ao governo estadual, embora declare manter independência, mencionando que deu voto contrário à pauta do ICMS proposta pelo governo Raquel.
"Eu sou entusiasta do governo Raquel Lyra, mas não perco minha capacidade de apontar aquilo que está errado. Sou liberal, como vou aprovar mais imposto? Mas se a eleição fosse hoje entre Raquel e João, não tenho dúvida, votaria em Raquel Lyra e trabalharia pela continuidade do seu governo”, disse.
Ele também avaliou que Raquel Lyra demorou a articular com os parlamentares no início do mandato, o que teria prejudicado a articulação governista no Legislativo, mas tem mostrado evolução.
“Essa comunicação poderia ter sido melhor. Hoje esse túnel está obstruído. Mas esse distensionamento tem que partir do presidente Álvaro Porto, para que a gente possa tratar da eleição na hora da eleição. Esse túnel está obstruído com arenga, mas não podemos permitir que a arenga trave o desenvolvimento de Pernambuco”, disse.
CPI da Publicidade
Sobre a CPI da Publicidade, instaurada na Alepe, Antunes criticou a falta de clareza no objeto de investigação. “Essa CPI já nasceu morta porque não tem fato determinado. Foi um estardalhaço político”, avaliou, acrescentando que defendeu a investigação sobre contratos de gestões anteriores
“Meu primeiro requerimento foi para investigar os últimos oito anos de Paulo Câmara e acho que a oposição ficou nervosa. No outro dia apareceram as filiações fantasmas, vimos o que é um circo. A oposição está usando isso para camuflar e atrapalhar”, completou.
João Campos e a Alepe
O parlamentar acusou o prefeito do Recife, João Campos (PSB), de exercer influência direta sobre a Assembleia. “É fato que hoje João Campos influencia a Alepe. Ele está sendo um engenheiro político para induzir a Casa a um grande erro, que é antecipar um debate desnecessário para o momento”, declarou.
Renato Antunes citou as mudanças recentes de deputados de partidos ligados ao PSB para outras legendas como exemplo de articulação. “Eles não estão descumprindo regras, mas usando artifícios para travar pautas importantes para Pernambuco”, disse.
PL em Pernambuco
Ao comentar os rumos do Partido Liberal em Pernambuco, Renato Antunes afirmou que a legenda precisa reencontrar seu foco e superar disputas internas que, segundo ele, têm se concentrado mais nos nomes de Anderson Ferreira e Gilson Machado do que em projetos.
Para o deputado, embora haja divergências entre as principais lideranças, é fundamental que a sigla volte a apresentar propostas concretas para o Estado. "Anderson hoje é o líder do partido, está no partido desde 2010, Gilson é quadro importante, mas o que Gilson e Anderson pensam para Pernambuco? Essa briga para mim é sem sentido”, completou.
Renato Antunes também avaliou que o PL terá que se posicionar diante da polarização entre João Campos e Raquel Lyra. Segundo ele, não há espaço para candidatura própria ao Governo de Pernambuco, mas há viabilidade para outras disputas estratégicas.
“O partido deve apresentar uma chapa competitiva para deputado estadual e federal. Sobre o governo, eu já falei que vou ajudar Raquel, e se em algum momento o partido pensar em ajudar João — o que acho que nunca acontecerá —, eu estou fora. Mas tem a candidatura ao Senado, onde a gente tem um espaço, e hoje o nome seria Anderson Ferreira”, afirmou.
Reeleição e futuro político
Renato Antunes também afirmou que pretende tentar a reeleição à Alepe em 2026, mas revelou que tem como objetivo de longo prazo disputar a Prefeitura do Recife.
"Quando eu me elegi deputado, me coloquei à disposição para disputar a prefeitura do Recife. Conheço e sou apaixonado pela cidade. Tenho um sonho de disputar eleição para a prefeitura. Ganhando ou perdendo, queria ter a oportunidade de discutir o Recife”, disse ele, afirmando que permanecer na Alepe lhe permite manter a proximidade local. “Acho que Brasília afasta muito a gente das nossas bases”, avaliou.
Ele ainda apontou que o PSB, que projetava eleger 20 deputados, estaria perdendo força, enquanto a governadora Raquel Lyra cresceria lentamente na avaliação popular. Já João Campos, em sua visão, estaria em movimento inverso.
Anistia e Bolsonaro
Renato Antunes afirmou que a forma como os atos de 8 de janeiro vêm sendo tratados pela Justiça gera distorções e exageros. Segundo ele, não há dúvidas de que houve depredação do patrimônio público e que aqueles que participaram do quebra-quebra precisam ser responsabilizados dentro dos limites da lei.
"Dizer que uma senhora com um batom na mão foi participar de um golpe é forçar um pouco". afirmou. Para ele, a discussão sobre anistia deve ser entendida como um caminho de pacificação, já que o país continua dividido.
Na sua avaliação, a anistia só fará sentido se for ampla e não seletiva, alcançando também o ex-presidente Jair Bolsonaro, atualmente inelegível. Antunes argumenta que não há problema em conceder esse benefício a Bolsonaro, desde que o objetivo seja reduzir tensões políticas e restabelecer um ambiente de convivência democrática.
Ele ressalta, entretanto, que sua principal crítica está na forma como os processos judiciais relacionados ao caso estão sendo conduzidos. O deputado disse considerar nocivo que um único magistrado concentre as funções de acusar, investigar e julgar, o que, em sua visão, elimina qualquer aparência de neutralidade. “Não vejo imparcialidade. Para mim, todo o processo está contaminado”, concluiu.