PM suspeito de estuprar mulher em batalhão no Grande Recife é afastado das atividades
Secretário de Defesa Social, Alessandro Carvalho, declarou que equipe que estava com militar também foi identificada. Todos estão sob investigação
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O policial militar suspeito de estuprar uma mulher de 48 anos após abordá-la numa falsa blitz foi afastado das atividades. A confirmação foi dada pelo secretário de Defesa Social, Alessandro Carvalho, nesta terça-feira (14).
A vítima relatou ter sido levada pelo militar até o posto do Batalhão de Polícia Rodoviária (BPRv) na PE-60, no Cabo de Santo Agostinho, Grande Recife, onde o crime foi praticado. O caso aconteceu na noite da última sexta-feira (10).
"É um fato inadmissível o que foi narrado, o que foi registrado. Uma violência praticada por um servidor do Estado numa repartição. Mas quero dizer que isso foi uma exceção. As polícias de Pernambuco são formadas por pessoas qualificadas, não é esse o procedimento. Todas as providências estão sendo tomadas. Ele já foi afastado junto com a equipe dele que estava na ocorrência das ruas. Estamos dando prioridade ao caso, do ponto de vista pericial e dos depoimentos", declarou Carvalho.
"MOMENTO DE TERROR"
Em relato à TV Jornal, a vítima, que não será identificada, afirmou que seguia em direção à Praia de Gaibu, uma das mais procuradas do Litoral Sul do Estado, quando foi parada pelo policial militar. Ela estava com as filhas, que não saíram do carro.
"Ele pediu para eu descer do carro. Ficamos na parte externa, havia outros dois policiais. Depois começou a fazer perguntas, como nome e profissão. Ele comunicou aos outros dois que eu ia beber água, mas em momento algum solicitei água. Foi quando ele me levou ao quarto, apagou a luz e começaram os abusos", contou a vítima.
"Sai de cabeça baixa, voltei para o carro e fiz o roteiro que ia fazer. Vários medos foram desencadeados ali no quarto. Eu estava com outras pessoas no carro, pensei que elas também seriam abusadas. pensei que ele podia chamar o colega dele para abusar também. Foi um momento de terror. Espero que ele seja punido para que não cometa mais crimes e que as vítimas não se calem", disse.
Um boletim de ocorrência foi registrado na 14ª Delegacia da Mulher do Cabo de Santo Agostinho, responsável pela investigação.
O QUE DIZ A POLÍCIA MILITAR?
Em nota oficial, a Polícia Militar de Pernambuco afirmou que tem o "compromisso com a legalidade, a transparência e a rigorosa apuração de quaisquer desvios de conduta e reforça que não compactua com comportamentos que contrariem os valores éticos e disciplinares da Corporação".
A Corporação declarou que o Comando Geral determinou "a imediata instauração de um Inquérito Policial Militar (IPM) para assegurar uma apuração justa, transparente e completa".
A Polícia Militar não quis informar se há câmeras no posto policial onde houve o estupro.
A Corregedoria Geral da Secretaria de Defesa Social (SDS) também declarou que instaurou Investigação Preliminar (IP) para apurar a conduta sob o ponto de vista ético-disciplinar, de forma paralela à investigação criminal conduzida pela Polícia Civil.
REUNIÃO NA SECRETARIA DA MULHER
A advogada criminalista Maria Júlia Leonel, que representa a vítima, afirmou que vai oficializar a polícia para que informe os nomes dos policiais militares que estavam de plantão no dia em que o estupro ocorreu. Nessa segunda-feira (13), a advogada e a vítima também estiveram na Secretaria Estadual da Mulher.
"A gente entende que é uma violência institucionalizada. Um policial fardado que estuprou mulher dentro de um posto policial. O Estado precisa tomar uma medida. Como um agente público se sente confortável a esse ponto? Na medida em que ele fala aos outros policiais que ela ia beber água, sem que a vitima tenha pedido, isso é lido como um código possivelmente, ou seja, houve conivência. Esse crime não vai ficar impune", declarou.
Em nota, a Secretaria Estadual da Mulher informou que está acompanhando o caso e que a gestora da pasta, Juliana Gouveia, ligou para a Corregedoria da Polícia Militar e falou com a vítima, reforçando que "todos os encaminhamentos necessários foram tomados".
A secretária-executiva de Políticas Públicas para as Mulheres, Walkíria Alves, também entrou em contato com a secretaria da Mulher do município onde a vítima reside e "solicitou que ela passasse a acompanhar o caso com atenção especial".