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'Momento de terror', diz mulher estuprada por PM em batalhão após falsa blitz

Vítima foi abordada e levada para alojamento da unidade policial que fica na PE-60, no Cabo de Santo Agostinho. Autor do crime não foi identificado

Por Raphael Guerra Publicado em 14/10/2025 às 10:58 | Atualizado em 14/10/2025 às 11:57

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Uma mulher de 48 anos foi vítima de estupro praticado por um policial militar num posto do Batalhão de Polícia Rodoviária (BPRv) na PE-60, no Cabo de Santo Agostinho, Grande Recife. Apesar da gravidade do crime, o autor ainda não foi identificado, segundo nota oficial da Polícia Militar de Pernambuco. 

O estupro aconteceu na noite da sexta-feira (10). Em relato à TV Jornal, a vítima, que não será identificada, afirmou que seguia para em direção à Praia de Gaibu, uma das mais procuradas do Litoral Sul do Estado, quando foi parada numa suposta blitz de rotina pelo policial militar. Havia outras pessoas no veículo.

"Ele pediu para eu descer do carro. Ficamos na parte externa, havia outros dois policiais. Depois começou a fazer perguntas, como nome e profissão. Ele comunicou aos outros dois que eu ia beber água, mas em momento algum solicitei água. Foi quando ele me levou ao quarto, apagou a luz e começaram os abusos", contou a vítima.

"Sai de cabeça baixa, voltei para o carro e fiz o roteiro que ia fazer. Vários medos foram desencadeados ali no quarto. Eu estava com outras pessoas no carro, pensei que elas também seriam abusadas. pensei que ele podia chamar o colega dele para abusar também. Foi um momento de terror. Espero que não tenha outras vítimas, mas, pelo modus operandi, ele estava bem tranquilo, acredito que há. Espero que ele seja punido para que não cometa mais crimes e que as vítimas não se calem", completou. 

Um boletim de ocorrência foi registrado na 14ª Delegacia da Mulher do Cabo de Santo Agostinho, responsável pela investigação. 

 

O QUE DIZ A POLÍCIA MILITAR?

Em nota oficial, a Polícia Militar de Pernambuco afirmou que tem o "compromisso com a legalidade, a transparência e a rigorosa apuração de quaisquer desvios de conduta e reforça que não compactua com comportamentos que contrariem os valores éticos e disciplinares da Corporação".

A Corporação declarou que o Comando Geral determinou "a imediata instauração de um Inquérito Policial Militar (IPM) para assegurar uma apuração justa, transparente e completa. Assim que os policiais envolvidos forem identificados, eles serão afastados de suas funções operacionais enquanto as investigações estiverem em andamento".

Por fim, a Polícia Militar disse que "lamenta o fato e reitera que todas as providências necessárias serão adotadas para garantir a justiça, preservar a disciplina e fortalecer os valores éticos que norteiam a instituição".

A Corregedoria Geral da Secretaria de Defesa Social (SDS) também declarou que instaurou Investigação Preliminar (IP) para apurar a conduta sob o ponto de vista ético-disciplinar, de forma paralela à investigação criminal conduzida pela Polícia Civil. 

REUNIÃO NA SECRETARIA DA MULHER

A advogada criminalista Maria Júlia Leonel, que representa a vítima, afirmou que vai oficializar a polícia para que informe os nomes dos policiais militares que estavam de plantão no dia em que o estupro ocorreu. Nessa segunda-feira, a advogada e a vítima também estiveram na Secretaria Estadual da Mulher.

"A gente entende que é uma violência institucionalizada. Um policial fardado que estuprou mulher dentro de um posto policial. O Estado precisa tomar uma medida. Como um agente público se sente confortável a esse ponto? Na medida em que ele fala aos outros policiais que ela ia beber água, sem que a vitima tenha pedido, isso é lido como um código possivelmente, ou seja, houve conivência. Esse crime não vai ficar impune", declarou.

Em nota, a Secretaria Estadual da Mulher informou que está acompanhando o caso e que a gestora da pasta, Juliana Gouveia, ligou para a Corregedoria da Polícia Militar e falou com a vítima, reforçando que "todos os encaminhamentos necessários foram tomados".

A secretária-executiva de Políticas Públicas para as Mulheres, Walkíria Alves, também entrou em contato com a secretaria da Mulher do município onde a vítima reside e "solicitou que ela passasse a acompanhar o caso com atenção especial".

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