Operação do Bope termina com um morto e duas pessoas feridas em comunidade de Olinda
Ação ocorreu na comunidade de Marezão, em Peixinhos, nesta sexta-feira (3). PM fala em confronto, mas moradores dizem que vítimas não reagiram
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Uma operação envolvendo policiais militares do Batalhão de Operações Especiais (Bope) chegou ao fim com um homem morto e outras duas pessoas feridas na comunidade de Marezão, no bairro de Peixinhos, em Olinda, na manhã desta sexta-feira (3).
Enquanto policiais militares afirmam que houve confronto - e que inclusive um suspeito foi preso com drogas -, moradores da localidade garantem que não houve reação por parte das pessoas baleadas.
"Chegaram [PMs] tudo errado, atirando. Meu filho ia para a escola, quase que um tiro batia nele. Atiraram em dois, saíram arrastando feito cachorros. Não podem fazer isso", relatou uma moradora da comunidade.
O homem morto, ainda não identificado, foi levado enrolado em um lençol pelos policiais do Bope para o Hospital da Restauração, no bairro do Derby, área central do Recife.
No prontuário, obtido pela TV Jornal, há a informação de que ele chegou sem vida. Informação que precisa ser investigada pela Polícia Civil e Ministério Público de Pernambuco (MPPE) para confirmar se houve ou não alteração na cena onde os tiros foram disparados.
O caso está sob apuração do Departamento de Homicídios e Proteção à Pessoa (DHPP). Equipes realizaram perícia no local, no começo da tarde.
POLÍCIA MILITAR NÃO ESCLARECE OPERAÇÃO
Apesar do insistente pedido da coluna, a Polícia Militar de Pernambuco não quis indicar um porta-voz para explicar a ação policial na comunidade Marezão.
Em uma breve nota, disse apenas que a operação era de combate ao tráfico de drogas.
"No local, houve confronto com a polícia, um dos suspeitos ficou ferido, foi socorrido para uma unidade hospitalar e veio a óbito. Uma arma de fogo foi apreendida e encaminhada ao DHPP, juntamente com um segundo suspeito de envolvimento com o tráfico", alegou.
CORREGEDORIA DA SDS ACOMPANHARÁ O CASO
A Corregedoria Geral da Secretaria de Defesa Social (SDS) declarou, também em nota oficial, que vai instaurar uma Investigação Preliminar (IP), acompanhar o inquérito e verificar a repercussão administrativa dos fatos.
"O órgão correcional esclarece que esse procedimento segue o protocolo estabelecido e atende recomendação do Ministério Público, segundo a qual todos os casos de intervenção policial da qual ocorra lesão ou morte geram a abertura de inquérito policial e investigação preliminar na Corregedoria", disse.
MORTES EM AÇÕES POLICIAIS CRESCERAM
De acordo com estatísticas da SDS, 55 pessoas foram mortas em ações policiais entre janeiro e agosto deste ano. No mesmo período de 2024, foram 37. Isso significa que houve um aumento de 48,6% nos casos.
Ao menos tempo em que houve aumento das mortes nessas ações, a Polícia Militar de Pernambuco permanece com apenas um batalhão usando câmeras corporais - obsoletas e sem transmissão das imagens em tempo real.
A gestão estadual, sem querer gastar recursos próprios, aguarda doação do Ministério da Justiça e Segurança Pública.