Ficção científica? Não: a IA tem mudado o consultório médico

No Afya Summit, cardiologista deu destaque a estudos e casos reais que mostram como parceria entre médico e algoritmo supera os dois atuando sozinhos

Por Cinthya Leite Publicado em 23/08/2025 às 15:55 | Atualizado em 23/08/2025 às 16:14

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SÃO PAULO - O que parecia roteiro de um filme de ficção científica (celulares que detectam doenças, algoritmos que calculam riscos em segundos e cirurgiões que enxergam através do corpo humano) já faz parte da rotina médica. Essa foi a mensagem central do cardiologista Eduardo Lapa, diretor do Afya Educação Médica, durante palestra que ministrou, neste sábado (23), no Afya Summit, no Auditório Ibirapuera, em São Paulo. 

Ele abriu a aula com uma reflexão instigante: a inteligência artificial (IA) já deixou de ser ficção científica para se tornar parte da rotina médica. Segundo Eduardo Lapa, dispositivos inteligentes já são capazes de identificar alterações em parâmetros vitais e auxiliar no diagnóstico precoce de doenças que afetam milhares de pessoas em todo o mundo.

"Esse é um ponto de virada: o paciente não chega mais apenas com sintomas, mas muitas vezes com dados objetivos coletados por aparelhos. O papel do médico passa a ser interpretar e contextualizar", afirmou o cardiologista, fundador do Afya Cardiopapers.

Mudança de paradigma 

Tradicionalmente, o diagnóstico médico começa com a queixa do paciente, seguida pela formulação de hipóteses, solicitação de exames e confirmação do quadro de saúde. No entanto, Eduardo Lapa ressaltou que, com a popularização da IA, esse modelo começa a ser redesenhado.

Ferramentas digitais já permitem triagens mais rápidas e precisas, como no caso de pessoas com diabetes. Durante a palestra, Eduardo Lapa exemplificou que, em vez de encaminhar todos para um oftalmologista, dispositivos inteligentes selecionam apenas os pacientes com diabetes que apresentam alterações suspeitas na retina e, assim, otimizam-se recursos do sistema de saúde.

FÁBIO H. MENDES/E6 IMAGENS
Para Eduardo Lapa, a medicina do futuro deve unir dois pilares: uma base sólida e ética, centrada no cuidado humano, e o uso crítico e responsável da inteligência artificial - FÁBIO H. MENDES/E6 IMAGENS

Médico + máquina: a combinação mais forte

A aula de Eduardo Lapa ainda destacou que a associação entre inteligência humana e artificial pode reduzir erros em até 85%. Com isso, ele nos leva a pensar como a medicina tende a alcançar melhores resultados quando profissionais e algoritmos trabalham em conjunto.

Ele também apresentou exemplos de aplicativos que não apenas sugerem diagnósticos, mas calculam probabilidades estatísticas de emergência, o que traz mais segurança tanto para o paciente quanto para o profissional. 

Impacto na prática diária

Além do diagnóstico, a tecnologia pode devolver tempo ao médico, segundo os exemplos compartilhados por Eduardo Lapa. Sistemas de transcrição automática já reduzem em até duas horas diárias a burocracia de prontuários. Na cirurgia, a realidade aumentada permite ao especialista visualizar estruturas internas antes de abrir o paciente, o que transforma o aprendizado e a prática da medicina.

Limites e responsabilidades 

Apesar do entusiasmo, Eduardo Lapa reforçou que a tecnologia não substitui a formação humanística. "Não podemos confiar cegamente na máquina. A responsabilidade continua sendo do médico", alertou.

Para ele, a medicina do futuro deve unir dois pilares: uma base sólida e ética, centrada no cuidado humano, e o uso crítico e responsável da inteligência artificial. "Os meios mudam, mas o propósito permanece o mesmo: cuidar do paciente", destacou ao fim da palestra. 

*A jornalista faz a cobertura do evento a convite da Afya.

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