'Introdução alimentar' deve começar ainda durante a gestação, aponta pediatra

Hábitos alimentares da gestante podem influenciar diretamente a aceitação de sabores e a relação da criança com a comida nos primeiros anos de vida

Por Maria Letícia Menezes Publicado em 06/08/2025 às 17:01

Clique aqui e escute a matéria

A introdução alimentar é frequentemente percebida como uma fase que se inicia após os seis meses de vida do bebê, quando a amamentação exclusiva deixa de suprir sozinha as necessidades nutricionais.

No entanto, segundo especialistas, esse processo pode — e deve — começar ainda durante a gestação.

O comportamento alimentar da mãe tem papel relevante na formação do paladar do feto, influenciando a aceitação de sabores e a relação da criança com a alimentação no futuro.

A recomendação da Organização Mundial da Saúde (OMS) é que os bebês sejam alimentados exclusivamente com leite materno até os seis meses. A partir de então, alimentos complementares devem ser introduzidos de forma gradual, mantendo-se a amamentação até pelo menos os dois anos de idade.

Formação do paladar começa no útero

“O desenvolvimento de hábitos alimentares saudáveis de uma criança começa, na verdade, dentro da barriga. Durante a gestação, o feto é exposto a moléculas palatáveis dos alimentos consumidos pela mãe, o que pode influenciar a aceitação de sabores no futuro e a relação da criança com o ato de se alimentar”, explica a pediatra Gabriela Oliani, da Santa Casa de São Roque — unidade administrada pelo CEJAM (Centro de Estudos e Pesquisas “Dr. João Amorim”).

Segundo dados do UNICEF, quase 45% das crianças entre 6 meses e 2 anos não consomem frutas ou vegetais com frequência, o que compromete seu desenvolvimento saudável.

“A dica é que a mãe comece a estimular o paladar do bebê já durante os nove meses de gestação. Ou seja, para as mamães que não possuem hábitos saudáveis, a introdução alimentar precisa começar por elas”, afirma.

Alimentação como vínculo afetivo

A alimentação vai além da função nutricional. Segundo Gabriela Oliani, é também um ato de construção de vínculo.

Desde os primeiros momentos de vida, o alimento está associado à relação da criança com a mãe e à rotina familiar.

A especialista alerta ainda que um ambiente conturbado nas refeições pode impactar negativamente o comportamento da criança diante da comida.

“Quando o momento da refeição é conturbado, sem rotina, marcado por pressões, recompensas ou punições, aumentam os riscos de fobias ou transtornos alimentares, e até mesmo problemas emocionais duradouros”, diz.

Introdução precoce de ultraprocessados preocupa especialistas

O Ministério da Saúde aponta que mais de 3,1 milhões de crianças de até 10 anos convivem com a obesidade no Brasil.

Entre os fatores que contribuem para esse cenário está a introdução precoce de alimentos ultraprocessados, como sucos adoçados e produtos ricos em açúcar, sal e gordura.

Segundo a pediatra, esse tipo de alimentação está cada vez mais presente nas famílias brasileiras, inclusive em contextos de vulnerabilidade social, onde o acesso a alimentos naturais é limitado.

Saiba como acessar nossos canais do WhatsApp


#im #ll #ss #jornaldocommercio" />

Compartilhe

Tags