BR-232: Manutenção tem sido constante, mas rodovia segue perigosa e voltou a ser uma ‘montanha russa’
Como faz todos os anos, o JC fez a rota rodoviária do Recife a Brejo da Madre de Deus, passando por Caruaru, para ajudar condutores e passageiros
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A BR-232 voltou a ser uma ‘montanha russa’. Esse é o alerta que o JC faz aos condutores que planejam usar o principal eixo rodoviário de conexão do Recife com todo o interior de Pernambuco, principalmente o Agreste do Estado. Nesta época, quando a Semana Santa e o São João se aproximam, fazendo com que todo o Estado se volte para o interior, o volume de veículos trafegando na direção de cidades como Gravatá, Caruaru e Brejo da Madre de Deus praticamente duplica, exigindo atenção porque a rodovia, infelizmente e mais uma vez, segue perigosa.
É verdade que o trecho duplicado da BR-232 - entre Recife e São Caetano - já esteve muito pior, sendo fácil perceber que está sob manutenção permanente do governo de Pernambuco - que responde pela conservação mesmo sendo federal, num contrato de 30 anos, que termina em 2027 -, mas o passivo da degradação chegou a um nível em muitos pontos que a manutenção já não resolve. Já ficou tarde demais. É preciso reconstruir.
De fato, não se vê buracos no trecho duplicado. Mas a velha solução do asfalto sobre o concreto se tornou ainda mais perigosa, exatamente porque transforma a rodovia numa verdadeira ‘montanha russa’. Os desníveis no pavimento são perigosos e exigem baixa velocidade dos veículos para evitar sinistros de trânsito. Além de habilidade dos condutores, principalmente.
“O que mais impressiona é que a pior parte da rodovia é exatamente a que está duplicada. E ainda mais as faixas da direita, de baixa velocidade e onde os veículos pesados devem trafegar. Exige muita atenção e, em várias situações, é preciso usar a faixa de mais velocidade, o que pode provocar colisões”, alerta o caminhoneiro Severino Isaac, que saiu da Paraíba e pretendia passar por Salvador (BA) e chegar em São Paulo (SP).
“De todo o meu percurso (mais de 2.500 km), arrisco dizer que o pior trecho é esse duplicado da BR-232 entre Recife e São Caetano. De lá para o Sertão, mesmo sem estar duplicado, é muito melhor”, reforça o caminhoneiro, com 32 anos de estrada.
O pedreiro Josivan Valdeci da Silva, que é motociclista e reside em Gravatá, é outro usuário da BR-232 que faz alertas sobre os riscos da rodovia. "Ela melhorou um pouco em relação às condições no ano passado, mas precisa melhorar mais porque segue perigosa. É preciso mais investimentos e fiscalização para que os motoristas respeitem as regras", afirma.
UMA VERDADEIRA MONTANHA-RUSSA
Sem dúvida, a pior parte da BR-232 nos 120 km entre Recife e Caruaru é a que margeia a cidade de Vitória de Santo Antão, na região da Mata Sul e porta de entrada do Agreste pernambucano. De Caruaru a São Caetano, a duplicação é mais nova e, por isso, ainda está menos ruim.
No trecho de Vitória de Santo Antão, o desgaste do pavimento transformou a rodovia nos dois sentidos (Recife-Interior e ao contrário) numa grande colcha de retalhos, instável e perigosa. O problema fica ainda maior quando a BR-232 está molhada e o risco de aquaplanagem é real e alto. Em fevereiro, um condutor teria perdido o controle do veículo exatamente devido a uma aquaplanagem, na altura do Km 114 da BR, quase no limite de Bezerros com Caruaru, provocando um grave sinistro de trânsito (não é mais acidente de trânsito que se define, segundo o CTB).
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No sentido Recife-Interior, o trecho compreende uma grande descida, com uma curva na sequência. Das cinco pessoas que estavam no veículo, duas morreram e outras três ficaram feridas. A principal suspeita da Polícia Rodoviária Federal (PRF) foi a aquaplanagem devido ao acúmulo de água na rodovia - um problema antigo da BR-232 quando chove.
Outra área completamente degradada e que também acende o alerta sobre o nível de degradação a que chegou o projeto de duplicação da BR-232 até o Agreste é a subida da Serra das Russas. Em 2025, quando o JC também fez reportagem sobre a rota até Fazenda Nova, em Brejo da Madre de Deus, o trecho estava com o pavimento bem comprometido. Este ano, a recuperação foi feita, mas em condições não ideais - o velho tapa-buraco, exatamente o que transforma a rodovia em uma ‘montanha russa’.
ATENÇÃO DEVE SER REDOBRADA NA BR-104
Vencida a BR-232, a atenção dos condutores deve ser ainda mais redobrada quando pegar a BR-104, no trecho da rodovia que liga Caruaru a Toritama. Em partes, a BR também está menos ruim do que em 2025 - quando havia buracos por toda parte -, mas segue ruim, perigosa. De Caruaru até a bifurcação com a PE-145, na entrada para Brejo da Madre de Deus, uma conservação vem sendo feita, mas ainda sem a sinalização horizontal. A vertical já não existe faz tempo.
A melhor parte para conduzir - e a mais bonita também, vale ressaltar - é o trecho da PE-145, a rodovia que sai da BR-104 e chega a Brejo da Madre de Deus e que começou a ser refeita ainda na gestão estadual do PSB, teve os trabalhos paralisados, e terminou sendo executada na prática já no governo de Raquel Lyra. Ainda está nova e bem sinalizada - até porque as obras são de 2023/2024 -, mas é importante alertar: é mão simples, sinuosa e já tem pequenos buracos.