BRT: Após seis anos vandalizadas e fechadas, nove estações do Corredor de BRT Norte-Sul vão ser reformadas
Com investimento de R$ 11,9 milhões, as obras preveem climatização, acessibilidade e melhorias estruturais em unidades sem uso há seis anos na RMR
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Depois de seis anos fechadas após serem vandalizadas ainda na época da pandemia de covid-19, nove estações do Sistema BRT (Bus Rapid Transit) serão reformadas pelo governo do Estado na Região Metropolitana do Recife. As estações fazem parte do Corredor de BRT Norte-Sul, o mais prejudicado pelo vandalismo e o maior em extensão, com 33 km ligando o Recife a Igarassu, na área norte da RMR.
Atualmente, as nove estações estão sem operação, com os passageiros fazendo embarque e desembarque de forma improvisada, ao lado das unidades desativadas. As obras de reforma estão sendo coordenadas pela Secretaria de Desenvolvimento Urbano e Habitação (Seduh-PE) e começaram na semana passada. Devido ao vandalismo e à falta de manutenção continuada, apenas 13 das 26 estações do BRT Norte-Sul estão em operação no corredor.
O projeto de requalificação vai custar quase R$ 12 milhões (R$ 11.935.477,12), recursos que são estaduais e do governo federal. A primeira unidade a receber o canteiro de obras foi a estação Cidade Tabajara, situada na PE-15, no município de Paulista. A rodovia PE-15 e a BR-101 Norte compõem o Corredor de BRT Norte-Sul.
Segundo o secretário executivo da Seduh-PE, Francisco Sena, a recuperação dessas unidades é vital para garantir a conectividade entre as cidades da Região Metropolitana do Recife (RMR) e reduzir o tempo de deslocamento dos usuários.
ESTAÇÕES SERÃO RETROFITADAS
O cronograma de reforma das estações prevê reparos estruturais profundos, modernização das redes hidráulica e elétrica, além do reforço das coberturas. E, principalmente, prevê a refrigeração dos equipamentos - quase a totalidade das estações do Sistema BRT do Grande Recife está operando sem ar-condicionado há mais de seis anos, o que gera desconforto para os passageiros e estimula a invasão dos equipamentos porque as portas ficam abertas devido ao calor.
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Segundo a Seduh-PE, as estações apresentam um quadro de desgaste acentuado, com sistemas elétricos obsoletos, infiltrações, falhas de drenagem e danos em coberturas e vidros, comprometendo a segurança e a funcionalidade dos espaços. As melhorias também abrangem a troca de esquadrias e uma revitalização estética completa com nova pintura.
As nove estações do BRT Norte-Sul que passarão pelo processo de revitalização são:
Abreu e Lima;
São Francisco de Assis;
Cidade Tabajara;
Aloísio Magalhães;
Estação Quartel;
Estação Sítio Histórico;
Estação Complexo de Salgadinho;
Estação Centro de Convenções;
Estação Paulista.
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Este conjunto de equipamentos faz parte das obras planejadas originalmente para a Copa do Mundo de 2014, sendo consideradas peças-chave para a plena operação e confiabilidade do corredor de transporte metropolitano da RMR.
FALTA DE REFRIGERAÇÃO DAS ESTAÇÕES DE BRT SE ARRASTA HÁ SEIS ANOS
As estações do Sistema BRT operam sem climatização há seis anos. O problema, que afeta diretamente o conforto dos passageiros, também prejudica a eficiência da concessão pública dos terminais integrados e do metrô na Região Metropolitana do Recife.
O processo de deterioração acentuou-se em 2020, durante a pandemia de covid-19, após o governo estadual cancelar o contrato de segurança patrimonial privada que protegia os equipamentos durante a noite. Sem vigilância, as unidades foram vandalizadas e "canibalizadas", resultando no furto de praticamente todos os sistemas de refrigeração.
Atualmente, 41 das 44 estações do sistema seguem sem ar-condicionado nos corredores Norte-Sul e Leste-Oeste. As únicas exceções são três unidades no Corredor Leste-Oeste: duas localizadas na Avenida Conde da Boa Vista e a estação Areinha, em Camaragibe.
A falta de refrigeração gera um efeito cascata de problemas operacionais:
Invasões: Para amenizar o calor excessivo, as portas das estações permanecem abertas, o que facilita a entrada de passageiros sem o pagamento da tarifa.
Perda de receita: Esse cenário estimula a evasão de receita, comprometendo a sustentabilidade financeira do sistema.
Imagem negativa: O desconforto térmico e o estado visual das estações prejudicam a percepção pública sobre a qualidade do BRT.
CONCESSÃO PRIVADA NÃO PREVÊ REFRIGERAÇÃO
Embora a gestão das estações esteja sob responsabilidade da concessionária Nova Mobi Pernambuco desde 2022, o contrato de R$ 113 milhões não prevê que a empresa arque com a instalação inicial dos aparelhos de ar-condicionado. De acordo com os termos vigentes, cabe exclusivamente ao governo de Pernambuco a reinstalação dos sistemas; somente após essa etapa a concessionária assume a manutenção preventiva e corretiva.
Ainda em julho de 2025, o Grande Recife Consórcio de Transporte Metropolitano (CTM) informou que o governo estadual vai reinstalar a refrigeração em todas as estações, mas não deu prazos.