Catracas elevadas já estão em teste nos ônibus do Grande Recife para combater evasão
Além de desmoralizar o sistema, as invasões geram um prejuízo de R$ 20 milhões por mês e desorganizam todo o planejamento operacional da frota
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Algumas linhas de ônibus da Região Metropolitana do Recife já estão testando as novas catracas elevadas, que voltaram a ser instaladas nos coletivos para tentar inibir a evasão de receita. As linhas escolhidas têm um alto número de pulos de catraca na operação diária, como é o caso da linha 262 – TI Jaboatão/Malvinas, operada pela empresa Metropolitana, que começou a rodar com os novos equipamentos.
O Grande Recife Consórcio de Transporte Metropolitano (CTM) não tinha informado o início dos testes das novas catracas elevadas, mas confirmou que ele iria acontecer. Além de desmoralizar o sistema, as invasões geram um prejuízo estimado em R$ 20 milhões por mês e desorganizam todo o planejamento operacional da frota.
Mas, dessa vez, a promessa é de que as catracas elevadas serão mais ergonômicas e acessíveis aos passageiros. O projeto piloto prevê a implementação de dois tipos de dispositivos anti evasão de receita tarifária - uma forma mais técnica de definir as catracas elevadas -, com um cuidado com a ergonomia dos equipamentos.
CATRACAS MAIS ACESSÍVEIS
Na verdade, os novos bloqueios não são um equipamento único, como antes. As catracas ganharam uma estrutura acoplada sobre elas, desenhada para permitir uma passagem ergonômica dos passageiros.
Pelas imagens das catracas elevadas que estão sendo instaladas em algumas empresas de ônibus, os equipamentos são mais ‘quadrados’ e compridos. Também têm um espaço no eixo central pensado para facilitar a passagem de mochilas e sacolas, por exemplo. Essa área, entretanto, foi criticada por algumas pessoas que viram o modelo da catraca, sob o argumento de que é grande e ainda permite a invasão.
Os modelos mudam de empresa para empresa e, antes de serem utilizados, precisam ser validados pelo CTM. No caso das pessoas com deficiência (PCD) e os passageiros obesos, a recomendação é o uso da porta do meio para o embarque nos coletivos que receberem os equipamentos.
Os testes iniciais, com duração prevista de três meses, envolverão as duas empresas concessionárias - MobiBrasil e Conorte - e algumas permissionárias, como Caxangá/Metropolitana, Globo e Borborema.
TESTES FORAM SUSPENSOS PELO ESTADO APÓS RECOMENDAÇÃO DO MPPE
Em junho de 2024, pelo menos 14 linhas de ônibus da RMR haviam iniciado testes com catracas elevadas, oficializados pelo governo de Pernambuco em agosto. No entanto, a experiência foi marcada por críticas intensas e um episódio de grande repercussão nacional em que uma mulher ficou com a cabeça presa em um dos equipamentos.
A retomada dos testes ocorre após um período de suspensão. O Ministério Público de Pernambuco (MPPE) havia recomendado a retirada dos equipamentos utilizados anteriormente devido à falta de regulamentação e às inúmeras reclamações dos passageiros. A exigência do MPPE foi para que os testes fossem interrompidos até que as catracas estivessem adequadas às normas da ABNT, o que não se verificou à época.
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Agora, o CTM afirma estar fazendo o dever de casa e regulamentando os equipamentos. Também buscou esclarecimentos da ABNT no ano passado sobre a necessidade de regulamentação para o teste e foi informado que o órgão gestor do sistema tem autonomia para definir as regras e padrões, sendo ou não da ABNT.
APESAR DA POLÊMICA, EQUIPAMENTOS REDUZIRAM PULOS DE CATRACAS
Apesar dos problemas de adequação, os testes anteriores demonstraram ganhos no combate às invasões nos coletivos, com o setor empresarial reportando um aumento de 5% a 10% na demanda de passageiros pagantes em algumas linhas. Contudo, a inadequação dos equipamentos e o comprometimento do acesso e segurança foram fatores decisivos para a suspensão.
A evasão de receita permanece um problema crônico e de grande impacto no sistema de transporte do Grande Recife. Calotes e invasões, incluindo pulos de catraca e entradas pelas portas do meio e traseira dos ônibus, têm causado um prejuízo mensal que ultrapassa R$ 20 milhões, segundo dados oficiais da Secretaria de Mobilidade e Infraestrutura de Pernambuco (Semobi).
Desde a crise potencializada pela pandemia de covid-19, essa evasão representa entre 15% e 20% da receita do sistema, um custo que é, em última instância, absorvido pelos passageiros que pagam a tarifa.