Mobilidade | Notícia

Catracas elevadas voltarão a ser testadas nos ônibus do Grande Recife para combater evasão

A retomada dos testes acontecerá em algumas linhas e, dessa vez, a promessa é que os equipamentos serão mais ergonômicos e acessíveis

Por Roberta Soares Publicado em 17/09/2025 às 12:01 | Atualizado em 17/09/2025 às 12:09

Clique aqui e escute a matéria

Os ônibus da Região Metropolitana do Recife voltarão a testar as catracas elevadas para tentar dar uma inibida nas invasões dos coletivos por pessoas que não pagam a passagem. Além de desmoralizar o sistema, as invasões geram um prejuízo estimado em R$ 20 milhões por mês e desorganizam todo o planejamento operacional da frota.

Mas, desta vez, o governo de Pernambuco e o Ministério Público de Pernambuco (MPPE) - que estão juntos e à frente do processo - prometem uma abordagem mais cuidadosa, focando na ergonomia e na acessibilidade dos equipamentos para que os passageiros não sofram. Gesto fundamental após a péssima repercussão dos testes anteriores.

Para quem não lembra, os testes foram suspensos pelo Estado para atender a uma recomendação do MPPE depois que uma passageira ficou com a cabeça presa na parte superior da catraca elevada, gerando uma grande repercussão, inclusive nacionalmente

NOVOS EQUIPAMENTOS SERÃO MAIS ERGONÔMICOS E ACESSÍVEIS, PROMETE ESTADO

Gabriel Ferreira/ Jc Imagem
Catracas elevadas começaram a ser testadas nos ônibus do Grande Recife, mas teste foi suspenso e até agora não voltou a ser liberado pelo MPPE e Estado - Gabriel Ferreira/ Jc Imagem

O projeto piloto prevê a implementação de dois tipos de dispositivos antievasão de receita tarifária - uma forma mais técnica de definir as catracas elevadas -, com um cuidado com a ergonomia dos equipamentos. Na verdade, o novo bloqueio não será um equipamento único, como antes. Será adicionado um acoplamento especial sobre as catracas, desenhado para permitir uma passagem ergonômica dos passageiros.

Segundo Matheus Freitas, presidente do Grande Recife Consórcio de Transporte Metropolitano (CTM), pensando na inclusão, as pessoas com deficiência (PCD) e os passageiros obesos poderão utilizar a porta do meio para o embarque nos coletivos que receberem os equipamentos. Além disso, o novo design garantirá que o eixo central da catraca esteja livre, facilitando a passagem de mochilas.

TESTES FORAM SUSPENSOS PELO ESTADO APÓS RECOMENDAÇÃO DO MPPE

Em junho de 2024, pelo menos 14 linhas de ônibus da RMR haviam iniciado testes com catracas elevadas, oficializados pelo governo de Pernambuco em agosto. No entanto, a experiência foi marcada por críticas intensas e um episódio de grande repercussão nacional em que uma mulher ficou com a cabeça presa em um dos equipamentos.

A retomada dos testes ocorre após um período de suspensão. O MPPE havia recomendado a retirada dos equipamentos utilizados anteriormente devido à falta de regulamentação e às inúmeras reclamações dos passageiros. A exigência do promotor de Transportes, Leonardo Caribé, era que os testes fossem interrompidos até que as catracas estivessem adequadas às normas da ABNT, o que não se verificou à época.

Agora, o CTM afirma estar fazendo o dever de casa e regulamentando os equipamentos. Já existe uma minuta de regulamentação e um projeto piloto prontos, que foram encaminhados às empresas de transporte recentemente. O CTM também buscou esclarecimentos da ABNT no ano passado sobre a necessidade de regulamentação para o teste e foi informado que o órgão gestor do sistema tem autonomia para definir as regras e padrões, sendo ou não da ABNT.

TESTES COMEÇARÃO COM AS DUAS CONCESSIONÁRIAS DO SISTEMA E UMA DAS PERMISSIONÁRIAS

Os testes iniciais, com duração prevista de três meses, envolverão as duas empresas concessionárias - MobiBrasil e Conorte - e duas permissionárias - provavelmente Caxangá/Metropolitana e Globo. A ideia não é implementar as catracas em todas as linhas, e os equipamentos serão modulados, podendo ser adicionados ou removidos conforme a necessidade. Inicialmente, a instalação será feita apenas na parte dianteira dos ônibus, onde já funcionam os bloqueios de pagamento.

“Mas, se houver necessidade, poderá ser instalado na parte traseira também”, pontuou Matheus Freitas. As novas catracas terão que ser encomendadas pelas empresas de ônibus que tiverem linhas escolhidas pelo CTM. E as empresas responsáveis pela produção dos equipamentos deverão apresentar a Anotação de Responsabilidade Técnica (ART) pela fabricação.

HISTÓRICO DE PROBLEMAS E A LUTA CONTRA A EVASÃO DE DE R$ 20 MILHÕES

Apesar dos problemas de adequação, os testes anteriores demonstraram ganhos no combate às invasões nos coletivos, com o setor empresarial reportando um aumento de 5% a 10% na demanda de passageiros pagantes em algumas linhas. Contudo, a inadequação dos equipamentos e o comprometimento do acesso e segurança foram fatores decisivos para a suspensão.

A evasão de receita permanece um problema crônico e de grande impacto no sistema de transporte do Grande Recife. Calotes e invasões, incluindo pulos de catraca e entradas pelas portas do meio e traseira dos ônibus, têm causado um prejuízo mensal que ultrapassa R$ 20 milhões, segundo dados oficiais de 2023 da Secretaria de Mobilidade e Infraestrutura de Pernambuco (Semobi).

Desde a crise potencializada pela pandemia de covid-19, essa evasão representa entre 15% e 20% da receita do sistema, um custo que é, em última instância, absorvido pelos passageiros que pagam a tarifa. A Urbana-PE, o sindicato das empresas de transporte, ressaltou, na época, a importância de medidas que combatam as invasões, pois elas afetam o ambiente de transporte, o custeio do sistema e a programação da operação.

Compartilhe

Tags