Em Brasília, secretária de Educação do Recife afirma que acesso à educação precisa de equidade; professores da rede cobram cumprimento de acordos
Entre os pontos reivindicados pelos professores está a avaliação de desempenho com participação da comunidade escolar e o pagamento do abono de 3,27%
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O encontro de prefeitos e prefeitas de capitais e cidades com mais de 500 mil habitantes, realizado em Brasília nesta quinta-feira (11) pelo movimento Todos Pela Educação, discutiu prioridades e desafios no financiamento e na implementação de políticas públicas da Educação Básica.
O prefeito do Recife, João Campos, não participou, mas foi representado pela secretária de Educação, Cecília Cruz, que destacou a importância de espaços de diálogo entre gestores de grandes cidades para compartilhar experiências e soluções.
“O evento é uma oportunidade para trocar experiências, ouvir o que outros municípios têm feito e aprender. É um espaço que mostra aos prefeitos que a educação tem um lado institucional e técnico, que precisa ser garantido por nossos profissionais e professores, mas também uma dimensão política que precisa ser pautada", disse Cecília Cruz à coluna Enem e Educação.
A secretária de Educação do Recife também comentou sobre a aprovação do Plano Nacional de Educação (PNE) na comissão especial da Câmara dos Deputados, que agora seguirá para análise do Senado.
Entre os pontos positivos, ela mencionou metas intermediárias, obrigatoriedade de planos estaduais e municipais alinhados ao PNE com planos de ação bianuais, foco em qualidade sem abandonar o acesso, expansão de vagas em creches e atenção à equidade.
“A gente avançou no acesso, mas não pode falar de acesso sem avançar na qualidade — e qualidade sem equidade não existe. Se não é para todos, não é de qualidade”, afirmou. Sobre a meta de aumentar de 50% para 60% a cobertura de vagas em creches — garantindo 100% para as crianças mais vulneráveis —, Cecília Cruz disse que há alinhamento entre o plano federal e a política municipal. A capital pernambucana triplicou o número de vagas em creche.
“Desde 2022, por meio de um sistema que vem se aprimorando a cada ano, estamos garantindo que crianças em situação de pobreza, filhos de pessoas apenadas, crianças com deficiência e filhos de mulheres vítimas de violência ou feminicídio tenham prioridade no acesso às nossas vagas”, declarou.
Ato público pede mais diálogo e cumprimento de ações
A participação da secretária de Educação no encontro com prefeitos e prefeitas de capitais e grandes cidades ocorreu na véspera de um ato público realizado na manhã desta sexta-feira (12), na sede da Prefeitura do Recife.
Entre os pontos reivindicados pelos professores da rede municipal, representados pelo Sindicato Municipal dos Profissionais de Ensino da Rede Oficial do Recife (SIMPERE), estão o pagamento do abono de 3,27% acordado durante a campanha salarial de 2025, a garantia da aula-atividade semanal sem retirada de FTPs, a convocação de aprovados no último concurso, o acréscimo de carga horária e a avaliação de desempenho com participação da comunidade escolar.
“O sindicato reforça que nenhuma avaliação pode se sobrepor à escolha da comunidade expressa nas urnas e que diretoras e diretores precisam ser ouvidos antes de qualquer mudança na política educacional”, explicou Jaqueline Dornelas, da diretoria do SIMPERE.
Para Anna Davi, da direção do sindicato, a mobilização desta sexta se torna ainda mais urgente. “Estamos na prefeitura desde o primeiro dia após o fim da greve cobrando respostas. A categoria exige respeito, condições dignas de trabalho e o cumprimento de cada compromisso firmado”, destacou.
Respostas da Prefeitura do Recife
A Secretaria de Educação informou que o pagamento do abono complementar ao piso será realizado ainda em dezembro. “A Prefeitura do Recife assume o compromisso de realizar o pagamento em folha extra no próximo dia 23, garantindo o cumprimento do acordo firmado com a categoria”, afirmou a pasta, por nota enviada à coluna Enem e Educação.
Sobre a avaliação de desempenho, a secretaria destacou que ela segue a Lei Municipal nº 18.998/2022 e a Matriz de Competências da Instrução Normativa nº 03/2025. “O instrumento utilizado garante transparência e equidade no processo”, explicou.
Segundo a Secretaria, os instrumentos foram construídos com participação da categoria, incluindo diretores e membros da comunidade escolar. “A avaliação é realizada por abordagem multifocal, composta por cinco instrumentos com igual peso: autoavaliação do diretor ou vice-diretor, avaliação do coordenador pedagógico, avaliação do professor representante do conselho escolar, avaliação da Gerência Regional e avaliação da Secretaria de Educação”, detalhou.
Quanto à aula-atividade, a pasta afirmou que ela é garantida a todos os professores da rede, com os docentes temporários do Programa Avança assumindo as turmas para atividades de leitura e escrita durante o período.
Sobre a convocação dos concursados, o prefeito João Campos havia informado na abertura das matrículas da rede municipal, em 6 de novembro, que novas chamadas seriam feitas à medida que houvesse ampliações na rede.
No caso dos docentes, há 167 aprovados para Professor I e 88 para Professor II aguardando no cadastro de reserva. Novos docentes devem ser chamados para o início do ano letivo de 2026, mas ainda não há data definida.