Mulher trans desaparecida é encontrada morta em Abreu e Lima; suspeito confessou o crime
No último domingo, a mãe começou a se preocupar, pois não tinha recebido notícias da filha e decidiu procurá-la em hospitais e IML
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Uma jovem trans, identificada como Glenda Beatriz, de 21 anos, que estava desaparecida desde o último fim de semana, teve o corpo encontrado nesta sexta-feira (14) na cisterna de uma casa no bairro de Desterro, em Abreu e Lima, no Grande Recife.
Segundo a família da vítima, ela teria ido à casa do namorado, de 34 anos, com quem mantinha um relacionamento há cerca de um ano. Glenda era acostumada a ir visitar o companheiro, mas sempre mantinha contato com a família.
No último domingo, a mãe começou a se preocupar, pois não tinha recebido notícias da filha. Depois de um dia sem respostas, ela decidiu procurá-la em hospitais e Instituto de Medicina Legal, além de prestar boletim de ocorrência.
Na manhã desta sexta, a família foi informada que o corpo de Glenda teria sido encontrado dentro da cisterna de uma casa, em Abreu e Lima.
O principal suspeito é o namorado de Glenda, mas ainda está sendo investigado se a residência onde o corpo foi achado é dele ou não.
Versão do suspeito
Os pais de Glenda conversaram com o suspeito no domingo (9), e ele teria perguntado por ela, afirmando que deu R$ 100 para a namorada comprar maconha. O pai conta que recebeu uma ligação na terça-feira de madrugada pedindo socorro, mas não sabe se foi da vítima.
“Eu recebi uma ligação privada pedindo socorro. Mas eu tinha certeza que não era meu filho, porque nós temos um defeito de gagueira, quando estamos nervosos, a gente gagueja. Eu acho que foi o suspeito.”
O homem confessou o crime, se entregou na Delegacia de Abreu e Lima e posteriomente foi transferido para o Departamento de Homicídio e Proteção à Pessoa (DHPP), onde foi autuado em flagrante por ocultação de cadáver.
"Ele disse que eles se conheceram através de uma rede social e tiveram alguns encontros, onde ele dava dinheiro para ela levar drogas e eles consumiam juntos. Eles tinham se desentendido e no sábado ocorreu novamente. Os dois estavam altamente drogados e no meio da confusão, a vítima pegou uma faca para desferir contra ele. Aí ele se defendeu dando um chute e depois pegou um machado e golpeou ela na nuca", contou a delegada Juliana Bernard, que realizou o flagrante.
Apesar do golpe fatal, o suspeito também desferiu várias facadas na vítima. Ele alega que estava completamente fora de si, a ponto de dormir ao lado do corpo de Glenda.
"No dia seguinte ele disse que acordou por volta das 14h e se deu conta do que aconteceu quando olhou para o corpo e veio a ideia de esconder na cisterna", continuou.
De acordo com a delegada, o homem arrastou o corpo para a cisterna e depois comprou cimento para tampar. Ele também tocou fogo no colchão e nas armas do crime, além de pintar o quarto para mascarar os vestígios de sangue.
"Ele disse que pegou o celular, trocou por drogas e se escondeu na mata até o dia que se entregou", disse a delegada.
O suspeito deve ser indiciado pelo crime de homicidio com desenrolar da investigação e amanhã passará por audiência de custódia.