Crítica: "Bom Menino" tem suspense e lealdade canina até o fim
Terror estreia nos cinemas brasileiros em 30 de outubro, sob altas expectativas; com formato inovador, filme aposta no medo e na emoção.
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E se um espírito maligno estivesse atrás de você, mas só seu cachorro conseguisse ver?
É de ideias simples, mas potentes, como essa que surgiram alguns dos filmes mais conhecidos da história, como "Tubarão".
O cinema de terror, em especial, ama recorrer a cenários próximos da realidade do público, para mexer com os medos e as emoções de quem assiste. E no filme "Bom Menino", que estreia no próximo dia 30/10, não é diferente: afinal, quão popular não é a teoria de que cachorros conseguem ver espíritos invisíveis aos olhos humanos?
Com alta repercussão online desde o início da divulgação, o filme gerou grande expectativa com sua proposta: mostrar um humano assombrado por uma entidade sombria, com a história contada sob o ponto de vista de seu cachorro.
É mais um filme assustador recente que brinca com o formato, após exemplos como "Natureza Violenta" (2024, Telecine Play) - contado sob o ponto de vista de um serial killer - e "Presença" (2024, Prime Video) - onde vemos tudo pelos olhos do fantasma que assombra uma casa.
No caso de "Bom Menino", o resultado é um filme que consegue se diferenciar o suficiente do "terror tradicional" para valer a ida o cinema - ainda que rápida, pois são apenas 1h10 de duração.
Mas nada funcionaria sem o talento de quem dá nome à obra: "bom menino" é pouco para elogiar Indy, o cãozinho protagonista desta história.
Indy, o melhor amigo do homem
A amizade milenar entre homens e cães já inspirou filmes emocionais como "Marley e Eu", "Sempre ao Seu Lado", e até o recente "Caramelo", da Netflix. Sempre haverá público que se identifique com o laço entre tutor e animal, com a lealdade do bicho sendo, geralmente, o aspecto que mais sensibiliza.
Em "Bom Menino", a emoção está presente, mas caminha lado a lado com um terror de qualidade. Aqui, acompanhamos Indy, e seu dono Todd, que foi diagnosticado com uma grave doença respiratória.
Ignorando os alertas da irmã, Todd decide se isolar, mudando-se para a antiga casa de seu avô, que morreu em circunstâncias misteriosas. Há quem diga, inclusive, que o local é assombrado.
É claro que Todd não dá ouvidos, e é claro que Indy se vê cada vez mais atormentado pela presença maligna na residência, que parece se aproximar cada vez mais de seu dono, e o cachorro faz de tudo para alertá-lo.
O filme não se priva de usar elementos já muito familiares para causar medo em filmes de terror norte-americanos. Estão lá, o cemitério, o porão e as portas que abrem sozinhas e dão para a escuridão.
Porém, a direção do estreante Ben Leonberg consegue imprimir o suspense de forma bastante eficaz e contar a história sob o olhar do cão ajuda a diferenciar "Bom Menino" de outros filmes do gênero.
Inclusive, o aspecto que mais chama atenção na produção é o desempenho do cachorro. Segundo a equipe, o filme foi produzido por três anos e sem o uso de efeitos especiais. Ou seja, muita paciência e um grande trabalho de escolha de takes de expressões de Indy - que é o cachorro do diretor na vida real - foram necessários para o resultado final.
E o processo árduo deu frutos: a "atuação" do cãozinho impressiona, e em nenhum momento ele parece adestrado ou pouco natural em suas ações. O medo que ele sente da criatura sobrenatural e o carinho que cultiva por seu dono transparecem no olhar de uma forma que, a princípio, não parecia possível.
É fato que o conceito apresenta alguns sinais de cansaço em certos momentos - afinal, não é tão fácil sustentar um filme sob essa estrutura por muito tempo - mas não o suficiente para "perder" o espectador.
Em outra semelhança com filmes de terror atuais, a ameça sobrenatural da vez parece ser uma metáfora para algo real, como em "O Babadook", cujo monstro é interpretado como a personificação do medo e da depressão.
Aqui, o fantasma que persegue Todd parece avançar junto com sua doença. É como se representasse não só a morte, mas também a autodestruição do protagonista, que se isola mais e mais com a piora de seu quadro, até mesmo de seu amigo canino.
Mas é claro que o cãozinho não deixa seu tutor de lado, e é essa lealdade que torna o filme não apenas assustador, mas também emocionante, como todo bom "filme de cachorro" que virou sucesso.
Fazendo jus à fama de sua espécie, Indy acompanha seu dono do início ao fim com a maior atenção e é assim que "Bom Menino" merece ser assistido.