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Gerente da Fiepe avalia tarifaço de Trump: "em média, a situação ficou melhor"

Em entrevista ao Passando a Limpo, Maurício Laranjeira avalia nova tarifa global de 15% dos EUA E destaca alívio frente às alíquotas anteriores

Por Eduardo Scofi Publicado em 24/02/2026 às 11:41 | Atualizado em 24/02/2026 às 12:01

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Após a decisão da Suprema Corte dos Estados Unidos que derrubou parte das sobretaxas impostas por Donald Trump, o governo americano anunciou uma tarifa global de 15% para todos os países. A medida substitui alíquotas que chegavam a 40% e 50% para alguns produtos brasileiros.

Em entrevista ao Passando a Limpo, o gerente de Política Industrial da Fiepe, Maurício Laranjeira, analisou o novo cenário e afirmou que, embora a situação tenha melhorado em relação ao auge do tarifaço, o ambiente ainda é de instabilidade.

“É difícil a gente falar que taxa é bom. A gente parte do princípio sempre que taxa, sobretaxação, é um negócio complicado, principalmente num cenário de comércio exterior.”

Alívio para o Brasil

Ele reconhece que, na comparação com o momento anterior, houve um alívio para o Brasil. “A situação ficou, em média, melhor, porque tinha produto taxado em 40%, tinha produto taxado em 50%, e agora essa taxação baixou para 15%.”

Mas a análise não pode ignorar o cenário pré-crise. Antes da escalada tarifária, vários produtos tinham isenção, como o açúcar pernambucano. “Vale salientar que antes dessa confusão toda provocada pelo presidente Trump, muitos produtos tinham taxação zero.”

Insegurança e impacto nas exportações

Para Laranjeira, o maior problema não é apenas o percentual da tarifa, mas a imprevisibilidade das decisões. Ele descreve um cenário de incerteza permanente:

“Essa dúvida eterna, que gera muita insegurança, puxou para 10, agora para 15, está ameaçando países que não cumprirem acordos de aumentar mais ainda, e a gente continua nesse cenário de total incerteza.”

Segundo o gerente da Fiepe, há empresas com mercadorias prontas aguardando definição sobre o embarque. “Tem gente que está com carga em porto esperando para embarcar, com essa dúvida de embarca ou não embarca, qual vai ser a taxa.”

A possibilidade de ressarcimento do que já foi pago também permanece indefinida. “Existe essa dúvida, porque a decisão da Suprema Corte ainda não tem a regulamentação do que vai acontecer com o que foi pago anteriormente.”

Manga resiste, açúcar sofre e uva perde mercado

Ao detalhar os efeitos para Pernambuco, Laranjeira explica que o estado tem forte presença na exportação de frutas, açúcar e alguns produtos industrializados.

A manga conseguiu atravessar o período mais crítico, ainda que com perdas potenciais. “A manga conseguiu sobreviver no meio disso tudo, mesmo sendo sobretaxada, eles conseguiram negociar.”

Segundo ele, se não fosse a taxação, poderia ter sido “o melhor resultado da história”, já que a safra foi forte e a demanda elevada.

O açúcar, por outro lado, sentiu mais intensamente. Como commodity, depende de margens estreitas e de cotas específicas destinadas às usinas nordestinas. A nova taxação atingiu diretamente Pernambuco e Alagoas.

A situação mais grave foi a da uva. “A uva foi bastante caótica, a uva perdeu totalmente a competitividade e não foi exportada nada para os Estados Unidos devido a essa taxação.”

Taxa linear, mas instabilidade continua

Ao comentar a avaliação do vice-presidente Geraldo Alckmin de que a tarifa igual para todos mantém a competitividade brasileira, Laranjeira concorda parcialmente. Segundo ele, há lógica na análise de que “agora o jogo está igualitário para todo mundo”.

Ainda assim, o especialista reforça que o problema estrutural permanece sendo a volatilidade.

“O grande problema de tudo isso é a insegurança, é a incerteza. Porque as negociações internacionais são longas, são negociações demoradas, envolve frete, envolve cadeia longa.”

Confira a entrevista na íntegra

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