Editorial JC: A reviravolta do "Plano B" de Trump
O presidente Donald Trump, como se sabe, vê inimigos em vários lugares. Agora, na Suprema Corte dos EUA
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Após a Suprema Corte dos Estados Unidos considerar ilegal a série de taxas implementadas anteriormente, Donald Trump anunciou ontem um aumento da tarifa global de 10% para 15%.O cenário entre Brasil e o novo tarifaço de Donald Trump mudou drasticamente nas últimas 24 horas, com uma reviravolta jurídica nos EUA e uma contraofensiva comercial brasileira.
Com a medida, muito mais do que criar um novo impasse com antigos parceiros comerciais, o presidente dos Estados Unidos criou um importante adversário interno: a poderosa Suprema Corte dos Estados Unidos. O presidente Donald Trump, como se sabe, vê inimigos em vários lugares, inclusive naqueles menos improváveis, seja pela força, fraqueza ou o mais absoluto desdém.
O governo americano havia assinado uma taxa de 10% para substituir as tarifas derrubadas pela justiça. Contudo, em resposta direta à decisão judicial que chamou de "vergonha", Trump elevou a alíquota global para 15% exatamente ontem. Os EUA mantêm uma investigação sob a "Seção 301" para apurar supostas práticas desleais de comércio pelo Brasil, o que pode gerar novas taxas específicas no futuro.
Do lado brasileiro, o país está acelerando sua integração com a Europa para diminuir a dependência do mercado americano. O deputado Hugo Motta, presidente da Câmara dos Deputados, sinalizou que a Câmara deve votar a ratificação do acordo Mercosul-União Europeia já na próxima semana. O governo vê o acordo europeu como o principal escudo contra o protecionismo de Trump, abrindo um mercado de 450 milhões de consumidores com tarifas reduzidas para o agro e a indústria brasileira.
Sobre as novas movimentações do presidente Donald Trump, mesmo o ministro da fazenda Fernando Haddad acreditando numa possível volta à normalidade, o novo anúncio de 15% mantém aumentará a pressão sobre o dólar. O fato é que a falta mínima de previsibilidade vinda da Casa Branca na gestão Donald Trump coloca o mundo em permanente tensão, obrigando países e continentes a estarem sempre reazendo cálculos e econômicos e políticos.
No Brasil, empresas como Taurus (armas), Embraer (aviões) e exportadores de aço e calçados seguem monitorando os custos de exportação, que podem subir com a nova tarifa de 15%. Existe uma discussão jurídica sobre a devolução de bilhões de dólares em impostos arrecadados ilegalmente enquanto o tarifaço anterior estava em vigor. E assim segue o mundo, até a próximo anúncio do poderoso e imprevisível presidente dos Estados Unidos.