PSOL reage à pré-candidatura de Alfredo Gomes ao governo e reafirma nome de Ivan Moraes
Reitor da UFPE anunciou que entrará na disputa, possivelmente pela Rede, com quem o PSOL é federado; diretório psolista lançou Ivan Moraes em 2025
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O diretório estadual do PSOL, que é federado com a Rede, anunciou que mantém a pré-candidatura de Ivan Moraes para a disputa ao Governo de Pernambuco após o reitor da Universidade Federal de Pernambuco (UFPE), Alfredo Gomes, anunciar sua pré-candidatura ao cargo, na última quarta-feira (18), possivelmente pela Rede.
A mesma orientação do PSOL vale para a pré-candidatura da vereadora Jô Cavalcanti ao Senado Federal, já que o grupo ligado à Rede também lançou o nome do ex-deputado Paulo Rubem para disputar a Casa Alta. O posicionamento foi publicado nesta quinta-feira (19) em nota assinada pelo presidente estadual da legenda, Samuel Herculano.
"O PSOL mantém sua posição inalterada em relação às pré-candidaturas majoritárias já apresentadas. No que tange ao lançamento de pré-candidaturas majoritárias por parte da Rede, ressaltamos que o partido possui plena autonomia para apresentar seus nomes, desde que respeitados os termos do estatuto da Federação PSOL/Rede”, diz o comunicado.
Em Pernambuco, o PSOL possui a maioria das cadeiras dentro da federação, o que fortaleceria a indicação de Ivan Moraes caso o embate interno avance para uma definição formal. A avaliação interna é de que a correlação de forças tende a pesar na escolha do nome que representará o bloco na eleição estadual.
“Entendemos que o grande desafio da Federação neste momento é a união de esforços para atingir três objetivos fundamentais: somar forças para a reeleição do presidente Lula, apresentar um plano de governo sólido e transformador para Pernambuco e eleger uma bancada expressiva de deputados estaduais e federais”, ponderou o PSOL na nota.
O ex-vereador do Recife Ivan Moraes evitou entrar na discussão, afirmando que acredita em um acordo sobre as candidaturas dentro da federação.
"O reitor Alfredo tem feito um belo trabalho na UFPE e Paulo Rubem é uma referência histórica pra todo mundo que caminha no campo progressista. A Rede tem todo o direito de lançar pré-candidaturas e eu tenho certeza que em muito breve chegaremos a um acordo programático a partir do que já vêm construindo. Gosto do diálogo e conto muito com o apoio de todos eles, além do deputado Túlio Gadelha, à nossa candidatura", afirmou Ivan.
Alfredo não está confirmado na Rede
A candidatura de Alfredo Gomes, apesar de lançada em um evento da Rede, também é alvo de conversas com o PDT, partido que vem articulando uma possível recomposição política com Túlio Gadelha, que encabeça a chapa do reitor. O PDT passa por um processo de reorganização interna e busca ampliar alianças para a disputa de outubro.
Além de Túlio, o PDT também tem sondado a ex-deputada Marília Arraes (Solidariedade) para integrar o conjunto da legenda, caso não encontre espaço na chapa de João Campos.
A eventual entrada de Alfredo Gomes na corrida foi lançada como uma terceira via diante da polarização entre a governadora Raquel Lyra (PSD) e o prefeito do Recife, João Campos (PSB), apontados como principais adversários no pleito estadual.
Caso confirme a candidatura, o reitor terá que se desincompatibilizar do cargo na UFPE até abril, conforme determina a legislação eleitoral.
O vereador do Recife Eduardo Moura (Novo) também aparece como nome cotado para disputar o governo em contraponto a Raquel e João. O parlamentar já afirmou que não descarta a possibilidade, embora o partido ainda não tenha oficializado uma pré-candidatura.
Racha PSOL-Rede é antigo
O histórico de divergências entre PSOL e Rede dentro da federação não é recente. Em 2024, Túlio Gadelha (Rede) e a deputada estadual Dani Portela (PSOL) apresentaram candidaturas próprias à Prefeitura do Recife, ampliando o clima de disputa interna.
Os dois trocaram críticas públicas durante a pré-campanha, gerando constrangimento dentro da federação. Túlio acusava o PSOL de radicalismo e apontava proximidade entre Dani Portela e o prefeito João Campos, que tentava a reeleição. Do outro lado, Dani afirmava que Túlio favorecia o projeto político alinhado à governadora Raquel Lyra.
A convenção partidária da federação acabou escolhendo Dani Portela como candidata. A deputada terminou a eleição em terceiro lugar, com pouco mais de 35 mil votos, o equivalente a 3,78% do total válido.