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Danilo Cabral é exonerado da Sudene após pressão do Ceará pelo cargo

Governador do Ceará pressionou o governo federal pelo posto, com o objetivo de garantir recursos para o trecho cearense da Transnordestina

Por Rodrigo Fernandes Publicado em 05/08/2025 às 12:34

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O ex-deputado federal Danilo Cabral foi exonerado do cargo de superintendente da Sudene nesta terça-feira (5). A saída dele acontece após o governador do Ceará, Elmano Freitas (PT), pressionar o governo federal pelo cargo, com o objetivo de beneficiar o trecho cearense da ferrovia Transnordestina, que recebe investimentos da entidade.

Em nota divulgada à imprensa, Danilo Cabral confirmou que foi desligado e afirmou ter sido "uma honra" servir ao Brasil, em especial ao povo nordestino.

"Agradeço ao presidente Luiz Inácio Lula da Silva e ao ministro Waldez Góes pela confiança, e à valorosa equipe da Sudene pelo trabalho conjunto que realizamos. Deixo o cargo com a convicção do dever cumprido. A Sudene voltou", disse Danilo.

Ele também agradeceu a campanha feita por aliados de diversos segmentos da política, de entidades econômicas e industriais, que nos últimos dias vinham reforçando o desejo de mantê-lo no cargo.

"Agradeço a todas as manifestações de apoio e solidariedade recebidas nos últimos dias. Continuarei atuando em favor do desenvolvimento do Nordeste — especialmente de Pernambuco, minha terra natal — com o olhar firme na superação das desigualdades e na melhoria da qualidade de vida do nosso povo. A luta por Pernambuco é minha missão de vida. Seguiremos juntos", completa a nota.

Filiado ao PSB, Danilo Cabral assumiu a Sudene em julho de 2023, por indicação do senador Humberto Costa (PT), com aval da senadora Teresa Leitão (PT).

O sucessor dele ainda não foi oficializado, mas o nome mais provável é o de Francisco Ferreira, segundo suplente de Teresa Leitão. A indicação seria fruto de uma nova articulação de Humberto Costa, que deseja manter um pernambucano no cargo para garantir investimentos a Pernambuco.

Após a notícia da exoneração, Humberto lamentou a saída de Cabral.

"Danilo reestruturou a instituição e devolveu a ela o seu protagonismo em defesa do povo nordestino. Estou certo de que Danilo Cabral, um quadro de grande talento político e enormes qualidades técnicas, terá promissores desafios pela frente e de que seguiremos juntos na luta por Pernambuco e pelo Brasil", declarou.

Ceará usou Transnordestina para pedir o cargo

A motivação da troca de liderança na Sudene seria a atuação de Danilo em defesa do trecho pernambucano da Ferrovia Transnordestina, contrariando os interesses do Ceará, que busca garantir os recursos atuais apenas para o seu trecho da obra.

Antes tida como patinho feio da administração pública no Nordeste, a Sudene voltou a ser motivo de cobiça dos cearenses após virar sócia da ferrovia Transnordestina, cujo primeiro trecho se encontra perto da conclusão e vai beneficiar o Porto de Pecém, no Ceará.

O trecho pernambucano, que vai até o Porto de Suape, constava no projeto original, mas teve a conclusão atrasada após o ex-presidente Jair Bolsonaro (PL) retirar os trabalhos do ramal de execução. O trecho só voltou à ativa após o início do terceiro mandato de Lula.

Ainda que a gestão de Cabral tenha garantido R$ 2,6 milhões para o trecho da ferrovia até Pecem, o aporte não foi suficiente para agradar aos cearenses.

No mês passado, em conversa com o presidente Lula, o governador cearense Elmano de Freitas, o ministro da Casa Civil, Rui Costa e o empresário Benjamin Steinbruch, parceiro privado da ferrovia, solicitaram ao presidente a demissão  de Danilo Cabral, com o intuito de substituí-lo por um cearense.

Lula teria concordado com a proposta e manteve a decisão em segredo, até que o assunto veio à tona na última semana, quando uma corrente de apoio da Danilo se formou em Pernambuco.

A campanha pela permanência de Danilo na Sudene teve apoio de senadores, deputados federais e estaduais, do prefeito do Recife, João Campos, além de instituições como a Federação das Indústrias do Estado de Pernambuco (FIEPE) e um bloco empresarial que contava com o Centro das Indústrias de Pernambuco (CIEPE), o Grupo Atitude PE, o LIDE Pernambuco e o Conselho Regional de Engenharia e Agronomia (CREA-PE).

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