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Álvaro Porto vai judicializar governo Raquel Lyra por atraso nos pagamentos das emendas de 2024

Atrasos no pagamento das emendas parlamentares de 2024 voltam ao centro do debate na Alepe e intensificam crise entre Legislativo e Executivo

Por Pedro Beija Publicado em 02/04/2025 às 19:39 | Atualizado em 02/04/2025 às 20:20

Enquanto um eventual aumento na porcentagem do orçamento estadual para emendas impositivas é alvo de intenso debate entre os deputados estaduais, o presidente da Assembleia Legislativa de Pernambuco (Alepe), deputado Álvaro Porto (PSDB), decidiu judicializar o Governo de Pernambuco pelo atraso no pagamento do restante das emendas de 2024

Os atrasos vem sendo cobrados desde as últimas semanas de 2024, após a governadora Raquel Lyra (PSD) ter garantido o pagamento aos deputados até 30 de dezembro. Desde então, sem o pagamento, as cobranças se intensificaram. 

Dos R$ 188 milhões destinados, R$ 91 milhões foram pagos, enquanto R$ 97 milhões ainda não foram repassados aos parlamentares. O governo chegou a reempenhar o valor para o orçamento de 2025.

Em janeiro, os deputados chegaram a acionar o Tribunal de Contas do Estado de Pernambuco (TCE-PE), solicitando a abertura de uma auditoria especial para investigar a gestão estadual. O governo chegou a apaziguar a situação, com a criação de um grupo de trabalho para garantir o repasse dos recursos.

Já na última semana, o secretário da Casa Civil, Túlio Vilaça, foi convocado pela Comissão de Legislação e Justiça (CCLJ) da Alepe para prestar esclarecimentos sobre os atrasos.

PEC de aumento das emendas impositivas no orçamento gera nova crise na Alepe

Na última terça-feira (1), o projeto de Emenda à Constituição (PEC) de autoria do deputado Coronel Alberto Feitosa (PL) gerou nova crise entre a Alepe e o Governo do Estado. O projeto prevê o aumento de 0,8% para 2% da porcentagem do orçamento estadual para emendas impositivas

O valor das emendas é calculado com base na receita corrente líquida realizada no ano anterior, seguindo um escalonamento percentual que iria até 2029, quando alcançaria o teto de 1,2%. A PEC extingue essa progressão e pula direto para 2%.

No orçamento atual, está previsto o montante R$ 302,6 milhões em emendas para 2025, sendo pouco mais de R$ 6 milhões para cada parlamentar. Usando como parâmetro a mesma receita arrecadada pelo estado, o valor pode chegar a R$ 875 milhões no próximo ano — ou R$ 17,8 milhões por deputado.

O projeto, que havia sido aprovado na CCLJ, não chegou a ser votado na sessão plenária, por conta de manobra da governadora Raquel Lyra, que convocou a base governista para uma reunião no Palácio do Campo das Princesas e esvaziou o plenário, forçando o adiamento da votação, que deve retornar à pauta na próxima semana. 

Como saldo da reunião, foi formada uma comissão de quatro deputados para discutir o projeto com a governadora, que busca chegar a um consenso para diminuir o valor exigido.

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