Encontro em Pernambuco debate moradia como eixo central da justiça climática
Evento articulou propostas para integrar habitação popular às políticas de adaptação climática diante do aumento de desastres ambientais
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Entre os dias 10 e 12 de abril, as cidades de Olinda e Recife receberam o encontro Moradia e Justiça Climática nas Cidades, que reuniu especialistas, gestores públicos e lideranças comunitárias para discutir soluções habitacionais frente à crise ambiental.
O evento, realizado pela ONG Habitat para a Humanidade Brasil, teve como objetivo central posicionar a moradia digna como elemento essencial para a resiliência urbana, especialmente em territórios vulneráveis como favelas e periferias.
O debate ocorre em um momento crítico, onde a intensificação de eventos climáticos extremos, como chuvas torrenciais e deslizamentos, atinge majoritariamente populações em situação de precariedade habitacional. A articulação buscou fortalecer a agenda de adaptação climática como uma política de Estado, conectando o direito à cidade com a preservação de vidas.
Debates e articulação política
As atividades tiveram início no Mercado Eufrásio Barbosa, em Olinda, com foco na análise de políticas públicas e no cenário eleitoral de 2026. Organizações como a Coalizão Negra por Direitos e o Fórum Nacional da Reforma Urbana participaram de discussões sobre como o tema deve ser inserido nas plataformas de governo.
Os principais eixos discutidos incluíram:
- Capacidade institucional: urgência de órgãos governamentais responderem de forma coordenada a desastres climáticos.
- Políticas estruturantes: necessidade de programas de habitação que considerem a geografia e os riscos ambientais locais.
- Contexto eleitoral: mobilização de movimentos sociais para cobrar compromissos concretos de futuros candidatos.
Vivência nos territórios e justiça social
No sábado (11), o encontro deslocou-se para a prática nos territórios. Visitas guiadas às comunidades do Ibura e da Várzea, na Região Metropolitana do Recife, permitiram aos participantes observar as estratégias de adaptação desenvolvidas pelos próprios moradores.
No Ibura, o debate focou no "direito de ficar", discutindo a proteção e reparação de famílias após desastres. Na Várzea, o tema central foi o direito ao território e a adaptação climática em áreas históricas de ocupação. Essas vivências visaram conectar o conhecimento técnico de especialistas à realidade vivida nas bases, onde a falta de infraestrutura potencializa os danos climáticos.
Compromisso público
O encerramento, realizado no Centro de Cultura Luiz Freire, abordou a construção de narrativas sobre o clima. Especialistas em comunicação e mídia independente discutiram como pautar o tema para além da cobertura de tragédias, focando na prevenção e na justiça social.
Raquel Ludermir, gerente de incidência política da Habitat para a Humanidade Brasil, destacou a importância da mobilização.
"Diante da intensificação da crise climática e habitacional, o Encontro Moradia e Justiça Climática, no Recife e em Olinda, reúne especialistas e ativistas de todo o Brasil para transformar debate em ação. Ao articular diálogos, vivências nos territórios e expressões culturais, o encontro conecta diferentes realidades urbanas em torno de desafios e soluções concretas, que podem inspirar outras cidades brasileiras. Em um momento pré-eleitoral, esta é uma oportunidade importante de posicionar o tema para que gestores públicos assumam compromissos concretos com a moradia digna e a justiça climática".
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