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Aprendizagem escolar

Resultados de 2025 mostram que país avançou nos Anos Iniciais do Fundamental, mas pouco nos finais e Médio...................................

Por Ivan Pereira e Mozart Neves Ramos Publicado em 21/09/2026 às 0:00 | Atualizado em 21/09/2026 às 11:20

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Este artigo teve como pano de fundo uma conversa provocada pelo Ivan tomando como referência os recentes resultados do Índice de Desenvolvimento da Educação Básica (Ideb) de 2025. Ela começa com a nossa concordância do poder de mobilização social do Ideb, por ser um número simples que traduz, em parte, a qualidade da escola. Os resultados de 2025 mostraram que o país avançou bastante nos Anos Iniciais do Ensino Fundamental (EF), mas apresentou um crescimento tímido para os Anos Finais do EF e em particular, para o Ensino Médio. Ele me chamou a atenção para o notável desempenho dos estados do Piauí e do Rio Grande do Sul para esta última etapa da Educação Básica. Comentamos também que nem sempre mais dinheiro se traduz em resultados esperados no campo da aprendizagem escolar.

Em dado momento Ivan insiste que olhar a escola apenas pela nota do Ideb seria como enxergar parte do iceberg. Além disso, ele trouxe uma preocupação entre a queda de desempenho escolar e o início da adolescência - quando o estudante ingressa nos Anos Finais do EF. De fato, olhando os resultados do Sistema de Avaliação da Educação Básica (Saeb), de onde se extrai a nota padronizada do Ideb, para os Anos Iniciais os crescimentos, de 2023 para 2025, em Língua Portuguesa (LP) e em Matemática (MAT) foram de 7 pontos e de 9 pontos, respectivamente; por outro lado, para os Anos Finais esses crescimentos foram relativamente menores 4 e 5 pontos, respectivamente.

E mais, a média Brasil nessas duas disciplinas ficou abaixo do chamado aprendizado adequado para os Anos Finais, ou seja, a média Brasil em LP e em MAT no Saeb para esta etapa escolar foi, respectivamente, 257 e 255 pontos, enquanto o mínimo esperado para um aprendizado adequado é, respectivamente, 275 e 300 pontos. Estamos falando de uma diferença de -20 e -45 pontos.

Já para os Anos Iniciais, o país alcançou o aprendizado adequando tanto em LP, como em MAT - a primeira vez que isso ocorreu em MAT ao longo de toda a série histórica. O fato é que o Brasil não consegue sustentar os ganhos de aprendizagens dos Anos Iniciais, que vai se dissipando ao longo das duas etapas subsequentes - Anos Finais e Ensino Médio.

A nossa conversa transita para outro aspecto: a relação do adolescente com o clima escolar. Em outras palavras, qual a escola que precisamos oferecer aos nossos adolescentes? Será que a que hoje oferecemos dialoga com seu projeto de vida? Talvez aqui, em parte, a gente possa também encontrar a razão da queda de desempenho escolar a partir dessa faixa etária. Isso parece bastante razoável se nos debruçarmos numa pesquisa realizada pelo Ministério da Educação intitulada Escuta das Adolescências.

Ela nos mostra que, por exemplo, a etapa onde a aprendizagem desacelera é justamente aquela em que os estudantes se sentem menos acolhidos, menos ouvidos e menos pertencentes ao ambiente escolar. Um dado dessa pesquisa que nos chamou muito a atenção foi a percepção de que "a escola é um bom ambiente para todos aprenderem" cai de 68% entre estudantes do 6° e 7° anos do EF para 53% entre aqueles do 8° e 9° anos.

Quando a escola é capaz de promover um ambiente escolar acolhedor e seguro que dialoga com o projeto de vida de seus estudantes o resultado se traduz, em geral, em mais aprendizagem. Aqui, lembrou Ivan, estamos falando de uma escola que desenvolve uma educação integral aos seus alunos, em conformidade com a Base Nacional Comum Curricular (BNCC).

A nossa conversa não terminou por aqui, pois quase, em seguida, a Organização para a Cooperação e Desenvolvimento Econômico (OCDE) lançou os resultados do Programa Internacional de Avaliação de Estudantes (PISA), mas isso fica para o próximo artigo.

Ivan Pereira é especialista em educação e CEO da Mind Lab

Mozart Neves Ramos é titular da Cátedra Sérgio Henrique Ferreira do Instituto de Estudos Avançados da USP de Ribeirão Preto

 

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