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A corrida pelo Senado em Pernambuco

A partir do próximo dia 16, com a largada oficial da propaganda eleitoral, as duas vagas ao Senado deverão ser decididas voto a voto.

Por Luiz Felipe Bezerra Lopes e Arthur Santos Lira Publicado em 13/08/2026 às 10:28

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Com o fim das convenções partidárias e o “dia do fico” de Túlio Gadêlha (PSD) ontem (12), a disputa pernambucana pelas duas vagas do Senado em 2026 tomou forma. Eduardo da Fonte (PP) impôs sua liderança na Federação União Progressista e ficou com a segunda vaga de senador da chapa da governadora Raquel Lyra (PSD), em detrimento de Miguel Coelho (União Brasil), mesmo que este fora o preferido da atual chefe do executivo estadual. Antes, Raquel já havia escolhido Túlio para a disputa, em um movimento de ampliação à esquerda de sua chapa. Com a saída de Miguel da corrida pelo Senado, Mendonça Filho (PL) articulou com a família Coelho e com o bolsonarismo uma candidatura pelo PL, movimento que embaralha ainda mais a eleição para a Casa Alta.
Até então, eram quatro candidaturas consolidadas: além de Eduardo da Fonte e Túlio Gadelha na chapa da governadora, Marília Arraes (PDT) e Humberto Costa (PT) com o ex-prefeito João Campos (PSB). Com Mendonça no jogo, agora são cinco postulações competitivas. De acordo com a pesquisa Genial/Quaest de julho, a disputa para o Senado em Pernambuco está em aberto. Em todos os cenários, os Brancos, Nulos e Abstenções superam as intenções de voto de Marília Arraes, que lidera entre os candidatos. No caso dos indecisos, em apenas dois cenários as intenções de voto os superam, mostrando que até a eleição tudo pode acontecer. No entanto, mais do que isso, pesquisas de intenção de voto para o Senado costumam confundir, já que o eleitor, usualmente, deixa para decidir esse voto na reta final da campanha.
Nesse cenário, Mendonça possui um ativo estratégico: seu posicionamento político conservador consistente ao longo da sua trajetória. Não é novidade que Pernambuco é um estado lulista: em 2022, por exemplo, o presidente Lula (PT) obteve 66,93% dos votos no 2º turno, perdendo em apenas um único município. No entanto, os 33,07% de votos que o ex-presidente Jair Bolsonaro (PL) teve no estado não são irrelevantes, ao contrário, podem ser suficientes para eleger um senador, e é desse eleitorado que Mendonça tira força. Segundo a pesquisa Genial/Quaest, Mendonça já lidera nos grupos bolsonarista e da direita não bolsonarista.
Não podemos desconsiderar também a influência da eleição para o governo estadual na disputa do Senado. Segundo estudo da Gauss Analítica, dos nove senadores eleitos por Pernambuco desde 2002, 7 eram aliados dos governadores eleitos no mesmo ano. As exceções são as vitórias de Jarbas Vasconcelos (MDB) em 2006, que se beneficiou da divisão das chapas de oposição, e de Teresa Leitão (PT) em 2022, que também contou com uma grande divisão de candidaturas e com a inegável força do petismo no estado. A regra, no entanto, é que candidatos bem-sucedidos ao governo, especialmente quando estão tentando a reeleição, puxem os senadores de suas chapas.
Nesse sentido, com o favoritismo da governadora Raquel Lyra, demonstrado tanto por pesquisas diversas de intenção de voto quanto pelo histórico da força dos incumbentes, acreditamos ser muito provável que ao menos um dos seus candidatos ao Senado seja vitorioso. Enquanto isso, Humberto e Mendonça se destacam pela força de seus partidos e pelas longas trajetórias de militância nos campos petista e antipetista, respectivamente, e não devem ser desconsiderados.
Marília, por sua vez, continua competitiva mas deve ter mais dificuldades, apesar da liderança atual nas pesquisas. Como não está na chapa da governadora, que é favorita, e nem tem a força do PT ou do PL consigo, deve perder força durante a campanha. Essa fragilidade ficou evidente quando o presidente da ALEPE, Álvaro Porto (MDB), rompeu com a candidata, levando consigo cinco prefeitos e uma dezena de vereadores que haviam declarado apoio a Marília. Um claro sinal de que sua candidatura carece de bases municipais sólidas que sustentem essa liderança.
A partir do próximo dia 16, com a largada oficial da propaganda eleitoral, a campanha em Pernambuco terá na corrida pelo Senado uma disputa que deverá ser decidida voto a voto. E se é o Senado onde se reserva a maior demanda de indecisão do eleitorado pernambucano, chegando a ofuscar a disputa pelo Governo do Estado, aqui se reserva a maior emoção das Eleições 2026 em Pernambuco. Quem viver verá.

Luiz Felipe Bezerra Lopes, cientista social pela UFCG e mestrando em Ciência Política pela UFPE
Arthur Santos Lira, cientista político e mestrando em Ciência Política pela UFPE e analista político na Fatto Inteligência Política

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