O indesejado
Sem respeitar a dignidade do cargo, o presidente da Argentina fiel ao seu estilo, abriu a boca suja para agredir pessoas e instituições brasileiras.
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Não bastassem as intervenções inoportunas de Donald Trump e do seu Secretário de Estado, Marco Rubio, nos assuntos internos do nosso País, eis que agora chega, de carona e enfiando a colher suja, o presidente da Argentina, Javier Millei, para participar da convenção partidária que oficializou a candidatura de Flávio Bolsonaro, o Zero Um, à Presidência da República. Nada contra sua presença em qualquer convescote político patrocinado pelos Partidos de direita e de extrema- direita que estejam legalmente registrados e que, também legalmente, venham a disputar cargos eletivos nas próximas eleições, inclusive o mais Importantes de todos eles, que é a Presidência da República.
O que não se pode tolerar é que esse mau visitante, em pleno território nacional, faça críticas públicas e descabidas às autoridades do nosso país, agredindo desde Ministros do Supremo Tribunal até o próprio Chefe da Nação. A quem ele não é obrigado a gostar - mas é obrigado a respeitar. Eles têm seus erros, alguns dignos de críticas, os brasileiros sabem disso e registram seu inconformismo . No entanto, não se aceita, sob qualquer circunstância, que um político forasteiro, de passado pouco recomendável, que tem a irmã, Karina Milei, acusada de corrução e de cobrar propina em contratos superfaturados; que tem o fantasma de um cão como seu conselheiro e vive a lamber as botas de Donald Trump, venha fazer isso. Em solo brasileiro, como foi o caso do .sr Javier Milei.
Sem respeitar a dignidade do próprio cargo, o presidente da Argentina fiel ao seu estilo, abriu a boca suja para agredir pessoas e instituições brasileiras, em favor de um político de extrema direita, como ele, às véspera de uma eleição presidencial que se apresenta indefinida e radicalizada. Provavelmente, pela repercussão negativa, essa intervenção de Javier Milei talvez mais tenha prejudicado do que ajudado na campanha do candidato "Zero Um", que já carrega contra si a fama - justa ou injusta - de ter recebido alguns milhões de Daniel Borcaro, dono do Banco Master, para um filme que ninguém sabe se terminou ou se vai terminar; de ter ajudado Donald Trump a penalizar o Brasil com sobretaxas inaceitáveis sobre as exportações brasileiras, medida de profundo impacto na economia e ameaça da perda de centenas de emprego nas áreas mais atingidas.
Se o candidato busca agora, além do apoio de Trump a ajuda de Milei, temos de concordar que seus apoiadores formam um grupo perigoso, com rejeição de todos os setores da sociedade, garantindo uma ajuda direta para a reeleição do Presidente Lula, que por falta de uma candidatura competitiva e de Centro, deve voltar ao Poder. Terá mais quatro anos para enterrar definitivamente a economia do País. È justo reconhecer que a gestão do Presidente Lula é ruim, que suas medidas paternalistas e eleitoreiras afundam as contas públicas; que ele jamais teve preocupação em conter os gastos do Governo, que ,mais cedo ou mais tarde a corda vai romper e todos os brasileiros pagarão a conta.
Apesar disso, Javier Milei não pode criticar o Brasil. A dívida externa da Argentina ultrapassa os 200 bilhões de dólares; a inflação diminuiu, mas ainda vai além dos 33% anuais; a popularidade do presidente continua caindo, com 59% dos argentinos desaprovando sua gestão. No campo da diplomacia, o Governo brasileiro fez o que manda o ritual: chamou nosso Embaixador de volta ao Brasil e convocou o seu colega argentino para explicações. Bom lembrar que não se pode demonizar nosso vizinho e parceiro comerc ial.
Javier Milei vai passar - mas a Argentina continua, como grande produtor e carne e grãos, Como a a Pátria de Maradona e de Lionel Messi; de Carlos Gardel e Mercedes Sosa, cuja voz falava mais alto do que os gritos dos militares que sequestravam crianças depois de assassinarem seus pais. Esses são certamente os ídolos do presidente Milei, assim como os torturadores brasileiros responsáveis por centenas de mortes, durante a ditadura, entre elas as de Vladimir Herzog e Rubens Paiva, são os cultuados pelo ex-presidente Jair Bolsonaro.
P.S. - O Brasil não é um país para amadores. Em São Paulo, os roubos e assaltos continuam ocorrendo à luz do dia, todos os dias da semana; a Polícia do Estado é apontadas como a mais letal do País; a capital, maior cidade da América Latina, enfrentou este ano diversas crises de fornecimento de energia, com bairros às escuras por vários dias; o fornecimento de água passa por racionamento; o crime organizado amplia suas ações; os crimes fiscais são os maiores do País. Apesar disso, o Governador Tarcísio de Freitas tem altos índices de aprovação, vai disputar o segundo mandato como favorito, pesquisas admitem que ele pode ganhar a eleição no primeiro turno
Ivanildo Sampaio, jornalista