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Um programa de governo para chamar de nosso

Um trabalho de fôlego que auxiliará os candidatos à Presidência da República na reflexão sobre a enorme responsabilidade que se dispõem a assumir.

Por OTÁVIO SANTANA DO RÊGO BARROS Publicado em 11/07/2026 às 5:00

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Na semana passada, o ex-presidente Michel Temer anunciou haver reunido um grupo de influentes personalidades brasileiras para elaborar um programa de governo destinado a estimular uma discussão suprapartidária sobre os desafios do país.

O documento, intitulado Estrada para o Futuro, reúne especialistas das áreas de Energia, Agricultura, Segurança Pública, Políticas Sociais, Direitos das Mulheres, Educação, Relações do Trabalho, Cultura, Inclusão da Pessoa com Deficiência, Política Econômica, Responsabilidade Fiscal, Geoeconomia, Defesa Nacional, Saúde, Política Externa e Tecnologia.

Trata-se de um trabalho de fôlego que auxiliará os candidatos à Presidência da República na reflexão sobre a enorme responsabilidade que se dispõem a assumir.

Da mesma forma, merecerão atenção os programas oficiais desses candidatos que logo serão apresentados à justiça eleitoral. É neles que aparecem, ao menos formalmente, as respostas para perguntas essenciais: o que pretendem fazer, como pretendem fazê-lo, quando pretendem fazê-lo e quanto custará fazê-lo.
Infelizmente, nossa sociedade não se habituou a conhecê-los.
Hoje, uma dancinha publicada no TikTok ou um vídeo viralizado no WhatsApp costuma despertar muito mais interesse do que uma dessas propostas de governo.

Pouco se discute, por exemplo, como enfrentar os desafios da Defesa Nacional em um ambiente internacional cada vez mais instável. Agimos como se essa realidade dissesse respeito apenas aos outros. Afinal, “isso não vai acontecer por aqui”.

Recordo-me de que, ao preparar-me para os exames de admissão à Escola de Comando e Estado-Maior do Exército (ECEME), estudei os programas de governo apresentados por candidatos como Fernando Henrique Cardoso, Luiz Inácio Lula da Silva e Ciro Gomes.
Além de servirem como fonte de conhecimento para as provas, ofereciam uma excelente oportunidade para compreender diferentes visões sobre o futuro do país.

É verdade que muitos desses compromissos acabam parcialmente abandonados depois da posse. Ainda assim, continuo acreditando que conhecer previamente o pensamento, a filosofia e as prioridades dos candidatos e de suas equipes é indispensável para o exercício consciente do voto.

No meu caso, por força da profissão, dedico especial atenção aos temas relacionados à Defesa Nacional. Não quero que o meu país corra o risco de pagar aluguel pela própria defesa eternamente. Um exemplo bate à nossa porta: a dependência criada por boa parte da Europa, após a Segunda Guerra Mundial, em relação ao suporte militar dos Estados Unidos e hoje colocado em xeque.

É nesse campo que gostaria de ouvir respostas diretas.
Senhor candidato:
- Como o senhor enxerga as relações entre o Soldado e o Estado no âmbito dos regimes democráticos?
- Como o senhor define Soberania Nacional e qual será o papel das Forças Armadas na proteção desse bem comum?
- O orçamento brasileiro de Defesa, hoje em torno de 1,1% do PIB, é suficiente para as necessidades estratégicas do país? Caso não seja, qual percentual considera adequado e como pretende alcançá-lo?
- Seu projeto de governo adotará uma política capaz de oferecer previsibilidade orçamentária e segurança contratual à Base Industrial de Defesa brasileira?
- Como o senhor percebe o Serviço Militar obrigatório na missão de instrumento de mobilização e auxiliar da evolução cidadã daqueles jovens?
- O senhor empregará as Forças Armadas no enfrentamento direto ao crime organizado?
- Como integrará a Defesa Nacional às políticas de Estado conduzidas pelos demais ministérios?
Há muitas outras questões sobre a Defesa gritando nas prateleiras dos problemas nacionais e aguardando respostas das lideranças políticas.

Durante a campanha, se os candidatos responderem objetivamente perguntas como essas sobre todos os campos do poder nacional, o debate eleitoral ganhará em qualidade.
Por instigá-los, também assumiremos maior responsabilidade pela escolha da estrada que nos conduzirá ao futuro.

Otávio Santana do Rêgo Barros, general de Divisão da Reserva

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