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João Carlos Paes Mendonça: O futuro não se constrói com discursos

O empresariado precisa liderar algumas discussões. O povo brasileiro é inovador e trabalhador, mas vem sendo sufocado por um cenário complexo.

Por JOÃO CARLOS PAES MENDONÇA Publicado em 01/01/2026 às 6:00

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Projetar dias melhores para o ano que se inicia só se sustenta quando há mais do que crença na construção de um novo tempo. Sem convicção de onde se quer chegar e sem mudança de comportamento, há o risco de oscilar entre a ingenuidade e a demagogia. É preciso romper a própria bolha, ter a capacidade de olhar ao redor e pensar nas consequências, ao contrário de atuar apenas visando ao “dia seguinte”. É imperativo entender as dificuldades coletivas e agir no sentido de resolvê-las.

Eu, se fosse olhar apenas para os negócios do Grupo JCPM, teria motivos para estar tranquilo, tendo em vista que nossas metas foram todas alcançadas em 2025. Mas, como cidadão, empresário e empreendedor nordestino, quando penso no Brasil e no atual cenário, fico profundamente preocupado.

É preciso haver uma reformulação geral e o fim da apatia da sociedade perante o modelo atual. O funcionamento da República e da democracia plena, no nosso país, vive uma crise sem precedentes. Retomar a harmonia entre os Poderes Executivo, Legislativo e Judiciário, ao contrário de seguirmos assistindo à guerra atual, passa, sobretudo, pela definição clara do papel que cabe a cada um. Não há vencidos nem vencedores nessa disputa. Com certeza, perdemos todos.

E os problemas se acumulam: mais de 70 milhões de pessoas sem acesso ao crédito por conta do endividamento; gestores que fazem projetos imediatistas visando à reeleição; máquina pública pesada, cuja principal consequência é a elevada carga tributária; e uma burocracia que desanima dos pequenos aos grandes empresários. Seguimos sem sair do círculo vicioso em que estamos: crescimento lento, com altos e baixos, insegurança jurídica e a iniciativa privada receosa de novos investimentos. Como consequência, há menos geração de emprego e de renda. A roda da economia não gira como deveria.

E não são problemas atuais deste ou daquele governo. São décadas de promessas, discursos e pouca resolutividade.

O empresariado, por sua vez, precisa liderar algumas discussões, visando aumentar sua própria capacidade de investimento. O povo brasileiro é inovador e trabalhador, mas vem sendo sufocado por um cenário complexo. Os órgãos de classe, que um dia já tiveram voz altiva, hoje se isolam, sem usar a própria capacidade de articulação em prol do Brasil.

Não busco aqui causar desânimo. Pelo contrário, em minha trajetória de empresário, foi nos momentos de dificuldade que surgiram as maiores inovações, as melhores reviravoltas e os ganhos de mercado. Mas o primeiro passo para resolver os problemas é identificá-los, entender as causas e mapear soluções.

Seguir acreditando que somos o “País do futuro”, com o presente que temos e com tantos problemas do passado, é continuar boicotando as atuais e futuras gerações. É retardar uma mudança de rota que já deveria ter sido iniciada há décadas. É manter o Nordeste dependente de programas sociais em virtude de uma pobreza histórica, cuja causa central está na falta de infraestrutura, na educação e em projetos que ignoram as questões e necessidades climáticas.

O cidadão, por outro lado, precisa valorizar o poder que tem em mãos, pois a indignação e a consciência, na hora do voto, são as verdadeiras fortalezas para mudar o rumo da Nação. Nós, do Sistema Jornal do Commercio de Comunicação, vamos nos manter atentos aos temas prioritários para a sociedade, sendo vigilantes e independentes, com rádio, TV, jornal e portal sem partido, porém políticos, representando ideias e interesses coletivos.

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