Editorial JC: O país do presente
Como enfatiza o empresário João Carlos Paes Mendonça, "é imperativo entender as dificuldades coletivas e agir no sentido de resolvê-las"
Clique aqui e escute a matéria
A virada do ano é propícia à criação de expectativas e à renovação de propósitos, em todas as esferas da vida. Tanto individual quanto coletiva. No dia universal da paz, os ânimos se dispõem ao planejamento benevolente do que pode vir nas próximas semanas e meses. E no âmbito dos governos e parlamentos, o dever aproxima o que se desenhou do que é necessário ser feito. A virada do tempo obriga a uma virada no olhar da gestão pública: sai a previsão do calendário, chega a agenda da realidade, com suas demandas antigas e urgências inadiáveis.
Como enfatiza o empresário João Carlos Paes Mendonça, diretor do Grupo JCPM, do qual faz parte o Sistema Jornal do Commercio de Comunicação, em artigo publicado neste 1° de janeiro, "é imperativo entender as dificuldades coletivas e agir no sentido de resolvê-las". Cada ano que passa, é maior o passivo de promessas não cumpridas no Brasil, que já foi chamado de país do futuro, mas parece mais um vasto território tomado pelo atraso. Se não faltam evidências das dificuldades coletivas, repletas de diagnósticos e projetos, faltam proporcionais decisões para aplicar as soluções prometidas com celeridade e eficiência.
A preocupação externada pelo empresário de longa experiência e acurada visão estratégica sobre o estado, o Nordeste e o país, é sintomática de uma situação que perdura e aflige todos os brasileiros. O acúmulo de problemas passa pelo aumento da dívida pública formada por governos que não consideram a eficiência de gastos como prioridade, a corrupção como entrave ao desenvolvimento, ou a demora na solução dos gargalos que atrapalham a nação. "O funcionamento da República e da democracia plena, no nosso país, vive uma crise sem precedentes. Retomar a harmonia entre os Poderes Executivo, Legislativo e Judiciário, ao contrário de seguirmos assistindo à guerra atual, passa, sobretudo, pela definição clara do papel que cabe a cada um", aponta Paes Mendonça.
A carga tributária, a dificuldade de crédito, a burocracia e a visão estreita de gestores públicos mais interessados na próxima eleição do que no bem-estar coletivo, elevam o sinal de alerta e ampliam a sensação de defasagem institucional. Os poderes em conflito não colaboram para o ambiente ideal para a justiça social e o crescimento econômico solicitados em um país que corre atrás de prejuízos, ano após ano. "Seguimos sem sair do círculo vicioso em que estamos: crescimento lento, com altos e baixos, insegurança jurídica e a iniciativa privada receosa de novos investimentos. Como consequência, há menos geração de emprego e de renda. A roda da economia não gira como deveria", resume o diretor do Grupo JCPM.
Precisamos abandonar miragens de um futuro de repetidas promessas, e assumir, juntos, setor público e sociedade, governos e iniciativa privada, entidades não governamentais e meio acadêmico, a missão de trazer o horizonte da nação para o presente. O poder da cidadania há de ser assim valorizado, respeitado e aproveitado em prol de um tempo em que a esperança floresça junto às ações consequentes, por um Brasil melhor, sem mais um ano a perder.