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Presente, professor!

Que seja reconhecido o professor, amparado por salários condignos, por reciclagens e capacitações, como gente e sem proselitismo.......

Por ROBERTO PEREIRA Publicado em 15/10/2025 às 0:00 | Atualizado em 15/10/2025 às 11:02

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Neste 15 de outubro, dia consagrado aos professores, nada mais oportuno do que refletir sobre o magistério, as práticas pedagógicas, a educação e a que níveis chega o reconhecimento dos méritos dos que se dão por inteiro a esta causa tão ingente, quanto magnificente e nobre.

Ministrando suas aulas, o professor, condutor da aprendizagem, deve, alegre e descontraidamente, ao aluno de quaisquer níveis, o bem da ministração dos conhecimentos necessários à construção do seu destino.

Ninguém desconhece a imperiosa necessidade de termos em nossa sociedade, pessoas bem-formadas, competentes, cônscias de suas obrigações, deveres e direitos, prenhes de cidadania, para atuarem, positivamente, nos mais variados setores, realizando atividades diversas voltadas ao bem comum.

É conhecido o verso, ainda no anonimato, de um aluno brasileiro, movido a ranço à figura do professor:

"O erro do médico / a terra cobre. / O erro do aluno / o professor descobre."

Percebe-se o gosto amargo do aluno à pessoa do professor, como se este fosse a expressão viva da punição. Ao contrário, os erros apontados são as suas correções à segurança do ensino-aprendizagem, da formação moral e ética.

Por isso, defendo, entre os professores, a missão de sempre trabalhar a derivada positiva. Ser um estímulo aos estudos e aprendizados dos seus alunos.

A nota zero anula o aluno, reduzindo-o ao nada no universo dos saberes e dos fazeres. Podendo, deve ser evitada.

O professor é a alma da escola. É ele quem dá vida ao currículo, quem inspira os alunos, quem planta as sementes do conhecimento e da cidadania. Valorizar o professor é valorizar a educação, é investir no futuro da nação.

Ele é um construtor do conhecimento, sempre intuindo motivação aos acertos e não somente punição aos desacertos.

O professor tem de ser um mestre, se quiser fazer de cada aluno, um estudante.

Motivação, portanto, a palavra-chave, animadora do processo ensino-aprendizagem. O prazer pelos estudos, o gosto em descobrir novas verdades, como se o conhecimento fosse - e é - à Huxley, um "admirável mundo novo" descortinado à frente de quem lê, de quem, sendo aluno, sabe ser estudante.

A razão primordial da escola é o aluno. Daí por que todas as atividades têm de se dirigir a ele, como receptor maior do acervo do conhecimento. Diante disso, o professor deve ser uma caixa de ressonância à bondade, ao conhecimento, ao humanismo, à alegria e à vida. Vale, aqui, lembrar o educador Lauro de Oliveira Lima, quando, enfático, afirma: uma aula triste é uma triste aula, nunca deveria ser dada.

O ensino, à Michelet, é uma grande amizade!

A melhor pedagogia, cada vez mais imperiosa aos dias atuais, é a da amizade. O humano como molho às técnicas do ensino-aprendizagem, servindo e se servindo de todos os avanços tecnológicos que formam o cenário deste século, já assinalado como sendo o da Inteligência Artificial, que vem descortinando um novo caminhar às gerações atuais.

A escola deve reconhecer necessidade de se pautar também pela integração social de cada educando, sendo vivências e convivências conjuminadas, coesas e harmonicamente, na busca do homem pleno.

O aluno, gente e agente do processo educacional, precisa ser compreendido na sua dimensão humana, cabendo-lhe os incentivos aos estudos e às pesquisas, à inovação tecnológica, surgências e insurgências, quando do pensamento cognitivo.

Veja-se no poema "Professor", de Carlos Drummond de Andrade, a visão do aluno-gente que o poeta, com a sua sensibilidade humanística, deixa transparecer na sua arte:

"O professor disserta / sobre um ponto difícil do programa. / Um aluno dorme, / cansado das canseiras desta vida. / O professor vai sacudi-lo? / Vai repreendê-lo? / Não, o professor baixa a voz / com medo de acordá-lo."

Segundo Paulo Freire, ser professor é construir o conhecimento através do diálogo e da reflexão com os alunos, agindo como um facilitador e mediador, não como um detentor de todo o saber.

É um ato de amor, coragem e compromisso com a transformação social. O educador freiriano estimula a autonomia intelectual dos estudantes para que eles se tornem cidadãos críticos, capazes de ler e intervir no mundo.

Através de recursos, como a internet, softwares, plataformas on-line, gamificação, robótica e inteligência artificial, a tecnologia apoia gestores, professores e alunos, tornando o aprendizado mais dinâmico e preparando os estudantes para um mundo digital, que é o mundo que estamos, de há muito, respirando e vivendo.

E, no elenco das relações sociais, a educação é, sem hesitações, a de maior relevância, afinal, é um agrupamento de ações que é capaz de construir e transformar valores, hábitos e costumes de uma sociedade, que são transferidos a cada geração para que pessoas possam conviver e crescer em sociedade.

Nesse ângulo de visada, o papel do professor na atualidade é fundamental, uma vez que ele é o profissional que guiará toda uma geração de alunos para cumprir a missão que a educação tem na sociedade.

Conciliar o exercício do humanismo com a tecnologia é o desenho que melhor retrata o professor dos dias atuais. Às escolas, as capacitações e as motivações à vida na sua ambiência para que haja liberdade de expressão e os preparativos ao futuro de seus educandos.

Essa missão não deve caber somente aos professores. Outros ombros, a exemplo das escolas e das famílias, precisam se juntar na meritória missão de bem formar os seus aprendizes, os seus filhos.

Que seja reconhecido o professor, amparado por salários condignos, por reciclagens e capacitações, também como gente e não como um ser superior na miragem do proselitismo praticado.

Em uníssono, a sociedade brasileira clama e proclama: presente, professor!

Roberto Pereira , membro efetivo e benemérito do Instituto Arqueológico, Histórico e Geográfico Pernambucano, do Instituto Histórico, Arqueológico e Geográfico de Goiana, da Academia de Artes e Letras de Goiana, da Academia Brasileira de Eventos e Turismo e da Academia Pernambucana de Letras.

 

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