Valorização docente: um compromisso que o Brasil ainda precisa cumprir
Reconhecer o papel essencial do professor é o primeiro passo. O segundo é agir, como cidadãos, como gestores públicos e como comunidade.
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Às vésperas da celebração de mais um Dia do Professor, nesta quarta-feira, 15 de outubro, uma notícia recente divulgada pela imprensa não causa surpresa, mas nos entristece e reforça a importância de políticas e ações voltadas para os docentes. Somente 14% dos professores brasileiros sentem que sua profissão é valorizada pela sociedade, de acordo com a Pesquisa Internacional sobre Ensino e Aprendizagem (Talis), realizada pela OCDE, a Organização para a Cooperação e Desenvolvimento Econômico.
O Brasil tem, na educação básica, 47,8 milhões de alunos, 2,3 milhões de professores e 179 mil escolas. Em Pernambuco são 2,1 milhões de estudantes, 91 mil professores e 7.993 escolas de educação básica. A maioria dos alunos está na escola pública: 80% das matrículas, considerando o cenário nacional, e 75,7% observando a realidade estadual.
Essa pesquisa revelou que o Brasil está entre as 10 nações com menor percentual de reconhecimento profissional, considerando a perspectiva do professor. Entre 53 países avaliados, temos o nono menor índice, 14,1%. A média dos países da OCDE é de 22%.
Outros indicadores chamam a atenção: apenas 22% dos mestres brasileiros afirmaram estar satisfeitos com a remuneração recebida, percentual inferior à média da OCDE, que é de 39%. E mais da metade dos docentes do País critica as condições de trabalho: 56% demonstram insatisfação quando indagados.
A falta de valorização compromete não apenas a qualidade do ensino, mas também a atração e a permanência de novos educadores. Um estudo recente do Instituto Semesp projeta que, até 2040, o Brasil poderá enfrentar um déficit de 235 mil professores na educação básica. O motivo é uma combinação perigosa: abandono precoce da profissão, envelhecimento da categoria e falta de interesse dos jovens pelas licenciaturas.
Essa rejeição à carreira, já apontada desde 2010 por pesquisa da Fundação Carlos Chagas, tem raízes em fatores diversos: desde a ausência de identificação com a docência até a percepção negativa sobre as condições de trabalho e o retorno financeiro. Muitos jovens que até gostariam de ensinar acabam desmotivados.
No Congresso Nacional, está em tramitação o texto do novo Plano Nacional de Educação (PNE), que deve passar a valer no próximo ano. Aqui em Pernambuco também precisamos discutir o Plano Estadual de Educação para definir as metas educacionais para os próximos 10 anos.
A docência talvez seja a única profissão com a qual todos temos contato ao longo da vida. Cada médico, engenheiro, cientista, deputado ou artista foi, antes de tudo, aluno de um professor. No entanto, contraditoriamente, quem forma todas as outras profissões segue sem o reconhecimento necessário.
Valorizar o professor significa garantir condições dignas de trabalho, salários justos, formação continuada e respeito social. Significa também estimular os jovens a escolherem o caminho da educação, não por falta de opção, mas por vocação e por enxergarem na sala de aula um espaço de realização e impacto social.
Porque mais do que uma pauta de governo, a valorização docente é uma causa nacional. Envolve políticas públicas, sim, mas também o olhar da sociedade sobre quem ensina. A cada vez que um professor é desrespeitado, que sua formação é desconsiderada ou seu salário é negligenciado, o país perde mais do que um profissional: perde a chance de construir um futuro melhor.
Reconhecer o papel essencial do professor é o primeiro passo. O segundo é agir, como cidadãos, como gestores públicos e como comunidade. Porque sem professores valorizados, não há educação de qualidade.
Jarbas Filho, deputado estadual