A UFPE e a missão civilizatória das universidades em tempos de autoritarismo
A UFPE reafirma seu papel histórico ao cruzar o oceano — não para impor ou subjugar, mas para compartilhar, dialogar e integrar saberes

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Ao longo dos séculos, as universidades têm contribuído decisivamente para o desenvolvimento da humanidade em todas as suas nuances, tornando-se elementos indissociáveis do avanço civilizatório. O pensamento crítico e a prática, muitas vezes disruptiva, fazem da universidade um espaço catalisador da indignação frente às injustiças e um dos primeiros focos de resistência ao autoritarismo. Não à toa, governos autocráticos e fascistas costumam direcionar suas forças contra as universidades e seus atores. O mundo encontra-se em estado de alerta, assistindo ao crescimento de movimentos políticos extremistas que se espalham desde pequenas nações até a maior economia do planeta.
Nesse contexto, a universidade é novamente chamada a exercer seu papel histórico e essencial: impulsionar o progresso humano e defender os valores democráticos. Cabe às universidades públicas o compromisso de integrar saberes científicos e populares por meio do diálogo direto com a sociedade. Esse intercâmbio leva inovações científicas às comunidades e, ao mesmo tempo, traz demandas reais para serem trabalhadas à luz do conhecimento, em um movimento denominado extensão universitária — um dos pilares da universidade pública brasileira.
A UFPE, por meio do projeto de extensão "UFPE no Meu Quintal", promove uma troca horizontal e efetiva de saberes entre a academia e a sociedade, tanto no Brasil quanto no exterior. Em setembro, embarcará rumo a Moçambique em uma parceria com a Universidade Federal do Rio Grande do Norte (UFRN). Em tempos marcados por ataques à soberania e às instituições democráticas, fortalecer a integração entre países e instituições do Sul Global representa um caminho possível rumo à superação das lógicas coloniais e à promoção de um desenvolvimento mais justo e sustentável.
Neste novo chamado, a UFPE reafirma seu papel histórico ao cruzar o oceano — não para impor ou subjugar, mas para compartilhar, dialogar e integrar saberes com nossos irmãos e irmãs do além-mar.
José Eduardo Garcia e Sérgio Matias da Silva, coordenadores-executivos do Projeto UFPE no Meu Quintal