Ópera clássica italiana ganha versão nordestina gratuita no Recife
Montagem de "La Serva Padrona" mistura humor, música e elementos regionais em quatro apresentações no Teatro Hermilo Borba Filho
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Uma das mais célebres óperas cômicas italianas, La Serva Padrona, de Giovanni Battista Pergolesi, ganha uma nova leitura com sotaque e referências nordestinas.
O espetáculo será apresentado gratuitamente no Teatro Hermilo Borba Filho, no Bairro do Recife, de 8 a 11 de outubro, às 19h30.
A proposta une a leveza da comédia clássica à expressividade da cultura regional, aproximando o público local da tradição lírica europeia.
Sobre a ópera
A montagem combina textos (recitativos) em português e músicas (árias) em italiano, incorporando expressões populares e elementos típicos no figurino e no cenário, como o algodão cru, o chapéu de vaqueiro, o cesto de palha e até uma tapioca no enredo.
O resultado é uma ópera bufa que dialoga com o cotidiano nordestino sem perder a essência da obra original de 1733.
História
Com apenas três personagens, Uberto, o patrão; Serpina, a serva; e Vespone, o criado silencioso, a peça narra as artimanhas de Serpina para conquistar o coração e o status do chefe.
Cansado de sua rebeldia, Uberto decide se casar para dispensar a empregada, mas a jovem cria um plano astuto: finge estar prometida ao fictício Capitão Trovão, vivido por Vespone, para despertar o ciúme do patrão e levá-lo ao altar.
Os personagens refletem traços de personalidades marcantes. Uberto representa o homem fogoso, mas já distante da juventude; Serpina, a pequena serpente astuta; e Vespone, a vespa ligeira e brincalhona, que diverte o público com gestos e expressões.
Mais informações
A direção geral é de Luiz Kleber Queiroz, com direção musical da maestrina Maria Aida Barroso, ambos do Departamento de Música da UFPE.
Nos dias 8 e 10, Osvaldo Pacheco (Uberto) e Karla Karolla (Serpina) assumem os papéis principais; já nos dias 9 e 11, Anderson Rodrigues e Gleyce Vieira se apresentam nos mesmos papéis. Marcondes Lima interpreta Vespone em todas as sessões.
A execução musical é feita por um sexteto de câmara formado por Singrid Souza (violino 1), Júlia Paulino (violino 2), Letícia Santos (viola), Gabriel David (violoncelo), Rebeca Furtado (contrabaixo) e Maria Aida Barroso (cravo).
Com duração de cerca de 50 minutos, a nova produção tem direção de arte de Marcondes Lima e produção de Matheus Soares, da 25 Produções.
O cenário ambienta a história em uma casa do interior nordestino, misturando elementos da Commedia Dell’Arte e do sertão, com adereços artesanais que reforçam a identidade local.