Segurança | Notícia

Grupo de detentos do Presídio de Igarassu aplicou golpes em pelo menos 40 vítimas no País

Mandados de prisão foram cumpridos contra cinco presos nesta quarta-feira (4). Criminosos se passavam por membros de facções para extorquir vítimas

Por Raphael Guerra Publicado em 04/03/2026 às 9:46 | Atualizado em 04/03/2026 às 11:19

Clique aqui e escute a matéria

Pouco mais de um ano após a megaoperação que freou um forte esquema de corrupção no Presídio de Igarassu, no Grande Recife, a unidade volta a ser alvo de cumprimento de mandados de prisão contra detentos. Nesta quarta-feira (4), uma operação desarticulou um grupo que aplicava golpes e extorquia vítimas do Distrito Federal e de outras regiões do País. 

A investigação foi iniciada em dezembro de 2025, depois que um morador de Taguatinga (DF) procurou uma acompanhante em um site e depois passou a ser extorquido por ligações telefônicas feitas por supostos integrantes de facções criminosas. Com medo das ameaças, ele acabou transferindo R$ 700 para os autores.

A vítima procurou a 17º DP do Distrito Federal e registrou a queixa, que começou a ser apurada. 

"Identificamos que esse grupo, a maioria dos integrantes, está recolhido no Presídio de Igarassu. Eles passam toda a madrugada fazendo ligações telefônicas para vítimas do Brasil inteiro. A gente identificou cerca de 40 pessoas que acabaram fazendo transferência para esses presos", relatou o delegado Thiago Boeing. 

COMO ERA O GOLPE?

De acordo com o delegado, as ameaças e cobranças de dinheiro ocorriam sempre por ligações telefônicas. Antes, porém, os detentos faziam uma pesquisa prévia para simular que faziam parte de facções.

"Normalmente eles pesquisam para saber naquela região onde a pessoa mora qual é a facção que atua e falam que essa pessoa estaria denunciando o tráfico de drogas na localidade. Eles dizem que tem um carro parado na porta da casa da pessoa, com várias pessoas armadas, e a pessoa [vítima] acaba ficando apavorada e faz uma transferência bancária", contou o delegado. 

OPERAÇÃO CONTRA DETENTOS DE IGARASSU

A investigação da Polícia Civil do Distrito Federal identificou cinco presos que seriam os líderes dos golpes. "Mas eles também contavam com apoio de familiares e até mesmo de um adolescente. Eles eram responsáveis por habilitar as linhas telefônicas e receber o dinheiro das transferências bancárias", disse Thiago Boeing. 

Na operação, com apoio da Polícia Civil de Pernambuco, foram cumpridos dez mandados de busca e apreensão e cinco mandados de prisão preventiva, além de ordens de restrição de visitas, no Recife, Jaboatão dos Guararapes e Igarassu.

"Os familiares estão proibidos de visitar esses presos e manter contato com eles na cadeia", explicou o delegado. 

Os investigados vão responder pelos crimes de extorsão, organização criminosa e lavagem de capitais. 

BUSCAS TAMBÉM NO PRESÍDIO

Em nota oficial, a Secretaria de Administração Penitenciária e Ressocialização (Seap) informou que, com o apoio da Polícia Penal de Pernambuco, foi realizada ação de busca e apreensão no Presídio de Igarassu.

Sobre a situação na unidade, a Seap afirmou que "vem desenvolvendo, de forma planejada e contínua, ações de prevenção à entrada de materiais ilícitos ou irregulares nas unidades prisionais em todo o Estado, além da realização de revistas periódicas no interior dos estabelecimentos penais".

 

Compartilhe

Tags