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Internações por tiros no País custaram R$ 556 milhões ao governo federal em 10 anos

Estudo indicou que o Nordeste liderou entre as regiões com maior número de feridos em hospitais em 2024. Pernambuco teve taxa acima da média nacional

Por Raphael Guerra Publicado em 18/12/2025 às 8:00 | Atualizado em 18/12/2025 às 9:24

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As armas de fogo, usadas em 71% dos homicídios registrados no País, são um problema de segurança, mas também provocam prejuízos milionários à saúde pública. Novo estudo do Instituto Sou da Paz, divulgado nesta quinta-feira (18), aponta que R$ 556 milhões foram gastos pelo governo federal com internações de pessoas feridas a tiros na última década. A média foi de R$ 55 milhões por ano.

A 3ª edição da pesquisa "Custos da Violência Armada: gastos da saúde pública com atendimento de vítimas de armas de fogo" foi produzida a partir de dados do Sistema de Informações Hospitalares (SIH) até 2024.

No último ano, as unidades de saúde pública brasileiras internaram 15,8 mil pessoas para o tratamento de ferimentos provocados por armas de fogo, gerando um custo de R$ 42,3 milhões para o Sistema Único de Saúde (SUS). 

O gasto médio de uma internação para tratamento de lesão por arma de fogo foi de R$ 2.680 em 2024. Esse valor foi 159% maior do que o investimento federal com saúde per capita no mesmo ano, que foi de R$ 1.033,57.

A região Nordeste liderou em número de internações em 2024 (42% do total). Entre os estados, o Ceará ficou em primeiro lugar, com taxa de 19,3 vítimas por 100 mil habitantes. O resultado foi acima da média nacional, que foi de 7,4 internações por ferimentos a bala. Pernambuco, em 10º lugar, também apresentou taxa superior (9,7). 

GASTOS PODEM SER AINDA MAIORES

A diretora-executiva do Instituto Sou da Paz, Carolina Ricardo, destacou que os gastos com as internações podem ser ainda maiores, porque a análise foi feita baseada apenas nos custos do governo federal.

"O cálculo da pesquisa não inclui os atendimentos ambulatoriais em unidades da saúde relacionados a ferimentos por arma de fogo que não necessitam de internação, nem as reabilitações físicas e psicológicas posteriores à alta hospitalar, pois há falta de informações desagregadas que permitam calcular esses valores. Também não há dados públicos que permitam mensurar o uso de recursos estaduais e municipais que integram o SUS nos casos que envolvem violência armada", explicou. 

Segundo o levantamento, 77,3% das pessoas internadas por ferimentos a bala foram vítimas da violência armada. Já 14,6%, ficaram feridas por acidente. Causas indeterminadas representaram 4,7%. Por fim, 3,5% das lesões foram autoprovocadas.  

HOMENS JOVENS E NEGROS SÃO MAIORIA DAS VÍTIMAS DE TIROS

ACERVO JC IMAGEM
Adolescentes e jovens, com idades entre 15 e 29 anos, representam 52% dos internados por tiros no Brasil - ACERVO JC IMAGEM

O perfil das pessoas internadas por tiros é parecido com o das mortas por arma de fogo, reiterando que as vítimas, em geral, têm gênero, raça e idade. Ao todo, 89% dos pacientes são homens e 82% são negros.

Adolescentes e jovens, com idades entre 15 e 29 anos, representam 52% dos internados. Os adultos, entre 30 e 39 anos, 23%. 

Na avaliação do instituto, a pesquisa evidencia que a violência armada está profundamente associada às desigualdades estruturais da sociedade brasileira e deve ser compreendida como um grave problema de saúde pública. 

"O país precisa de políticas públicas para redução dessas violências e internações, que implicam o controle responsável do acesso a armas de fogo, o aumento da capacidade de investigação dos crimes e punição dos agressores, além de medidas de prevenção focalizadas nos grupos mais atingidos", pontuou Carolina.

AÇÕES PARA COMBATER CRIMES EM PERNAMBUCO

Em Pernambuco, a Secretaria de Defesa Social (SDS) afirmou que vem intensificando as ações de combate à circulação de armas de fogo irregulares e ao crime organizado. Em 2025, segundo a pasta estadual, houve a menor taxa de mortes violentas intencionais por 100 mil habitantes de toda a série histórica, iniciada em 2004, com índice de 32,44.

"O dado representa uma queda expressiva quando comparado ao pior ano da série, em 2017, que registrou taxa de 57,27. Entre 2017 e 2025, a redução evidencia uma evolução consistente dos indicadores de segurança pública no Estado", disse.

A SDS informou ainda que, desde o início de 2023, foram apreendidas 17.697 armas de fogo no Estado, retirando armamentos de circulação e prevenindo crimes graves.

"O enfrentamento ao crime organizado tem sido reforçado por operações especiais de caráter interestadual, como a Divisa Integrada, realizada em parceria com os estados do Ceará, Paraíba e Piauí; a operação Vale do São Francisco Seguro, com a Bahia; e a Nordeste Integrado, que envolveu ações conjuntas nas divisas de oito estados nordestinos."

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