Grupo com presidiários em Pernambuco movimentou R$ 27 milhões em dois anos, diz polícia
Pelo menos 24 mandados de prisão foram cumpridos em operação nesta quinta-feira (27). Treze deles foram em unidades prisionais do Estado
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Uma operação deflagrada pela Polícia Civil de Pernambuco, nesta quinta-feira (27), expôs novamente a falta de controle do Estado com o sistema prisional. Dos 24 mandados de prisão cumpridos no País, 13 foram em presídios pernambucanos, demonstrando que criminosos seguem atuando livremente mesmo atrás das grades.
A Operação Efeito Helicóptero II, desdobramento de outra realizada em 2023, prendeu suspeitos de integrar uma organização criminosa especializada no tráfico de drogas e lavagem de dinheiro. A polícia calcula que, nos últimos dois anos, o grupo movimentou ao menos R$ 27 milhões.
Presidiários estavam entre os líderes, incluindo Lyferson Barbosa da Silva, que é acusado de ter comandado um forte esquema de corrupção no Presídio de Igarassu, no Grande Recife, nos últimos anos. Também é apontado como autor de homicídios - como o do médico cardiologista Arthur Eugênio, ocorrido em Jaboatão dos Guararapes, em 2014.
Atualmente, Lyferson cumpre pena na Penitenciária Federal de Campo Grande, no Mato Grosso do Sul.
Um dos principais fornecedores de drogas no Grande Recife também foi capturado nessa fase da operação. O nome dele não foi revelado.
INVESTIGAÇÃO COMEÇOU APÓS APREENSÃO DE COCAÍNA
A investigação contra a organização criminosa teve início após a prisão em flagrante de um suspeito que guardava mais de 23 quilos de cocaína no bairro de Jardim São Paulo, na Zona Oeste do Recife.
"A partir disso, fomos apurar quem eram os fornecedores e responsáveis pela droga. Avançamos e identificamos presidiários do sistema de Pernambuco. Eles tinham contato com outros estabelecimentos penais e usavam contas emprestadas de 'laranjas' para movimentações. Na primeira fase da operação, chegamos a 20 estados do Brasil onde o grupo já estava atuando", disse o delegado José Custódio, responsável pelo inquérito.
Na primeira fase, deflagrada em 25 de outubro de 2023, a Polícia Civil cumpriu pelo menos 50 mandados de prisão. A investigação indicou que, entre 2021 e 2022, o grupo movimentou cerca de R$ 500 milhões com o tráfico de drogas e lavagem de dinheiro.
A investigação continuou e, nesta segunda fase, novos mandados foram cumpridos, expedidos pela 5ª Vara Criminal da Comarca do Recife. A polícia também identificou quatro empresas, sendo duas fantasmas em Pernambuco, ligadas à organização criminosa para lavagem de dinheiro.
Uma mulher, que é beneficiária do Bolsa Família, também foi presa. A investigação identificou que a conta bancária dela movimentou mais de R$ 320 mil nos últimos dois anos.
APREENSÃO DE CARROS, IMÓVEIS E ARMAS
Com a nova operação, a polícia apreendeu veículos, imóveis e conseguiu autorização judicial para o bloqueio de contas bancárias. O delegado destacou, ainda, como parte das apreensões foram realizadas.
"Em Minas Gerais, a gente encontrou uma variedade de drogas. Já em Pernambuco, encontramos duas armas de fogo em fundo falso de um micro-ondas. Também estava escondido dentro de sofá mais de R$ 12 mil", detalhou.
A operação também foi realizada no Paraná, em São Paulo, no Mato Grosso do Sul e em Rondônia.