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Acusado de liderar corrupção no Presídio de Igarassu vira réu por morte de suposto informante da polícia

Lyferson Barbosa da Silva, que acumula processos de homicídio e tráfico de drogas, agora responde por novo crime. Policial militar também é denunciado

Por Raphael Guerra Publicado em 27/11/2025 às 10:30

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Acusado de liderar o forte esquema de corrupção no Presídio de Igarassu, no Grande Recife, envolvendo servidores públicos, o presidiário Lyferson Barbosa da Silva agora é réu por mais um homicídio. Desta vez, a acusação é de que ele planejou e ordenou a morte de um suposto informante da polícia. 

A Justiça aceitou a denúncia do Ministério Público de Pernambuco (MPPE) contra Lyferson e mais dois acusados: o policial militar Ivanildo Oliveira dos Santos Filho e Neilson Agostinho da Fonseca Ferreira. O trio, com prisões preventivas decretadas, virou réu por homicídio duplamente qualificado (motivo torpe e sem chance de defesa da vítima).

A coluna Segurança teve acesso com exclusividade ao novo processo. O assassinato atribuído aos acusados ocorreu em 4 de abril de 2025. Segundo as investigações, Givanildo Vicente Firmino estava em um bar, no bairro de Dois Carneiros, em Jaboatão dos Guararapes, quando foi surpreendido por Nielson, Ivanildo e José Marcelo (já falecido). 

Testemunhas relataram que Nielson chamou a vítima pelo nome e, logo depois, os outros dois atiraram. Foram encontradas dez marcas de tiros no corpo de Givanildo, sendo três na cabeça. "O homicídio teria ocorrido por determinação e planejamento do denunciado Lyferson", apontou a denúncia do MPPE. 

As investigações indicaram que os réus são integrantes de um grupo especializado no tráfico de drogas no bairro de Cavaleiro, também localizado em Jaboatão, sob a liderança de Lyferson.

"O motivo do crime estaria relacionado ao fato de a vítima ter repassado, supostamente, informações a policiais militares, resultando na prisão em flagrante do acusado Neilson, tendo na ocasião sido apreendidas diversas armas de fogo, munições, colete balístico e fardamento da Polícia Civil de Pernambuco utilizados pela organização criminosa", descreveu o relatório do MPPE à Justiça. 

CONDENAÇÃO POR MATAR MÉDICO

Velho conhecido da polícia, Lyferson foi condenado a 26 anos e quatro meses de prisão, em 2016, pela acusação de ser o executor do assassinato do médico cardiologista Artur Eugênio de Azevedo, de 35 anos. O crime ocorreu em Jaboatão dos Guararapes, em 2014.

A ordem, segundo o MPPE, foi dada pelo cirurgião Cláudio Amaro Gomes, que trabalhava com Artur Eugênio. O caso teve repercussão nacional. 

Mesmo cumprindo pena no Presídio de Igarassu, Lyferson seguiu comandando a organização especializada em tráfico de drogas e também foi um dos líderes do forte esquema de corrupção no Presídio de Igarassu, que começou a ser desarticulado pela Polícia Federal em 25 de fevereiro deste ano, primeira fase da operação La Catedral.

A investigação indicou que o ex-gestores e policiais penais autorizavam festas e a entrada de celulares, bebidas e garotas de programas no presídio em troca de pagamento de propina. Diálogos no WhatsApp serviram de provas. 

Na operação, um mandado contra Lyferson foi cumprido na Penitenciária Federal de Campo Grande, no Mato Grosso do Sul, onde o acusado está desde o ano passado. A transferência foi solicitada pela Justiça pernambucana sob o argumento de que ele continuava dando ordens à organização criminosa, por meio de celulares, no Presídio de Igarassu.

ORDEM PARA MATAR EX-PM

Em maio deste ano, Lyferson foi alvo de outra operação, sob a acusação de ordenar o assassinato do ex-policial militar Heleno José do Nascimento, conhecido como Júnior Black. O crime ocorreu na saída de um restaurante no bairro de Boa Viagem, Zona Sul do Recife, em 17 de julho de 2023. Na ocasião, uma mulher de 54 anos morreu vítima de bala perdida.

Júnior Black passou 12 anos na Polícia Militar de Pernambuco, antes de ser expulso pela acusação de integrar um grupo de extermínio. Quatro dias antes de ser assassinado, ele participou de uma troca de tiros com três mortos no município do Parnamirim, no Sertão do Estado.

Segundo as investigações, um dos mortos era considerado braço direito de Lyferson, por isso houve a ordem para o homicídio de Júnior Black por vingança.

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