Apenas 1,5% dos adolescentes de 15 a 19 anos se vacinaram contra HPV
Baixa adesão preocupa especialistas e pode comprometer meta da OMS de eliminar o câncer do colo do útero nas próximas décadas

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Apesar dos avanços recentes na imunização contra o HPV entre crianças e adolescentes, o Brasil enfrenta dificuldades para alcançar os jovens mais velhos.
A campanha lançada pelo Ministério da Saúde em fevereiro, voltada para adolescentes de 15 a 19 anos que perderam a vacinação no período regular (9 a 14 anos), atingiu apenas 1,5% do público até agora.
Isso equivale a pouco mais de 100 mil doses aplicadas em um universo estimado de 7 milhões de adolescentes.
Impacto no combate ao câncer do colo do útero
A baixa adesão preocupa especialistas porque pode atrasar o compromisso firmado pelo Brasil com a Organização Mundial da Saúde (OMS), que definiu como meta global eliminar o câncer do colo do útero.
Para isso, é necessário alcançar 90% de cobertura vacinal. Hoje, o Brasil está em torno de 77% na faixa de 9 a 14 anos — taxa ainda distante do ideal.
O câncer do colo do útero é o terceiro mais incidente entre as mulheres brasileiras. Segundo o Instituto Nacional de Câncer (Inca), em 2025 mais de 17 mil novos casos devem ser diagnosticados no País.
Desinformação ainda é barreira
Além da baixa procura, a desinformação pesa contra a vacina. Pesquisa da Fundação Nacional do Câncer mostrou que um terço dos adolescentes não sabe que o imunizante previne o câncer e mais da metade acredita, equivocadamente, que a vacina pode trazer riscos à saúde.
Entre os pais, 22% ainda temem que a vacinação estimule o início precoce da vida sexual. Especialistas destacam que mitos como esses reduzem a confiança e dificultam o avanço da cobertura.
Avanços recentes
Apesar das dificuldades, o País registrou crescimento na aplicação de doses nos últimos anos. Entre 2022 e 2023, o número subiu 42%, passando de 4,3 milhões para mais de 6,1 milhões.
Em 2024, a cobertura chegou a quase 85% do público-alvo regular, com destaque para os adolescentes de 14 anos, que alcançaram 96% de adesão.
Historicamente, as meninas se vacinam mais, mas os meninos vêm registrando crescimento expressivo — a adesão entre eles aumentou 70% nesse período.
Por que vacinar cedo faz diferença
O HPV é uma infecção muito comum: estima-se que 75% das brasileiras sexualmente ativas terão contato com o vírus ao longo da vida.
Na maioria dos casos, a infecção desaparece espontaneamente, mas a persistência do vírus pode levar ao câncer.
“A imunização deve acontecer antes do início da vida sexual, porque assim o organismo já estará protegido quando houver a exposição ao vírus”, explica a oncologista Marcela Bonalumi, da Oncoclínicas.