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Senai Park será Think Tank focado em desenvolvimento tecnológico, colocando Pernambuco na vanguarda da nova indústria

Oziel Alves prevê que hub se transformará num legado que deixa para o Brasil bloco de conhecimento, novas tecnologias e novos produtos

Por Fernando Castilho Publicado em 09/10/2025 às 17:52

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No próximo dia 20, Pernambuco ganha uma de suas mais importantes plataformas para trabalhar o seu futuro industrial. O Senai Park, que pode funcionar como um grande Think Tank para sistemas de energia ou soluções energéticas para o setor industrial.

Na verdade, uma plataforma para desenvolvimento tecnológico e aceleração desse desenvolvimento, com o objetivo de transformar conhecimento, novas tecnologias e novos produtos. E todo esse processo de desenvolvimento, de teste, de validação, de criação de um novo negócio, em um ambiente real, industrial, 100% conectado com a realidade da indústria.

Ele se ancora no conceito de fábricas inteligentes, de plantas flexíveis com tecnologias embarcadas que podem ser replicadas para outros setores, entre eles a produção de bateria de lítio. E, nesse empreendimento, até mesmo a inteligência artificial é uma solução, uma tecnologia transversal ao SENAI Park. Nessa entrevista, o Diretor Geral do SENAI Park, Oziel Alves, fala do que o espaço se transformará e do legado que o projeto deixa para o Brasil. Confira a entrevista.

Jornal do Commercio - O Senai Pernambuco vem se envolvendo num dos mais ousados projetos de Pesquisa e Desenvolvimento para a indústria. O que ele está entregando agora, com o inauguração do SENAI Park?

Oziel Alves - Acelerar o desenvolvimento econômico do Estado, desenvolvimento tecnológico, desenvolvimento de competências específicas para apoiar a indústria da região, do Nordeste e do Brasil. Esse é um dos grandes objetivos do SENAI Park. Ser uma plataforma para desenvolvimento tecnológico e aceleração desse desenvolvimento, com o objetivo de transformar conhecimento, novas tecnologias e novos produtos que possam ser implantados diretamente na indústria.

JC - O que o SENAI Park poderá trazer de novo e oferecer ao setor produtivo?

Oziel Alves - O SENAI Park oferece um modelo de negócio diferenciado para o setor industrial. O grande objetivo é reduzir os riscos que a indústria tem no ciclo de desenvolvimento de novos produtos ou novos negócios. Oferecemos infraestrutura tecnológica, plantas-piloto, linhas de produções para desenvolvimento de soluções tecnológicas, infraestrutura física, equipes de pesquisadores, equipes de engenheiros, desenvolvimento de competências, capacidades para que essa indústria consiga juntar todos esses elementos e, assim, desenvolver novos produtos.

O SENAI Park traz um diferencial em relação ao modelo de operação dos Institutos de Inovação e Tecnologia ou de Institutos de Ciência e Tecnologia que, basicamente, estão olhando o desenvolvimento tecnológico e a aplicação dessas tecnologias.

Divulgação
Senai Park Suape: Complexo de produção de conhecimento do Senai Pernambuco - Divulgação

JC - O Senai Park se propõe a reduzir falhas no processo e risco no ciclo de desenvolvimento industrial. O que é isso?

Oziel Alves - Então, o SENAI Park traz um cenário onde fábricas possam ser simuladas, utilizadas e sejam adaptadas para receber novas tecnologias. Tudo isso baseado em plantas-piloto, que são linhas de produções, fábricas, de um porte menor, mas com todas as características de uma grande fábrica ou de um grande empreendimento. Ela consegue fazer todo esse processo de desenvolvimento, de teste, de validação, de criação de um novo negócio, em um ambiente real, industrial, 100% conectado com a realidade da indústria, por estar fisicamente em um ambiente industrial.

JC - O que o Senai Park poderá entregar no futuro?

Oziel Alves - O Senai Park poderá ajudar a indústria a construir modelos de operação, modelos de negócios para a indústria do futuro. É um ambiente que tem como objetivo transformar fábricas tradicionais, tecnologias utilizadas dentro dos processos produtivos para desenvolver novas soluções e adaptar essas soluções para cenários mais próximos da indústria. A indústria necessita de ambientes reais que possam enxergar a aplicação das tecnologias, o uso das tecnologias. O objetivo é trabalhar em temas de fronteira onde a gente tenha desafios de mercado, desafios tecnológicos, desafios em tropicalizar uma tecnologia ou desenvolver uma cadeia de fornecedores no Brasil.

JC - O projeto já reuniu um considerável número de empresas que já investiram R$ 100 milhões. O que esses projetos poderão entregar?

Oziel Alves - Atualmente, os projetos que estão em desenvolvimento no Senai Park, que já têm contratos, operações que estão acontecendo e que nos próximos meses irão materializar infraestrutura física, montando fábrica, montando protótipos, desenvolvendo e fabricando essas tecnologias, estão orientados à mobilidade sustentável, como por exemplo o desenvolvimento de baterias de lítio low voltage para os veículos híbridos. Essa é uma solução que foca na cadeia de mobilidade, e nacionalizar essas tecnologias, aumentar a competitividade do setor e aumentar a capacidade de uma fábrica ser flexível para que ela possa suportar novas demandas do mercado.

JC - Uma das marcas do SENAI Park é uma incubadora de fábricas. O que esse modelo pode agregar ao que está sendo chamado de Indústria 4.0?

Oziel Alves - Acelerar o processo de transformação digital da indústria. Efetivamente, embarcar tecnologias como inteligência artificial, digital twin, data science, IoT, robótica colaborativa, robótica autônoma. Essas são algumas das tecnologias onde tem como objetivo gerar uma atualização no setor industrial para aumentar a capacidade das fábricas e indústrias serem produtivas. Nesse sentido, o Senai Park é um parque onde nós teremos plantas de produção, processos produtivos, novas tecnologias sendo desenvolvidas, mas sempre com ênfase em fábricas inteligentes, transformação digital da indústria, o mesmo conceito de indústria 4.0 e transição energética.

JC - Qual a conexão do Senai Park com as Rede SENAI de Institutos de Tecnologia e Inovação e a Rede de Unidades EMBRAPII no seu projeto de desenvolvimento?

Oziel Alves - O SENAI Park é um ambiente para poder materializar, industrializar, colocar em operação prática e ter as tecnologias, novas soluções, novos produtos e novos processos funcionando de forma clara, materializada, para que a gente possa realmente chegar no último estágio de desenvolvimento tecnológico, que é quando uma solução tecnológica está madura para entrar em operação no mercado e dentro do setor industrial.

Com isso, nós contamos com a rede de Institutos SENAI, que tem distribuído em todo o Brasil, com diversas competências e capacidades instaladas, passando em todas as áreas do conhecimento tecnológico e de engenharia. Uma rede ampla que conecta diversos institutos de ciência e tecnologia, universidades, entre outras instituições, que também tem como objetivo promover o desenvolvimento tecnológico para inovação industrial.

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Suape recebeu um eletrolizador para ser usado nos projetos do Senai Park. - Divulgação

JC - Na rota de trata de Digitalização da Cadeia Industrial para Produção de Hidrogênio existem muitas empresas envolvidas. O senhor tem recebido consultas para mais empresas entrarem?

Oziel Alves - Sim, em relação à grande estratégia de trabalhar a digitalização da cadeia industrial de produção de hidrogênio verde, com o objetivo de integrar sistemas de energia, trazendo o conceito de Power2X, que basicamente a gente otimizar as múltiplas fontes energéticas, seja energia vinda de fonte eólica, solar, hidroelétrica, entre outras fontes de energia, combinar essas fontes de energia com as demandas do mercado e ter um sistema de inteligência que ajude a orquestrar isso, de forma a gente ter a melhor aplicação, no melhor momento, no melhor custo. Não temos uma única fonte de energia que vai resolver os problemas de forma transversal. Então, basicamente, a gente pode ter energia elétrica convertida em hidrogênio, hidrogênio para novos combustíveis, o hidrogênio aplicado direto na mobilidade, novos combustíveis sendo utilizados de forma sustentável, usar o hidrogênio como um vetor para armazenar energia ou utilizar um sistema de bateria.

JC - Uma das primeiras entregas é o centro de pesquisa dentro do Projeto Nacional de Bateria de Lítio de Baixa Tensão. Na sua opinião, em que esse projeto poderá entregar?

Oziel Alves - O projeto de nacionalização de um produto nacional, de desenvolvimento de um produto nacional de bateria de baixa tensão para veículos híbridos, ele traz diversos benefícios para a indústria brasileira, especificamente para a cadeia automotiva. A gente consegue desenvolver e nacionalizar um produto de alta demanda futura prevista dentro do mercado brasileiro nacional, garantir a soberania tecnológica, o domínio tecnológico no Brasil e a partir disso desenvolver uma cadeia de parceiros para conseguir industrializar e fabricar esse produto. Isso gera novas indústrias, novos empregos, novas tecnologias e além de tudo a gente consegue ganhar autonomia no mercado nacional, além de ter o domínio tecnológico da solução para reduzir custos desse processo e garantir o fornecimento dessa cadeia de suprimentos.

Como é que a gente consegue fabricar esse produto no Brasil? Então, o projeto também entregará uma planta piloto com capacidade de produzir lotes desse produto no Brasil. A partir desse projeto, nós podemos escalar isso para desenvolver grandes indústrias de desenvolvimento, de fabricação, de baterias dessa característica e de outras características próximas. Esse é um outro legado que o projeto deixa para o Brasil. Conceito de fábricas inteligentes, de plantas flexíveis com tecnologias embarcadas que podem ser replicadas para outros setores, não apenas para produção de bateria.

JC - Como está a rota que mira a construção de uma Fábrica Piloto para Produção Fertilizantes Organominerais com Carbono Negativo?

Oziel Alves - O projeto Action faz parte de uma submissão do Mitigate to Action Facilities, um fundo europeu de suporte a mitigações de ações que impactam no clima. Esse projeto está avançando, temos atualizações de que ele vem em um bom estágio para ser aprovado e a gente, efetivamente, está na fase de implementação. É um projeto que tem a capacidade de gerar um impacto gigante na indústria brasileira de fertilizante e impulsionar o desenvolvimento dessa cadeia industrial. O grande objetivo é que esse projeto seja anunciado e lançado na COP pela Unido, considerando o impacto e os benefícios desse projeto para o setor industrial do Brasil.

JC - Como o senhor avalia o potencial de modelos avançados de Inteligência Artificial (IA) embarcados no Senai Park?

Oziel Alves - A inteligência artificial é o grande propulsor, é o DNA principal do SENAI Park. Tudo que foi instalado, desenvolvido, implementado no SENAI Park, o grande objetivo, a grande estratégia é que já nasça com uma camada de digitalização, uma camada de integração de dados para que nós possamos realmente trabalhar o conceito de fábricas inteligentes e tecnologias que possam ter inteligência artificial embarcada. A inteligência artificial é uma solução, uma tecnologia transversal ao SENAI Park. E assim a gente reduzir o tempo de desenvolvimento de um produto, de um projeto ou de uma solução através do uso de tecnologias que possam acelerar esse processo, seja na etapa de desenvolvimento, de teste ou validação.

JC - Qual o cenário da indústria de geração de energia solar e eólica com o conhecimento gerado no Senai Park, especialmente para armazenamento?

Oziel Alves - O Senai Park pode funcionar como um grande Think Tank para sistemas de energia ou soluções energéticas para o setor industrial. Isso significa um ambiente que possa gerar estudos estratégicos, inteligência, relatórios que possam ajudar na construção de novos modelos de negócios, de identificação de gargalos tecnológicos, gargalos no processo de implantação dessas soluções no mercado.

Nesse sentido, todas as tecnologias e todos os projetos que vêm sendo desenvolvidos no parque têm como objetivo suportar o setor industrial e o setor energético. Nós precisamos gerar inteligência, gerar materialização de tecnologias e de soluções que muitas vezes parecem estar muito distantes. O objetivo é que o SENAI Park suporte com tecnologias com soluções que possam dar uma visibilidade dar uma perspectiva de futuro de como essas tecnologias se comportarão nos próximos anos.

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