Redes públicas voltam às aulas nesta terça-feira (3) com nova disciplina de História de Pernambuco no currículo estadual

A disciplina passa a ser obrigatória nos anos finais do fundamental e no ensino médio a partir de 2026, atendendo a uma demanda antiga de professores

Por Mirella Araújo Publicado em 30/01/2026 às 14:08 | Atualizado em 30/01/2026 às 15:35

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As aulas das redes públicas estadual e municipal de Pernambuco começam na próxima terça-feira (3), dando início ao ano letivo de 2026.

Na rede estadual, o retorno às salas vem com a inclusão da disciplina História de Pernambuco, que passa a integrar, de forma obrigatória, o currículo dos anos finais do ensino fundamental e do ensino médio.

A alteração entra em vigor já neste ano e atende a uma reivindicação antiga de docentes da área. As novas matrizes curriculares foram oficializadas por instruções normativas da Secretaria de Educação de Pernambuco (SEE), publicadas no Diário Oficial do Estado nos dias 14 e 21 de janeiro.

Como o conteúdo será trabalhado

Nos Anos Finais do Ensino Fundamental, História de Pernambuco deixa de aparecer apenas de forma transversal e passa a compor a Parte Diversificada do currículo, que complementa a Base Nacional Comum Curricular (BNCC) e permite abordagens mais conectadas à realidade dos estudantes.

No Ensino Médio, o conteúdo será desenvolvido nos Itinerários Formativos de Aprofundamento (IFA), por meio de projetos integradores que articulam diferentes áreas do conhecimento.

A proposta, segundo a SEE,  é relacionar aspectos históricos, culturais e territoriais do estado com práticas investigativas e interdisciplinares, aproximando o aprendizado do cotidiano dos alunos.

A disciplina será ofertada em 342 escolas que atendem aos anos finais do ensino fundamental e em 730 unidades com ensino médio regular, integral e técnico integrado.

Disciplina fortalece identidade cultural e histórica

Para o professor de História da rede estadual José Ricardo, a história pernambucana costumava aparecer de maneira pontual nos livros didáticos e na organização dos programas escolares.

“Muitos materiais relativizam ou ignoram acontecimentos e personagens centrais, como Frei Caneca e a Confederação do Equador de 1824. Agora, a História de Pernambuco passa a ter espaço próprio, com carga horária definida e planejamento específico”, afirmou o docente à coluna Enem e Educação.

O professor também destacou o impacto direto da mudança na relação dos estudantes com o aprendizado. “O aluno passa a estudar lugares que conhece e nomes que fazem parte do seu dia a dia. Isso desperta curiosidade, fortalece o sentimento de pertencimento e contribui para que ele se reconheça como sujeito histórico. Não se trata apenas de olhar para o passado, mas de entender como ele se manifesta no presente”, completou.

O secretário de Educação, Gilson Monteiro, destacou que a inclusão da História de Pernambuco como disciplina obrigatória é resultado de uma proposta encaminhada pelo Governo do Estado ao Conselho Estadual de Educação, em julho de 2025, no contexto das comemorações do Bicentenário da Confederação do Equador.

Segundo Monteiro, a iniciativa “representa um avanço na valorização da identidade histórica e cultural pernambucana no ambiente escolar” e garante que estudantes da rede estadual tenham acesso, do ensino fundamental ao ensino médio, a conteúdos voltados à história, à riqueza e à diversidade cultural do estado.

A SEE anunciou que as novas matrizes também ampliam a oferta de componentes de recomposição em língua portuguesa, matemática e ciências humanas, além de disciplinas eletivas, agora incorporadas às escolas regulares. Até então, esses conteúdos eram restritos às unidades de ensino integral.

*Com informações da Superintendência de Comunicação da SEE-PE

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