Unicap concede Doutor Honoris Causa a Camilo Santana; ministro fala sobre uso de IA no Enem e substituição do Saeb
A sessão solene será realizada nesta terça-feira (16), às 16h, no auditório G1 da Unicap, e integra o calendário institucional da universidade
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A Universidade Católica de Pernambuco (Unicap) realiza, nesta terça-feira (16), às 16h, sessão solene de outorga do título de Doutor Honoris Causa ao ministro da Educação, Camilo Santana. A cerimônia acontece no auditório G1 e integra o calendário institucional da universidade.
Segundo a instituição, "a homenagem reconhece a trajetória e a contribuição de Camilo Santana para a educação e o desenvolvimento do país, com destaque para sua atuação à frente do Ministério da Educação, em um contexto de grandes desafios para o setor".
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Trajetória acadêmica e política do homenageado
Formado em Engenharia Agronômica e mestre em Desenvolvimento e Meio Ambiente pela Universidade Federal do Ceará (UFC), Camilo Santana iniciou sua carreira profissional como analista ambiental do Instituto Brasileiro do Meio Ambiente e dos Recursos Naturais Renováveis (Ibama), onde também exerceu o cargo de superintendente adjunto estadual entre 2003 e 2004. Paralelamente, atuou como professor.
Sua trajetória política teve início em 2000, quando concorreu pela primeira vez à Prefeitura de Barbalha, pelo Partido Socialista Brasileiro (PSB). Quatro anos depois, voltou a disputar o cargo, já filiado ao Partido dos Trabalhadores (PT).
Entre 2007 e 2014, integrou os governos de Cid Gomes no Ceará, ocupando as secretarias do Desenvolvimento Agrário e das Cidades. Em 2010, foi eleito o deputado estadual mais votado do estado.
Em 2014, Camilo Santana foi eleito governador do Ceará no segundo turno, com mais de 53% dos votos válidos. Quatro anos depois, foi reeleito com 79,59% dos votos, alcançando a maior votação proporcional do Brasil naquele pleito. Em 2022, foi eleito o senador da República mais votado da história do Ceará e, proporcionalmente, o mais votado do país.
Enem e o uso de IA na formulação das questões
Durante participação no evento “Educação como Prioridade: 2º Encontro de Prefeitos(as) de Capitais e de Grandes Cidades no ciclo 2025–2028”, realizado na última quinta-feira (11) pelo movimento Todos Pela Educação, Camilo Santana, comentou a possibilidade de uso da Inteligência Artificial na formulação de questões do Exame Nacional do Ensino Médio (Enem).
Segundo o ministro, o Instituto Nacional de Estudos e Pesquisas Educacionais Anísio Teixeira (Inep) tem total autonomia para organizar o exame. “Sempre deixo a competência de qualquer mudança ou sugestão para o corpo técnico do Inep. Eles estão avaliando isso, para que a gente possa dar cada vez mais segurança e transparência ao que considero o maior evento educacional do país, que é o Enem”, afirmou.
Camilo Santana destacou ainda que a edição de 2025 do exame bateu recorde de inscrições, com 4,8 milhões de candidatos aptos a realizar as provas.
A discussão sobre o uso de IA como ferramenta de apoio à elaboração das questões ocorre após a identificação de itens muito semelhantes aos aplicados oficialmente no Enem. O caso veio à tona após o segundo domingo de provas. Com a repercussão, o Inep anulou três questões — uma de Matemática e duas de Ciências da Natureza.
A decisão, no entantou, gerou muitas críticas, já que mais de 11 questões semelhantes haviam sido identificadas em materiais comercializados pelo estudante de Medicina Edcley Teixeira. Ao divulgar sua monitoria, ele afirmava ser capaz de “prever questões do Enem” com base em provas anteriores.
Além disso, Teixeira participou do Prêmio Capes Universitário 2024 e apontou que as questões aplicadas nessa avaliação seguiam o padrão do Enem, sendo portanto, um mecanismo de pré-teste para o Banco Nacional de Itens. Mesmo diante de toda a polêmica, o Inep assegurou que não houve vazamento de questões e que a isonomia do exame está assegurada.
Agora, expectativa é que as definições sobre o uso de IA ocorram nos primeiros meses do próximo ano, antes do lançamento oficial do Enem, uma vez que o exame envolve universidades e instituições de ensino de todo o país.
Enem como avaliação para estudantes do Ensino Médio
Como já havia anunciado no balanço do Enem 2025, a partir do próximo ano as provas também passarão a ser utilizadas como instrumento de avaliação da qualidade da aprendizagem dos estudantes do 3º ano do ensino médio, em substituição ao Sistema de Avaliação da Educação Básica (Saeb).
A coluna Enem e Educação, que esteve presente na cobertura do evento, questionou o ministro sobre a surpresa causada pela medida entre representantes de entidades ligadas à educação e especialistas do setor, além de como se dará o diálogo com as redes de ensino para essa substituição dos mecanismos de avaliação.
“Nós estamos definindo um padrão que, com a prova do Inep, permita fazer uma avaliação do aluno que está no ensino médio. Isso acontece em vários países do mundo. Não faz sentido ter duas provas no último ano do ensino médio. Além disso, o Saeb é aplicado a cada dois anos, e o aluno não se preocupa com essa avaliação, porque está focado no Enem”, afirmou.
Segundo Camilo Santana, a metodologia de padronização ainda será apresentada pelo Inep ao MEC, mas o perfil do Enem não será alterado.
“Será preciso definir, por exemplo, o que significa um aluno tirar 450 pontos dentro dessa avaliação de aprendizagem. A partir da nota obtida no Enem, vamos estabelecer parâmetros para avaliar a qualidade da aprendizagem”, explicou.