Família denuncia erro médico durante parto no Hospital da Mulher do Recife
A criança acabou ingerindo e aspirando parte do mecônio, que é a primeira fezes do bebê por isso está entubada e em coma induzido
Uma mulher de 25 anos alega que ocorrerram falhas no atendimento durante o parto de seu bebê, na última quinta-feira (9), no Hospital da Mulher (HMR), que fica no bairro da Estância, no Recife.
De acordo com informações, a mulher chegou ao hospital na última segunda-feira (6), por volta das 14h, após uma consulta de pré-natal e uma avaliação na Maternidade Barros Lima.
A família conta que o parto normal foi induzido: "Quando viram que ela não teve dilatação para o parto, começaram a inserir comprimidos. Eram dois de 4h em 4h, inclusive eles atrasaram nas medicações", contou o avô paterno.
Após a baixa resposta ao medicamento, de acordo com a família, a equipe inciou o estímulo com o balão, para incentivar o parto, mas foi inserido de maneira incorreta.
"Veio uma outra médica reexaminar e disse 'o balão está errado e não vai funcionar'. Ela foi tentar tirar o balão e estourou. Quando saiu, ele veio com mecônio, que é a primeira fezes do bebê", disse o avô.
Mesmo após a contastação do mecônio, o hospital só realizou a cesariana depois de uma outra avaliação médica, na manhã seguinte, que observou a susbstância durante o exame de toque. A mãe foi levada à cirurgia urgência.
A criança acabou ingerindo e aspirando parte do mecônio, por isso está entubada e em coma induzido.
"Na sexta-feira a noite a menina passou mal. Mexeram na sedação e no oxigênio dela e ela passou mal. Caiu para 40% e ela ficou roxinha. A médica botou a mão na cabeça se saber o que fazer e minha nora disse para ela beber uma água e olhar o prontuário", pontuou.
O avô contou que no sábado (11) uma médica do IMIP foi até o hospital e estabilizou a medicação, os sedativos e oxigênio, entretanto, a equipe do HMR alterou novamente e a bebê voltou a respirar pesadamente. Na noite do dia seguinte outra médica estabilizou o quadro.
"Eu estou fazendo essa reportagem não é para aparecer, é para que possa vir alguém de autoridade e responsabilidade para colocar pessoas responsáveis já no primeiro contato da maternidade", desabafou.
A avó da bebê conta que aconselhou a nora sobre a necessidade de uma cesariana, entretanto, mesmo com os pedidos, o hospital negou.
"'Faça uma cesárea porque essa criança está em sofrimento'. A barriga dela ficava tão dura porque a menina queria sair e não tinha passagem", contou a avó paterna.
A família está revoltada porque a equipe médica apenas pontua que o quadro está estável: "A gente quer conversar com os médicos, mas eles não se dispõem para falara com a gente. Hoje foi qe veio uma e passou cinco minutos conversando com a gente. Só essa que teve paciência e explicou".
De acordo com os sogros, a situações da mulher é bastante frágil mentalmente, pois ela ainda segue internada com a filha: "O sonho dela era chegar nesse hospital, ter a menina e ir para casa. Aí chega aqui e tá grave, gravíssima", lamentou a sogra.
Resposta do Hospital
Em nota, o Hospital da Mulher do Recife diz que a paciente deru entrada no dia 6 e no dia 7 foi inicada a indução, que ocorreu sem intercorrências. Nesse processo a paciente foi monitorada pela equipe médica do hospital.
O HMR pontua que a aspiração de mecônio, por si só, não é indicação de cesariana, que essa definição está ligada a condição do bebê e que no exame específico intrauterino, realizado na madrugada do dia 9, o resultado foi normal.
Às 8h23 da manhã, do mesmo dia, houve indicação de cesariana, realizada às 8h50. Após o parto, o bebê apresentou desconforto respiratório e hipertensão pulmonar. O recém nascido está na UTI Neonatal e estável, mas inspira cuidados.